# Sexo inseguro

- Link: https://soropositivo.org/sexo-inseguro/
- Published: 2009-06-19T22:53:48-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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 * [Revista Nova](https://soropositivo.org/sexo-inseguro/#revista-nova)
 * [Sexo inseguro](https://soropositivo.org/sexo-inseguro/#sexo-inseguro)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/sexo-inseguro/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/sexo-inseguro/#relacionado)

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**JANEIRO/08**

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A escalada das doenças sexualmente transmissíveis
 O calor faz arder o desejo e 
derrete a prudência. No verão, o número de pessoas infectadas por **DST**s aumenta,
e entre as mulheres, mesmo em relações estáveis, o problema é cada vez mais grave

Era para ser apenas uma visita de rotina ao ginecologista. Mas um susto aguardava
a empresária Flávia, 30 anos: havia con traído o HPV, o vírus papiloma humano, associado
ao câncer de colo do útero – quarta causa de morte por câncer em mulheres no Brasil.“
Tive uma relação tão rápida e avassaladora com um parceiro comercial que aceitei
transar sem **camisinha**”, conta ela. Após seguir à risca o tratamento para neutralizar
o vírus, jura que sexo inseguro nunca mais. O fato, porém, é que todo ano, especialmente
no verão, milhares de brasileiras contraem doenças sexualmente transmissíveis (**
DST**s). Uma história embalada a sol, calor, corpos à mostra, muitos homens sozinhos
enquanto as esposas estão em férias com as crianças, mais as loucuras do Carnaval.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde sobre o comportamento sexual da população urbana
de 16 a 65 anos concluiu, em 2005, que a adesão ao sexo seguro ainda é baixa no 
país, sobretudo entre as mulheres. Em relações eventuais, 69,8% dos homens usam 
regularmente **camisinha** contra 49,1% das mulheres. Na faixa etária mais jovem,
entre 16 e 19 anos, a diferença entre os sexos é ainda maior: 86% dos rapazes recorrem
ao preservativo e apenas 42,1% das garotas. “A mulher entra na relação confiando
no parceiro, por isso não se protege”, observa a médica Mariângela Simão, diretora
do Programa Nacional de **DST**/**Aids**. “Ela não sente que está correndo risco
e fica vulnerável ao perigo.”

Um dos maiores dramas se dá com as mulheres em relações estáveis. Apenas 17,8% delas
usam o preservativo (entre os homens o número é igualmente baixo, 18,6%) por acreditar
no pacto de fidelidade com o parceiro. A conseqüência, porém, é a feminização de
doenças como a **Aids**. Na faixa entre 13 e 19 anos, já ocorreu uma inversão na
incidência da contaminação por **HIV**: há 13 garotas portadoras do vírus para cada
dez rapazes.

As campanhas que incentivam o uso do preservativo alertam para esses riscos. A mulher,
porém, continua a não se proteger. “Ela está sujeita a uma cultura de submissão”,
analisa a orientadora sexual Lena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, em São Paulo.“
Há o medo de sofrer rejeição e arriscar o relacionamento; o receio do julgamento
moral, ou seja, de ser considerada promíscua por ter **camisinha** na bolsa; e a
falta de coragem para negar o sexo na hora H se o parceiro não concordar com o uso,
o que faz com que ela nem sequer proponha o preservativo.” A orientadora sexual 
afirma que há três tipos de motivação: a biológica, ligada à sobrevivência da espécie(
comer, dormir e fazer sexo); a do prazer, associada à tendência a repetir situações
prazerosas guardadas na memória; e a intelectual, relacionada aos conhecimentos 
adquiridos. “A prevenção entra nesse terceiro nível. Logo, os argumentos têm que
ser fortes para desbancar as outras duas motivações envolvidas no sexo”, explica.“
Isso nem sempre é fácil porque, pela nossa cultura, quem ama confia. Se exigir o
uso da **camisinha** indica que ela não confia no outro ou não é digna de confiança,
ela prefere correr o risco.”

E que risco. Além dos danos ao organismo feminino, as **DST**s em geral são uma 
ameaça ao feto se acometerem gestantes e aumentam o risco de infecção pelo vírus
da **Aids**. Detalhe: muitas não provocam corrimento, coceira, ardor nem qualquer
outro sintoma na mulher. Ou seja, ela pode estar contaminada e não perceber.

A maioria das **DST**s é curável e não deixa seqüelas quando o tratamento é bem 
feito. As complicações de correm da não-utilização do remédio adequado, na dose 
ideal e pelo tempo certo (o que permite que o microorganismo desenvolva resistência
ao remédio) ou do não-tratamento do parceiro, o que gera a reinfecção. Alguns fatores
aumentam a vulnerabilidade feminina às **DST**s: 
 INÍCIO PRECOCE DA ATIVIDADE SEXUAL“
Na adolescência, o colo uterino é imaturo, o que facilita o ataque e a persistência
da infecção”, esclarece a ginecologista Cecilia Roteli Martins, de São Paulo.  MAIOR
NÚMERO DE PARCEIROS Não por razões moralistas, mas por elevar o risco de contato
com algum vírus ou bactéria, explica Mariângela Simão.  PARCEIRO QUE MANTÉM RELAÇÕES
COM MÚLTIPLAS PARCEIRAS. Também porque aumenta as probabilidades de se deparar com
agentes agressores. BAIXA IMUNIDADE Quanto mais ativo estiver o sistema de defesa
interno, mais condições terá de neutralizar esses agentes. FUMO Além dos danos car
diovas culares, fumar prejudica o fluxo de sangue para os genitais e favorece alterações
nas células que predispõem ao câncer. BAIXO NÍVEL EDUCACIONAL O uso de preservativo
cai ainda mais nas populações pouco instruídas.

Inimigos íntimos
 **Aids**  Não tem cura; pode apenas ser controlada por um coquetel
de medicamentos. Do primeiro registro, em 1980, até junho de 2006, foram identificados
433 mil casos no país. A cada minuto, 55 mulheres da América Latina e do Caribe 
são contaminadas com o **HIV** e podem transmiti-lo aos filhos na gestação, parto
e amamentação. O vírus destrói o sistema imunológico, favorecendo a instalação de
doenças oportunistas potencialmente letais. Os sintomas podem levar anos para aparecer:
suores noturnos, emagrecimento exagerado, cansaço profundo, diarréia prolongada,
manchas vermelhas na pele e febre persistente.

Hepatite B
 Como a **Aids**, pode ser contraída por transfusão de sangue, agulhas
e objetos cortantes, como o alicate de unha, ou ser transmitida pela mãe, na gravidez
e parto. Só que é 20 vezes mais contagiosa e mata quatro vezes mais. O vírus HBV
provoca inflamação no fígado, que se torna crônica em 5 a 10% dos casos e pode evoluir
para cirrose ou câncer. Medicamentos (interferon) mantêm o vírus inativo, mas o 
melhor é prevenir o contágio por meio da vacina disponível no serviço público (até
os 19 anos) e nas clínicas particulares de imunização.

Herpes genital
 Também não tem cura e pode ser transmitido ao feto no parto. Doença
causada pelo vírus herpes simples, produz dolorosas vesículas (bolhas cheias de 
líquido), que se rompem formando feridas nos genitais. Dias depois, elas somem sem
deixar vestígio, mas o vírus fica alojado no corpo e volta a atacar sempre que há
queda na resistência orgânica.  Medicamentos de uso oral e local à base de aciclovir
e derivados inibem a replicação do vírus e abreviam a duração da crise. Cientistas
pesquisam vacinas para prevenir o contágio, mas os resultados ainda estão aquém 
do esperado.

Sífilis
 Causada pela bactéria Treponema pallidum, primeiro ocasiona feridas, que
desapar ecem espontaneamente; depoi s, mal-estar e febre. É uma doença perigosa 
porque daí pode evoluir em silêncio até acarretar danos mentais, paralisia e morte,
explica a médica Mariângela Simão. O feto, contaminado durante a gravidez, é mais
vulnerável a esses danos. Embora o teste de sífilis (assim como o do **HIV**) seja
obrigatório no pré-natal para impedir a transmissão de mãe para filho, apenas 69%
das gestantes foram testadas em 2004.

Gonorréia e clamídia
 Até 40% das pacientes desenvolvem doença inflamatória pélvica,
que pode obstruir as trompas e conduzir à esterilidade. Nas demais, aumenta até 
dez vezes o risco de gravidez tubária, causa de morte materna. A gonorréia resulta
do ataque da bactéria Neisseria gonorrhoeae, que produz dor ou queimação ao urinar
e secreção, sintomas que podem passar despercebidos. A Chlamydia trachomati costuma
atacar em silêncio. Às vezes, acarreta corrimento de cor amarela e cheiro forte,
coceira e ardor nos genitais. As duas bactérias são combatidas com antibióticos 
de uso oral.

Tricomoníase e gardenerose
 O parasita unicelular causador da tricomoníase, Trichomonas
vaginalis, se caracteriza por produzir secreção amarelo-esverdeada, malcheirosa 
e espumosa, dor ao urinar e na relação sexual. Há tratamento com medicamento de 
uso oral. A gardenerose é causada pela bactéria Gardenerella vaginalis e ocasiona
queda na resistência local, aumentando o risco de outras infecções. Os sintomas,
como corrimento acinzentado, pouco abundante e de odor não muito forte, nem sempre
estão presentes.

## Leia também

 * [HPV – o que fazer?](https://soropositivo.org/hpv-o-que-fazer/)
 * [Sexo, sexualidade, Sexo Seguro e Sexo Mais seguro!](https://soropositivo.org/sexo-sexo-seguro-e-sexo-mais-seguro/)
 * [OMS alerta que drogas e sexo inseguro disseminam Aids na Ásia](https://soropositivo.org/oms-alerta-que-drogas-e-sexo-inseguro-disseminam-aids-na-asia/)

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