# Sobre o dia Primeiro de Dezembro

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- Published: 2014-12-17T11:47:46-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Sobre o dia Primeiro de Dezembro, como bem me ensinou o Paulo Giacomini não é um
dia de comemoração; na verdade, é um dia de luta.

Mas eu ouso discordar que o dia 1º de dezembro seja um dia de luta contra a AIDS
e o preconceito. Eu chego a pensar que, partindo deste conceito, todos os dias deveriam
ser 1º de Dezembro.

As pessoas, de um modo geral, dizem que não discriminam os portadores de HIV e, 
contudo, discriminam sim.

Para que eu chegue a afirmar tal coisa, basta eu me fazer réu confesso e dizer que,
vinte anos atrás, quando a morte por conta das complicações que a AIDS trazia era
uma coisa irreversível, eu retirei meu fundo de garantia num processo doloroso, 
porque os funcionários sabiam que o código do saque de garantia era, digamos, xx-.

O olhar da funcionária da CEF mostrava o desprezo que ela tinha por mim, um ser 
humano, doente, praticamente nas vascas da morte,

Retirei o dinheiro, algo em torno de R$ 500,00 e comprei um computador; ainda me
lembro o modelo:

Era um 486 SX66

Tinha quatro megabytes de RAM, um teclado e não tinha mouse. O dinheiro não deu 
para comprar o mouse e eu usava um monitor CGA de fósforo branco e minha visão era
em preto e branco.

Fou com ele que eu, num assomo de coragem, comecei a estudar “a coisa” e compreender
como ela era montada. Fiz isso com a máquina dezenas de vezes até me considerar 
um “técnico em Hardware”,

E foi assim, com esta concepção, que eu comecei a trabalhar na Bytão, uma empresa
que trabalhava com descontinuados (sucata) e minha vida era subir na pinha de placas,
separar umas vinte e pô-las para testar. Eu tinha uma meta mínima de conseguir recuperar(
sic) pelo menos 5 máquinas por dia; eu até dava conta porque, um dia pelo outro,
no fim do mês eu tinha recuperado e posto para funcionar umas 25 ou até mesmo 30
máquinas.

Como sempre foi, e ainda é, na Santa Efigênia você faz a experiência de três meses
sem registro e, depois deste “controle” eles te registravam no regime de contrato
de experiência…

Quando dei minha carteira de trabalho ela foi encaminhada para o contador no da 
x e no mesmo dia, ela foi devolvida sem registro e eu fui convidado a me retirar
da empresa que, finalmente, deixou de existir.

Fui para casa, que  esta altura, depois de eu ter ido morar nas ruas outras vez,
porque era preferível isso às casas de apoio (pelo menos para mim, que me recuso
a ter casa e comida para esperar a morte chegar), e morava em Guarulhos, num lugar
chamado Jardim Maria Dirce, quase que nas imediações de Arujá.

A minha vida, naquela época, enquanto eu estava trabalhando, era pegar o ônibus 
na Dutra e ir a pé da estação armênia, no ponto final do ônibus, mas não o meu, 
que tinha de ir a pé ai da armênia até a Santa Efigênia. À tarde, na volta, eu fazia
a caminhada a pé até a armênia e pegava o primeiro ônibus ou lotação, clandestina
ou não, para, depois de 90 minutos, chegar ao meu ponto e andar mais um quilômetro
até chegar à minha casa; na época. Eu morava com uma pessoa. Minha _esposa_, uma
pessoa não muito equilibrada que me perguntava todos os dias se eu teria estado 
com puta…

Quando perdi este emprego, no dia seguinte eu voltei para procurar emprego, porque
fui mandado embora por justa causa (e eu não sabia, na época, me defender) e acabei
entrando na Americam Comp, onde trabalhei três meses e, na hora do registro: CABUM.

Depois disso eu desisti e fui, com minha ex esposa para a terra dela em Piracicaba
e os fatos se repetiram.

Mas, nesta vez, eu fui contatado por uma funcionária da Caixa que me contou com 
todas as letras que os empregadores tinham acesso as informações que deveriam ser
sigilosas, e levantavam toda a “folha corrida do funcionário em questão”. Neste 
caso, eu, Cláudio Souza.

Fiquei em Piracicaba um tempo, pois não queria que minha esposa da época (eu tive
três ou quatro casamentos e nem o Diabo acreditaria se eu dissesse com quantas mulheres
eu me envolvi na vida (…)…

Pior de tudo é que dá maioria delas eu não me lembro e, entretanto, me lembro muito
bem daquelas que, colando o cazuza, pelas quais eu largaria carreira, dinheiro e
canudo! Até das coisas mais banais, pois para mim, com estas teria sido tudo ou 
nunca mais! Curiosamente, foram estas que me disseram que foi “coisa de momento”.

Há bem pouco tempo, eu passei num processo seletivo na Contax, para trabalhar com
telemarketing (tudo para aliviar das costas de minha esposa (a primeira que eu tive
e nunca traí E a primeira coma qual eu vivi mais de três anos – estamos juntos há
14 anos!); pois bem, passei por todos os testes e iria trabalhar na menina dos olhos
deles, seria na TAM reservas.

Passei nos exames pré admissionais, que foram muito simples, uma avaliação física
básica e uma audiometria. Passei em todos e recebi um papel com alguns dados, deveres
e direitos que eu tinha e fui para casa, virtualmente feliz. Passados 15 dias eu
fui até lá para saber o que acontecia e, dois minutos depois da moça encontrar minha
ficha, apareceu uma outra querendo fofocar e a moça que estava me atendendo foi 
ríspida com a colega.

![sem comentários.](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2014/12/contax.jpg)

sem comentários.

Ai chegou o supervisor, pegou meus papéis, levou-me ao RH d empesa, solicitou minha
pasta e disse que a vaga que eu teria de ocupar foi fechada e que eles entrariam
em contato assim que precisassem de mim. Sai de lá pronto para subir até a estação
do metro e, quando eu fui fazer o ato, jogar-me debaixo do trem uma moça parou na
minha frente de braços abertos e disse:

Se você for, terá de me levar junto!

Obviamente eu não faria isso e ela acompanhou-me no metro até o ponto de taxi para
se assegurar que nada aconteceria. Não sei seu nome, não sei nada, mas sei que ela
salvou minha vida.

O que tem em comum esta história com o 1º de Dezembro?

Tudo.

Anos atrás um deputado federal propôs colocar a nós, soropositivos, dentro da lei
que obriga as empresas com mais de cem funcionários terem X% de funcionários deficientes
em determinados processos de admissão.

Todavia, o movimento organizado das ONGs que militam pelos direitos dos soropositivos,
equivocadamente, refutaram a proposta, pois isso aumentaria o estigma.

Com base no que vocês vêem aqui não seria melhor que a lei X nos amparasse e nos
colocassem na mesma lei que protege os deficientes fisicos e sensoriais seria uma
boa idéia?

Eu acho que sim!

E você, o que acha?

[Responda nossa pesquisa](https://polldaddy.com/p/8530669)

O Link para assinar a petição está aqui: [Petição](https://secure.avaaz.org/po/petition/Programa_Nacional_DST_AIDS_e_Hepatites_Virais_Concedam_uma_verba_anual_para_a_manutencao_do_site_soropositivoorg/?syNodhb)

Estou em vias de Fundar uma ONG que visa recolocar pessoas soropositivos (as)e pessoas
com AIDS no mercado de trabalho. Se você mora na capital, são paulo, e estiver disposto(
a) a participar disso preencha o formulário abaixo e eu entrarei em contato:

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 * [1º de Dezembro Dia Mundial de Luta Contra a AIDS](https://soropositivo.org/1o-de-dezembro-dia-mundial-de-luta-contra-a-aids/)
 * [Primeiro editorial de soropositivo.org em primeiro de dezembro de 2000. O Início de tudo…](https://soropositivo.org/primeiro-editorial-de-soropositivo-org-em-primeiro-de-dezembro-de-2000/)
 * [Dia Mundial de Luta Contra a AIDS](https://soropositivo.org/dia-mundial-de-luta-contra-a-aids-2/)

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