# Segundo o Globo Online, pacientes com HIV enfrentam falta de remédios e médicos em postos do RJ, além da demora para realização de exames

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- Published: 2010-01-28T11:41:51-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

 

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 * [AGENCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS ](https://soropositivo.org/segundo-o-globo-online-pacientes-com-hiv-enfrentam-falta-de-remedios-e-medicos-em-postos-do-rj-alem-da-demora-para-realizacao-de-exames/#agencia-de-noticias-da-aids%c2%a0)
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No Rio de Janeiro, a corrida dos pacientes soropositivo da rede pública é para superar
a falta de medicamentos e de profissionais para atendê-los. Os antiretrovirais, 
que inibem a reprodução do vírus no sangue, são encontrados sem transtornos. A dificuldade
é para conseguir remédios que combatem efeitos colaterais do coquetel e os que tratam
infecções oportunistas. Outro entrave que esses pacientes precisam enfrentar é a
longa demora para a realização de exames de CD4 (que verificam como está o sistema
imunológico) e de carga viral. Leia a seguir a reportagem assinada por Fernanda 
Baldioti.

 

Pacientes com **HIV** enfrentam falta de remédios e médicos em postos do Rio, além
da demora para realização de exames

 

RIO – O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, já dizia que quem tem **Aids** tem
pressa. No Rio, a corrida dos pacientes soropositivos da rede pública é para superar
a falta de medicamentos e de profissionais para atendê-los. Os antiretrovirais, 
que inibem a reprodução do vírus no sangue, são encontrados sem transtornos. A dificuldade
é para conseguir remédios que combatem efeitos colaterais do coquetel e os que tratam
infecções oportunistas. Outro entrave que esses pacientes precisam enfrentar é a
longa demora para a realização de exames de CD4 (que verificam como está o sistema
imunológico) e de carga viral.

 

No Posto de Assistência Médica (PAM) Antonio Ribeiro Netto, mais conhecido como 
PAM Treze de Maio, o Programa **DST**/**Aids** conta atualmente com três infectologistas
para atender a mais de 1.500 pacientes que recebem medicação.

 

-Temos que optar entre o paciente que está mal e o que está bem e quer fazer um 
acompanhamento de rotina. Não podemos recusar novos doentes, mas como atender nessas
condições? – indaga um médico do PAM que prefere não se identificar.

 

Segundo o presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores, Carlos Eduardo(
PSB), que realizou uma vistoria na unidade na última quinta-feira, faltam 27 tipos
de medicamentos, sendo sete deles comumente usados por pacientes soropositivos. 
Desde dezembro, o PAM não recebe Amoxicilina com Clavulanato, Azitromicina e Eritromicina(
antibióticos que podem ser receitados para infecções oportunistas), Fluconazol (
usado para infecções como cândida, sintoma de baixa de imunidade), Metronidazol (
creme vaginal), Paracetamol (usado para febre e dor) e Sinvastatina (combate o aumento
da gordura do sangue, um dos efeitos colaterais do coquetel).

 

– A situação deste posto reflete como está a rede. Esses medicamentos não faltam
só no PAM Treze de Maio. Além disso, somente nesta unidade, os médicos são responsáveis
por uma média de 500 pacientes, enquanto o ideal é que eles atendessem no máximo
360. O programa brasileiro de **Aids** é referência no mundo inteiro. O Rio vai 
na contramão disso – afirma o vereador.

 

Há dois meses, o presidente da ONG Pela Vidda, Márcio Villard, se reuniu com o secretário
municipal de Saúde e Defesa Civil, Hans Dohmann, e encaminhou um relatório sobre
a falta de médicos principalmente em unidades das Zonas Norte e Oeste da cidade.
Na ocasião, Márcio também relatou a falta de remédios que auxiliam o tratamento.

 

” Temos que optar entre o paciente que está mal e o que está bem e quer fazer um
acompanhamento de rotina “

 

– Esse tipo de medicamento quase nunca é encontrado. Eles não são específicos para
pessoas com **Aids**. O Aciclovir, por exemplo, é para herpes e manifestações cutâneas,
mas é muito usado por soropositivos. No entanto, é raro encontrá-lo no postos – 
explica Márcio, que recebeu do secretário a promessa da criação de um centro de 
referência para tratamento de **aids**.

 

Uma aposentada de 74 anos, que prefere não se identificar, é uma das pacientes soropositivas
que precisam do Aciclovir. Paciente do Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto,
em Copacabana, ela toma quatro comprimidos por dia, mas ficou um mês e meio tentando
pegar o medicamento. Somente nesta segunda-feira, ela conseguiu a medicação. A quantia
recebida, no entanto, só é suficiente até 15 de fevereiro:

 

– No início de fevereiro vou ter que voltar lá para tentar de novo. Não fossem as
doações que eu consigo, não sei como faria. O problema todo é que a falta do medicamento
é constante, e não podemos pegar mais quantidade e estocar, mesmo sabendo que no
próximo mês pode não ter.

 

Exames demoram até 45 dias para ficarem prontos

 

A incerteza também paira sobre o advogado José Luiz Santos da Silva, de 44 anos,
toda vez que ele vai fazer exames necessários para o acompanhamento da doença. Paciente
do PAM da Cinelândia, ele precisa ir ao Hospital Escola São Francisco de Assis, 
da UFRJ, para realizar os testes, que, segundo ele, demoram, em média, de 30 a 45
dias para ficarem prontos.

 

Em agosto do ano passado, ao chegar à instituição para pegar o resultado dos testes
que havia feito em junho, ele recebeu a informação de que um problema técnico impediu
a realização do exame.

 

Segundo ele, a instituição afirmou que não entrou em contato, pois ele só tinha 
e-mail e celular.

– Eu normalmente entro em pânico quando vou fazer esses exames. Isso é muito importante
para nós porque sabermos como está a evolução da doença.

 

Para fazer o exame, você tem que se acalmar porque isso influi no resultado. Aí,
depois de 45 dias, você tem que passar por tudo isso de novo. Você sabe que aquele
sofrimento não valeu de nada – conta José Luiz.

 

Os problemas, no entanto, não são restritos à rede municipal. Há dois meses a coordenadora
de três projetos do Grupo Pela Vidda, Mara Moreira, de 33 anos, não consegue na 
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) o medicamento Bezafibrato, que combate os efeitos
colaterais da doença. Como é acompanhada pelo Instituto de Pesquisa Clínica Evandro
Chagas (Ipec/Fiocruz), Mara não pode obter o remédio em outra unidade de saúde:

 

– Preciso de duas caixas por mês, o que é equivalente a cerca de R$ 120. Infelizmente,
não tenho condições de pagar e acabo refém da disponibilidade da Fiocruz.

 

Secretaria diz que novos médicos irão atuar já nas próximas semanas

 

A Fiocruz reconheceu que desde novembro não há entrega do Bezafibrato aos pacientes
do Ipec. A previsão é de que nas próximas semanas a compra desse medicamento seja
concluída e o fornecimento aos pacientes regularizado. A instituição ressaltou, 
no entanto, que oferece aos seus pacientes o tratamento preconizado pelo Ministério
da Saúde para a terapia contra a **Aids**, não tendo qualquer problema com a disponibilização
desses medicamentos aos seus pacientes. Já a UFRJ não quis comentar a demora para
a realização de exames no Hospital Escola São Francisco de Assis.

 

A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMDC) afirmou que vem reforçando
a contratação de médicos especializados, entre eles infectologistas. Segundo o órgão,
eles estarão atuando nas unidades já nas próximas semanas. A secretaria ressaltou,
no entanto, que o número de infectologistas da Policlínica Antonio Ribeiro Netto,
no Centro, é suficiente para atender a demanda da unidade, pois os cerca de 1.500
pacientes cadastrados não necessariamente fazem uso dos seus serviços.

 

Sobre a falta de medicamentos, as direções da policlínica e do Centro Municipal 
de Saúde João Barros Barreto, em Copacabana, afirmaram que o que pode ocorrer são
desabastecimentos pontuais, em função da demanda de pacientes. No entanto, os insumos
são repostos o mais rápido possível.

 

A SMDC informou ainda que trabalha na reestruturação de toda a rede e de seus serviços,
incluindo a atenção prestada aos pacientes com **HIV**/**Aids**. O órgão disse que
está preparando unidades para atender especificamente este público com a melhoria
estrutural do Hospital Raphael de Paula e Souza, em Curicica, e o Hospital da Piedade,
que receberam mais de R$ 1 milhão em reformas. A organização dos fluxos de atendimento
entre as três esferas de governo, visando à implementação efetiva no SUS, para garantia
do cuidado integral aos pacientes com **HIV**/**Aids** também está em discussão,
segundo a secretaria.

 

Fonte: O Globo Online

 

                                                                         

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 * [Grupo Somos denuncia falta de remédios e exames para pessoas com aids no Rio Grande do Sul](https://soropositivo.org/grupo-somos-denuncia-falta-de-remedios-e-exames-para-pessoas-com-aids-no-rio-grande-do-sul/)
 * [Programa DST e Aids retoma exames no próximo dia 2](https://soropositivo.org/programa-dst-e-aids-retoma-exames-no-proximo-dia-2/)

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