# “Todos correm risco”

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- Published: 2009-12-06T14:40:45-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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uma consulta médica com um profissional formado e diplomado no seu ramo da medicina.
E se você foi diagnosticado pelo Dr. Google, busque uma segunda opinião com o Dr.
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Este Artigo foi publicado há 16 ano(s) e pode estar desatualizado

mas você deveria o ler mesmo assim para saber em que pé estavam as coisas nesta 
época. Para você ter algo mais em que se nortear, organizamos estas buscas para 
você. Pode clicar tranquilo.

 1. [Busca por termo usado pelo cara](https://soropositivo.org/?s=sua+busca+recente)–
    Encontrados 147 artigos
 2. [Busca por Janela imunológica](https://soropositivo.org/?s=janela+imunologica) –
    Encontrados 121 artigos
 3. [Busca Por Sexo Oral](https://soropositivo.org/?s=sexo+oral) – Encontrados 407 
    artigos
 4. [Neuropatia Periférica](https://soropositivo.org/?s=neuropatia+periferica) – Encontrados
    56 artigos
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 7. [Saúde Mental e Cognitiva](https://soropositivo.org/?s=saude+mental) – Encontrados
    146 artigos
 8. [Morte Social](https://soropositivo.org/?s=morte+social) – Encontrados 268 artigos

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dia, poderá precisar saber de algo — e existe, sim, a possibilidade de este ser 
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necessários sejam obtidos via farmácia de alto custo do SUS em Santos, tratamentos
essenciais como a colesteramina (Questran) possuem um custo extremamente elevado
e sem subsídio.Se você pode e quer ajudar a manter esta história no ar, faça um 
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### Mensagem Importante

olá, esta é a história real que precisava ser contada. A vida testa a gente nos 
detalhes mais improváveis, mas a história construída até aqui permanece de pé, registrada
com toda a transparência e resiliência possível.

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Lawford: “A HEPATITE C é resultado do meu vício no passado, mas é impossível saber
exatamente como fui contaminado”

 

Christopher Kennedy Lawford carrega dois sobrenomes de peso. Sua mãe, Patricia, 
era irmã do presidente americano John Kennedy (1917-1963). Seu pai, Peter (1923-
1984), ator de Hollywood, fazia parte do célebre Rat Pack, ao lado de Frank Sinatra,
Sammy Davis Jr. e Dean Martin. Mas o ator e escritor americano de 54 anos carrega
também algo nada glamouroso: o vírus da HEPATITE C, adquirido por meio do uso de
drogas. Ex-usuário de cocaína, heroína e ácido lisérgico, entre outros entorpecentes,
Lawford recebeu o diagnóstico da doença em 2000. Desde 2002, ele consegue manter
o vírus sob controle. Há cerca de 170 milhões de doentes no mundo, 3,5 milhões no
Brasil. Nove em cada dez portadores só se descobrem infectados quando o fígado está
comprometido pela cirrose ou pelo câncer. A HEPATITE C é a principal causa dos transplantes
hepáticos no país. É contra essa desinformação que Lawford luta. Na semana passada,
ele chegou ao Brasil para divulgar seu último livro, C Sua Vida Mudasse (Editora
Manole). Antes de viajar, falou à repórter Adriana Dias Lopes, de sua casa em Los
Angeles.

 

HISTÓRICO FAMILIAR

 

Venho de uma família que sempre teve problemas com álcool e drogas. No mesmo ano
em que meu pai morreu de cirrose por causa da bebida, meu primo David (filho de 
Robert Kennedy) morreu de overdose. Quando nasci, enquanto minha mãe dava à luz 
no hospital, meu pai bebia martínis num bar, com Cary Grant. Depois do parto, para
comemorar, ele levou uma garrafa de uísque para o quarto do hospital. Tudo era motivo
para beber. Assim como ocorreu com o cigarro, sabia-se muito pouco sobre os malefícios
do álcool. E as pessoas abusavam.

 

O VÍCIO

 

Meus melhores amigos tomavam ácido no fim de semana desde os 12 anos. Aos 13, dada
a insistência deles, resolvi aceitar. As drogas combinaram perfeitamente comigo.
Eu encontrei nelas uma ótima muleta para fugir da realidade. Passei os 17 anos seguintes
usando vários tipos de drogas e álcool. O vício não chegou a parar minha vida. Durante
o tempo em que usei drogas, trabalhei em Hollywood, fiz faculdade de direito, mestrado
em psicologia na Harvard Medical School e me casei. Mas vivia mesmo para encontrar
maneiras de ficar chapado. Eu pensava o tempo todo nisso.

 

O DIAGNÓSTICO

 

Em 2000, fui ao médico por causa de um terçol no olho direito. Tinha acabado de 
voltar de filmagens na selva das Filipinas. Na consulta, ao contar do meu vício 
no passado, o médico me pediu um check-up de sangue. Achei uma bobagem. Eu havia
feito os mesmos exames anos antes, depois de já ter me livrado das drogas. Mas concordei
em me submeter ao check-up. Essa decisão salvou minha vida. Duas semanas depois,
o médico me ligou em casa: “Tenho boas e más notícias”. Quando um médico diz isso
é porque nenhuma das duas notícias é boa. A boa era que eu não tinha **AIDS**. E
a ruim? “Você tem HEPATITE C.”

 

CANSAÇO CONSTANTE

 

Minha primeira reação foi achar que o laboratório errara no diagnóstico. Os médicos
me explicaram que, no início dos anos 90, os exames não eram muito precisos e, infelizmente,
meus exames antigos, que haviam dado negativo, estavam errados. Na ocasião do diagnóstico,
eu já me sentia constantemente cansado. Mas achava normal para alguém de 45 anos,
com três filhos e muito trabalho para pagar as contas. Já era, no entanto, sintoma
da presença do vírus da HEPATITE C em meu organismo. O cansaço é resultado da ativação
crônica do sistema imunológico.

 

O TRATAMENTO

 

Pelo estado do meu fígado, quando descobri a doença, eu devia estar contaminado 
havia uns vinte anos. Meu quadro era pré-cirrótico. Eu fui infectado pelo subtipo
mais raro de vírus, mas também o mais fácil de ser tratado. O remédio mais usado
é o interferon, um quimioterápico que estimula o sistema imunológico, associado 
ao antiviral ribavirina. Os dois juntos causam uma sensação de gripe forte. Toda
vez que eu era medicado, sentia fortes dores musculares e, por dois dias, tinha 
febre alta. Isso durou os onze meses do tratamento. Por causa dos medicamentos, 
também tive depressão e insônia. Mas sempre me recusei a tomar antidepressivos e
soníferos por receio de recair nas drogas, das quais havia me livrado nos anos 80.

 

TODOS CORREM RISCO

 

A HEPATITE C é resultado do meu vício no passado, mas é impossível saber exatamente
como fui contaminado. Compartilhei seringas e canudos para consumir cocaína, heroína
e metadona… Na realidade, isso pouco importa hoje. O importante é divulgar que o
vírus é transmitido pelo sangue. A HEPATITE C pode ser transmitida não só pelas 
seringas das drogas injetáveis ou pelos canudos compartilhados numa roda de cocaína,
mas ao fazer tatuagem com agulhas não esterilizadas ou as unhas com instrumentos
precariamente higienizados. A doença, infelizmente, ainda está associada à marginalidade,
quando, na realidade, todos correm risco. Vou passar o resto da minha vida divulgando
isso.

 

UM DIA DE CADA VEZ

 

Estou há sete anos com a carga viral negativada, mas sei que o vírus da HEPATITE
C nunca é completamente eliminado do organismo. Estudos científicos mostram que,
se você está livre da ação do vírus há cinco anos, a probabilidade de ele voltar
é de menos de 1%. É mínima, mas não é zero. Por isso, hesito às vezes em usar a 
palavra “cura”. Prefiro pensar em um dia de cada vez. E no dia de hoje sei que estou
tratado. Assim como sei que hoje estou limpo das drogas.

 

A RELAÇÃO COM A MÃE

 

Além de não saber lidar com o álcool, minha mãe nunca foi muito solidária. No início
dos anos 90, quando eu trabalhava na novela All My Children, da rede ABC, tive uma
crise terrível de dor nas costas e muitas vezes não conseguia nem sequer me vestir
sozinho. Nessa ocasião, nós morávamos juntos e uma vez fui até o quarto dela pedir
ajuda por causa da dor. Ela me olhou como se nada estivesse acontecendo. Voltei 
para o meu quarto, espalhei as roupas no chão e me contorci até conseguir me trocar.
Minha mãe não suportava lidar com minhas dores.

 

O CONVITE

 

Lembro com carinho da convenção que lançou a candidatura de meu tio John à Presidência
dos Estados Unidos. Minha mãe, que tinha adoração pelo irmão, me levou. Eu estava
com 5 anos. Dormi na cadeira. Às 3 da manhã, ele me acordou e disse, em tom de brincadeira:“
Vou ter um trabalho duro daqui para a frente, você me ajuda?”. Fiquei muito feliz,
mas o sono era maior: “Tudo bem, mas posso trabalhar só a partir de amanhã?”.

 

 

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**06/DEZEMBRO/09**

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## Leia também

 * ["Todos correm risco"](https://soropositivo.org/qtodos-correm-riscoq/)
 * [Antes que seja tarde](https://soropositivo.org/antes-que-seja-tarde/)
 * [As pessoas infectadas com o HIV ainda correm risco de morte](https://soropositivo.org/as-pessoas-infectadas-com-o-hiv-ainda-correm-risco-de-morte-por-doencas-oportunistas-2/)

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