# Serosorting e posicionamento estratégico usados pelos homossexuais norte-americanos VIH-positivos para reduzir o risco de transmissão do vírus, refere meta-análise

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- Published: 2010-01-30T06:32:26-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Nos EUA, mais de 40% dos gays e outros homens infectados pelo VIH que têm sexo com
homens (HSH), praticam sexo anal desprotegido, de acordo com os resultados de uma
meta-análise, publicada na edição de 24 de Agosto da revista AIDS.

**Michael Carter**

**30 de Dezembro de 2009**

 

Nos EUA, mais de 40% dos gays e outros homens infectados pelo VIH que têm sexo com
homens (HSH), praticam sexo anal desprotegido, de acordo com os resultados de uma
meta-análise, publicada na edição de 24 de Agosto da revista AIDS. Neste estudo,
houve, contudo, também evidência de que estes homens tentavam limitar o risco de
transmissão do VIH aos parceiros sexuais, empregando estratégias como o serosorting(
escolha do parceiro em função do estado serológico, escolhendo, portanto, parceiros
também seropositivos) ou o “posicionamento estratégico” (adoptando o papel receptivo
durante a relação sexual desprotegida). Não houve evidência de que factores clínicos,
como a adesão ao tratamento ou uma carga viral indetectável, tivessem influência
na prática de actividades sexuais desprotegidas. 

 

Nos EUA, os homens homossexuais e outros homens que têm sexo com homens (HSH) são
afectados de forma desproporcionada pelo VIH e outras ITSs (infecções de transmissão
sexual). Depois de lhes ser diagnosticada a infecção, muitos homens reduzem os seus
comportamentos de risco. Outros, porém, continuam a ter sexo desprotegido, situação
que implica o risco de transmissão do vírus a outras pessoas, assim como a exposição
a outras ITSs. 

 

Têm sido vários os estudos a examinar a prevalência do sexo anal desprotegido entre
os gays e outros HSH nos EUA, com diagnóstico de VIH. De forma a obter uma síntese
dos achados de toda esta investigação, um grupo de investigadores procedeu à meta-
análise dos resultados de 30 estudos conduzidos entre 2000 e 2007 que avaliaram 
os comportamentos sexuais desprotegidos nesta população. 

 

De forma a evitar uma sobre-estimativa do valor da prevalência do sexo anal desprotegido,
os investigadores excluíram os estudos que recrutaram exclusivamente homens com 
comportamentos que pudessem inflacionar a proporção dessa prática (por exemplo, 
os estudos com utilizadores de metanfetamina ou com trabalhadores do sexo), bem 
como estudos em que os participantes fossem recrutados de locais como websites de“
barebacking” (bareback=prática de sexo desprotegido), festas de sexo e saunas. 

 

Assim, os estudos incluídos nesta análise envolveram um total de 18 121 homens, 
recrutados quer de centros hospitalares e de saúde, quer de organizações, locais
e eventos gay. Todos estes estudos eram “cross-sectional” (ou seja, traçavam um 
resumo ou perfil breve da situação, num dado momento – como uma fotografia tirada
num dado momento). 

 

A idade média dos participantes foi de 38 anos, o tempo médio de diagnóstico da 
infecção pelo VIH era de 70 meses, e a proporção de indivíduos a fazer medicação
anti-retroviral (ARV) variava entre os 23% e os 89% (média, 77%). 

 

Por seu lado, a percentagem de indivíduos que referiram tomar, pelo menos, 90% das
doses do seu tratamento variou entre os 26 e os 76% (média, 67%), enquanto a proporção
dos que apresentavam uma carga viral indetectável oscilou entre os 39 e os 57% (
média, 42%). 

 

Em termos globais, os resultados combinados dos estudos mostraram que 43% dos homens
referiram a prática de sexo anal desprotegido, comportamento que foi referido ser
praticado com maior frequência com outros homens que se sabia serem seropositivos
para o VIH (por outras palavras, serosorting). Contudo, 26% dos homens referiram
a prática de sexo desprotegido com um homem seronegativo ou cujo estado serológico
não era conhecido. 

 

Houve evidência de uma tentativa de reduzir o risco de transmissão do VIH aos parceiros
seronegativos, adoptando-se um papel receptivo durante o sexo desprotegido (9% receptivo
vs. 5% insertivo). De igual modo, quando o estado serológico do parceiro não era
conhecido, os homens tendiam mais a ser receptivos do que insertivos (12% receptivos
vs 8% insertivos). 

 

No que se refere ao primeiro conjunto de dados da análise estatística dos investigadores,
verificou-se que a prevalência de sexo desprotegido era mais baixa nos estudos que:

 

recrutaram os participantes antes do ano 2000

 

incluíam homens não caucasianos

 

incluíam homens recrutados em centros médicos, em vez de locais ou eventos gay.

 

usaram uma técnica de amostragem aleatória em vez de uma amostragem por conveniência.

 

e nos estudos cujo questionário era feito por um entrevistador e não pelo próprio.

 

Após uma análise estatística multivariada, apenas o método de amostragem e o modo
como o questionário era respondido mantiveram o seu significado estatístico. Os 
investigadores sugerem ser necessária mais investigação de modo a perceber-se por
que razão o método de amostragem teve significado. 

 

Fazem notar também que “o facto de a prevalência do sexo anal desprotegido ser mais
elevada em estudos com questionários auto-administrados do que em estudos com questionários
feitos através de entrevistas sugere que os homens seropositivos para o VIH que 
têm sexo com homens talvez não tenham referido a prática de comportamentos socialmente
não desejáveis quando o questionário era administrado por um entrevistador”. 

 

“Descobrimos que uma percentagem razoável de HSH seropositivos praticavam sexo anal
desprotegido com outros homens”, escrevem os investigadores. 

Que acrescentam: “Trata-se de um problema importante em termos de saúde pública,
dada a elevada prevalência de VIH e ISTs entre os HSH dos EUA”. 

 

Contudo, os investigadores também descobriram evidência de que “alguns HSH seropositivos
têm comportamentos que podem diminuir a probabilidade de infectar outras pessoas”.
E concluem, referindo que acreditam que os seus resultados são “úteis para o desenho
de campanhas e medidas de prevenção dirigidas”, sugerindo que uma das prioridades
deste tipo de prevenção deveria ser a que se refere à “prática do serosorting e 
do posicionamento estratégico”. 

 

Referência 

Crepaz N et al. Prevalence of unprotected anal intercourse among HIV-diagnosed MSM
in the United States: a meta-analysis. AIDS 23: 1617-1629, 2009. 

 

Tradução

GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA

 

[VER AQUI](http://www.aidsmap.com/pt/news/DCAC172F-48EF-4741-B8DD-4DCC32D5E1C7.asp)

_In aidsmap
30.12.2009

## Leia também

 * [O risco de transmissão do VIH durante o sexo anal é 18 superior ao do sexo vaginal](https://soropositivo.org/o-risco-de-transmissao-do-vih-durante-o-sexo-anal-e-18-superior-ao-do-sexo-vaginal/)
 * [Começar o tratamento ARV mais cedo para reduzir o risco de endurecimento das artérias](https://soropositivo.org/comecar-o-tratamento-arv-mais-cedo-para-reduzir-o-risco-de-endurecimento-das-arterias/)
 * [O imiquimod é um bom tratamento para lesões anais pré-cancerígenas em homens infectados pelo VIH](https://soropositivo.org/o-imiquimod-e-um-bom-tratamento-para-lesoes-anais-pre-cancerigenas-em-homens-infectados-pelo-vih/)

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