# Quanto mais tempo a carga viral permanece indetectável, menor o risco que suba

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- Published: 2010-10-07T10:02:29-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Investigadores canadianos reportam, na edição _online_ do _Journal of Acquired 
Immune Deficiency Syndromes_, que, quanto mais tempo um doente em tratamento para
o VIH mantém uma carga viral indetectável, menor é o risco que tenha uma subida 
virológica.

### Table Of Content

 * [Referência](https://soropositivo.org/quanto-mais-tempo-a-carga-viral-permanece-indetectavel-menor-o-risco-que-suba/#referencia)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/quanto-mais-tempo-a-carga-viral-permanece-indetectavel-menor-o-risco-que-suba/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/quanto-mais-tempo-a-carga-viral-permanece-indetectavel-menor-o-risco-que-suba/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/quanto-mais-tempo-a-carga-viral-permanece-indetectavel-menor-o-risco-que-suba/#relacionado)

“Constatámos, que, após a carga viral indetectável ser alcançada, continuavam a 
ser necessários níveis elevados de adesão durante pelo menos um ano. Ao longo do
tempo, no entanto, o risco de subida da carga viral diminuiu, mantendo-se a supressão
viral independentemente do nível de adesão”, comentam os investigadores.

Apesar disso, os investigadores realçam que os doentes devem ter como objectivo 
a toma correcta de todas as doses.

O tratamento anti-retroviral de combinação pode prolongar a esperança de vida dos
doentes seropositivos para níveis quase normais.

Para conseguir o benefício máximo do tratamento, é necessário que os doentes tomem
as doses correctamente. Os melhores resultados são observados em pessoas que tomam
pelo menos 95% das suas doses. Uma adesão abaixo deste nível tem sido associada 
a um aumento da carga viral e ao desenvolvimento de vírus resistentes aos medicamentos.

No entanto, os investigadores canadianos puseram a hipótese que, ao alcançar-se 
a supressão inicial do VIH após o começo da terapêutica, seriam necessários níveis
mais baixos de adesão para manter uma carga viral indetectável. Isto deve-se ao 
facto, de que a quantidade do vírus capaz de se reproduzir diminui com a duração
mais longa da supressão.

Para verificar esta teoria, os investigadores realizaram um estudo retrospectivo
que envolveu 1 305 doentes, que iniciaram a terapêutica pela primeira vez entre 
2000 e 2006. Todos os doentes alcançaram uma carga viral abaixo de 50 cópias/ml.
Os investigadores analisaram os factores associados a um aumento subsequente sustentado
da carga viral para mais de 400 cópias/ml.

Globalmente, 274 (21%) doentes tiveram um aumento da carga viral para níveis detectáveis.
O tempo médio entre a supressão abaixo de 50 cópias/ml e uma subida sustentada para
carga viral detectável foi de dois anos.

Os factores associados a um aumento na carga viral foram o sexo feminino, consumo
prévio de drogas injectáveis, início do tratamento entre 2000 e 2001, idade mais
jovem, resistência aos medicamentos anti-retrovirais no início do estudo e a toma
de inibidores da protease não potenciados (todos p<0,01).

Além disso, foi importante a duração da supressão viral anterior.

Cada mês de supressão continuada do VIH baixou o risco de subida da carga viral 
para detectável em 8%.

Para todos os níveis de adesão, quanto mais longa a supressão do VIH, menor o risco
de subida para detectável.

Para os doentes com um nível elevado de adesão (95% ou superior), a probabilidade
de subida para detectável foi de 0,10 quando a carga viral foi suprimida durante
menos de doze meses. No entanto, a probabilidade foi de apenas 0,04 após a carga
viral ter sido suprimida durante 72 meses.

Entre os doentes com uma adesão moderada (80% até 94%), a probabilidade de subida
para indetectável foi de 0,85 com uma supressão até doze meses e 0,08 até 72 meses.

Para os que apresentam fraca adesão, a probabilidade de subida foi de 0,68 após 
a supressão durante doze meses e 0,05 após 72 meses.

No entanto, mesmo tendo em conta a duração da supressão, os doentes que tomaram 
pelo menos 95% das doses tiveram 11% menos probabilidade de voltar a ter carga detectável
do que os que tinham uma adesão mais fraca.

“Os nossos resultados reforçam a mensagem de que a probabilidade de supressão da
carga viral a longo prazo é maior nas pessoas com adesão sustentada e quase perfeita,
especialmente importante nas fases mais precoces do tratamento”, escrevem os autores.

No entanto, concluem que “devido ao facto de a ‘resiliência’ da TARc (Terapêutica
Anti-retroviral de combinação) aumentar com o tempo, é possível que as pessoas continuem
com a carga viral plenamente suprimida, mesmo após terem falhado a toma de algumas
doses de medicação”.

### Referência

 Lima VD et al. _Risk of viral failure decline with duration of suppression on highly
active antiretroviral therapy irrespective of adherence level_. J Acquir Immune 
Defic Syndr, publicado _online_, 16 de Setembro de 2010. (For abstract and link 
to article full text click [here](http://journals.lww.com/jaids/Abstract/publishahead/Risk_of_Viral_Failure_Declines_With_Duration_of.98912.aspx)).

Michael Carter

### Tradução

 [_**GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA**_](http://www.gatportugal.org/)

_**Fonte [AIDSMAP](http://www.soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/2009/05/comportamento-sexual-e-uso-do-preservativo/)**

## Leia também

 * [Transmissão sexual do HIV e uso da carga viral indetectável](https://soropositivo.org/transmissao-sexual-do-hiv/)
 * [ Como sei se minha Carga Viral está Indetectável?](https://soropositivo.org/como-sei-se-minha-carga-viral-esta-indetectavel/)
 * [Carga Viral Indetectável É Cura? NÃO](https://soropositivo.org/carga-viral-cura/)

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