# Prova de Amor

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- Published: 2009-06-19T22:51:03-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

, Gazeta de Ribeirão – SP Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano: Cidade &nbsp; 27/NOVEMBRO/07 Epidemia estável   LUCIANA CARNEVALE Se em 2007 Piracicaba e todo o Brasil vivem uma epidemia assustadora em relação à dengue, doença transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em águas paradas e limpas, como a existente, por exemplo, nos vasos de plantas e flores, a situação é bem diferente quando o assunto é a Aids. Embora não haja comparações entre as enfermidades, igualmente crônicas, porém distintas, em se tratando do HIV, que no passado foi uma pandemia (epidemia amplamente difundida), a situação atual é de controle. O panorama foi divulgado na manhã de ontem (26), na sala de reuniões do gabinete do prefeito Barjas Negri (PSDB), pelo secretário municipal de Saúde, Fernando Cárdenas; e pelo coordenador do Projeto de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), Moisés Taglietta. A coletiva à imprensa funcionou também como divulgação para a abertura oficial da XV Semana Municipal de Prevenção às DSTs/HIV/Aids. Levantamento detalhado ontem revela que de 1982 a 2006, foram registrados 1.044 casos de Aids em Piracicaba, numa proporção de cinco homens para uma mulher, sendo 759 homens e 285 mulheres. De janeiro a setembro de 2007, foram confirmados 39 casos, entre 26 piracicabanos do sexo masculino e 13 mulheres. &#8220;Vivemos uma condição de epidemia estável. Isso significa que não existe uma explosão de ocorrências de um ano para o outro. Não chega, entretanto, a ser uma endemia (número menor de casos), mas a preservação tem dado certo&#8221;, observa Taglietta. Para comprovar a tese, apenas no primeiro semestre de 2007, 4.995 pessoas foram submetidas a testes realizados no Centro de Doenças Infecto-Contagiosas (Cedic). A entidade atende à rua do Trabalho, 634, Vila Independência, ou pelo telefone (19) 3437-7514, e trabalha, além da Aids, com enfermidades como tuberculose, hanseníase, doenças sexualmente transmissíveis e outras patologias. Ao todo, de acordo com Taglietta, foram executados 600 testes a mais do que nos primeiros seis meses de 2006. Para se ter uma idéia da situação local, no último ranking sobre a doença, detalhado em dezembro do ano passado, com dados fechados até 2004, Piracicaba aparece em 95º lugar em incidência de Aids no Estado de São Paulo. Há sete anos, o atendimento realizado na cidade foi considerado de padrão-ouro pelo Ministério da Saúde. Em meio às boas-novas, as mudanças são visíveis. Ao contrário do que ocorria no passado, quando os homossexuais homens representavam 100% do total de pessoas infectadas, nos anos 2000 o perfil mudou radicalmente. De acordo com Taglieta, hoje em dia os heterossexuais representam o maior número de casos, mesclado com um número de mulheres que se relacionam com usuários de drogas. Esses, por sinal, aparecem em segundo lugar, responsáveis por 12% dos casos. Os homens continuam em maior número, mas a curiosidade fica por conta da faixa etária mais recorrente. A Aids, de acordo com Fernando Cárdenas, é mais comum no município entre jovens de 16 a 29 anos (veja nesta página). A constatação da nova realidade mudou até os planos do Ministério da Saúde. Toda a campanha relacionada à prevenção da doença ou qualquer procedimento que envolva o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado no próximo dia 1º, terá um enfoque direcionado mais voltado à juventude, além de trabalhos de conscientização realizados em empresas, por meio de palestras, entre outros eventos. O tema será &#8220;Inclusão, Encaixe Essa Idéia&#8221;. &#8220;Estamos entrando também nas escolas, conversando com os professores e conquistando uma boa articulação na sociedade&#8221;, salienta Cárdenas, que destaca que R$ 1,7 mil são gastos por mês, no atendimento por paciente. O custo sai, segundo o secretário, do &#8220;pacote&#8221; referente ao Sistema Único da Saúde (SUS) que vem do governo federal. Cartazes, panfletos e a distribuição em massa de preservativos, masculinos e femininos, serão algumas das ações realizadas em Piracicaba e em todo o País. Por mês, foram entregues gratuitamente 55 mil camisinhas em unidades de saúde e pronto-socorros. Para dezembro, haverá um reforço de mais de 40 mil unidades. Outra boa notícia é de que, ao contrário do registro de Aids em 38 crianças de 1982 ao ano passado, a cidade não registrou nenhum caso de janeiro a setembro deste ano. &#8220;É um dado muito importante, que deve ser ressaltado&#8221;, afirma Cárdenas. Se 635 pessoas morreram nos últimos 24 anos, seis faleceram nesse período de 2007. Solidariedade Vários eventos estão previstos para acontecer até o final deste ano, tendo a prevenção da Aids como pano-de-fundo. Além da XV Semana Municipal de Prevenção, instituída na cidade em 1992, será realizada nesta sexta-feira (30), às 8 horas, a Caminhada da Solidariedade, com saída do Largo do Mercado Municipal, passando pela rua Governador Pedro de Toledo, entrando na rua São José e chegando à praça José Bonifácio. Ao longo do dia, acontecerão atividades educativas e culturais. O encerramento está previsto para as 16 horas. Amanhã (28), das 8 horas às 17 horas, tem início, no Centro Cívico, o projeto &#8220;Meu Corpo, Minha Casa&#8221;, que segue até o próximo dia 3, com a participação de 250 professores, diretores e coordenadores. A fatídica “prova de amor” Os casos de mulheres mais velhas infectadas com Aids é um fato, mas a descoberta surpreendente de que os jovens representam a principal fatia da população com HIV preocupa os especialistas. Moisés Taglietta ressalta que muito ainda se fala na &#8220;prova de amor&#8221;, principalmente entre os jovens. &#8220;Infelizmente, tudo isso ainda existe. Um namoro de três meses, por exemplo, acaba se transformando num compromisso sério e essa espécie de pacto ocorre de forma até natural, quando na verdade, não deveria ser assim&#8221;, explica. Quando a &#8220;prova de amor&#8221; é sugerida, o adolescente hesita em usar o preservativo e até se irrita quando é chamado a se proteger durante as relações sexuais. Os cientistas observam que, à essa altura, a mulher se entrega, justamente para cumprir a tal &#8220;prova de amor&#8221;, sem qualquer preparo ou prevenção. Se algum dos parceiros está infectado, é nesse momento que acontece a transmissão. &#8220;As pessoas precisam entender que nenhuma &#8220;prova de amor&#8221; tem o poder de impedir o aparecimento da Aids. É ilusão pensar nisso&#8221;, alerta. Leia também A AIDS e o mundo Fazer amor com HIV depois do diagnóstivo Prevenção na folia Leia também Quantos verões ainda virão? Descreva uma decisão que você tomou no passado e trouxe aprendizado ou crescimento De volta. Mas diferente Você, ele·Terra, Sistema Solar, Via A Minha me faltou; me abandonou duas vezes; me traiu… Durante Relacionado
