# Sociedade e governo debatem o tratamento de pacientes com HIV em São Paulo

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- Published: 2014-04-26T14:23:24-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

## Sociedade civil e governo debatem o atendimento de pacientes com HIV na atenção básica de São Paulo

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 * [Sociedade civil e governo debatem o atendimento de pacientes com HIV na atenção básica de São Paulo](https://soropositivo.org/sociedade-e-governo-debatem-o-tratamento-de-pacientes-com-hiv-em-sao-paulo/#sociedade-civil-e-governo-debatem-o-atendimento-de-pacientes-com-hiv-na-atencao-basica-de-sao-paulo)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/sociedade-e-governo-debatem-o-tratamento-de-pacientes-com-hiv-em-sao-paulo/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/sociedade-e-governo-debatem-o-tratamento-de-pacientes-com-hiv-em-sao-paulo/#relacionado)

> “Granjeiro, rebateu, assim, a proposta do Ministério da Saúde de atender nas Unidades
> Básicas de Saúde (UBS) pacientes com HIV assintomáticos – o argumento é de que,
> ao passarem esses casos para a atenção básica, os Serviços de Atenção Especializada(
> SAEs) poderiam dar prioridade aos casos mais complexos.

No debate, realizado na Câmara Municipal de São Paulo, os ativistas, assim como 
Granjeiro, assumiram claramente temer o fim dos serviços especializados e demonstraram
preocupação com o futuro do atendimento às pessoas com HIV/aids em São Paulo. Os
gestores optaram pelo meio-termo. Disseram reconhecer a importância da manutenção
dos serviços especializados e defenderam a integração das ações de luta contra aids,
principalmente a prevenção, na rede básica.

Seguindo o argumento do governo, de mandar para a rede básica, mais perto das casas
dos pacientes, quem está na fase inicial do diagnóstico, Granjeiro disse que, mesmo
sendo assintomáticas, essas pessoas apresentam alta vulnerabilidade e exigem cuidados
especiais. “É no início do tratamento que temos de escolher o esquema de medicação
certo, trabalhar a adesão, os efeitos adversos, observar se há resistência primária
do vírus. Há doenças que são recorrentes da própria infecção.”

Alexandre ressaltou que, ao longo dos anos, o tratamento melhorou muito, com medicamentos
menos tóxicos e receitados em menores doses. “Mas, efetivamente, não é um tratamento
de⌊urgences⌉ manejo fácil. A pergunta é: vale a pena transferir? Eu diria que não.
Muitos estudos indicam que quanto maior a experiência do médico, melhor ele trata
os pacientes. Essa mudança não trará benefícios para a sociedade e para as pessoas
vivendo com HIV/aids. A passagem da aids para a atenção básica desorganizará a atenção
básica, a equipe vai se especializar no atendimento a **pacientes com HIV**, o que
contraria as diretrizes da política nacional da atenção básica. Temos de discutir
a qualidade da atenção dos pacientes que estão hoje na rede especializada e ampliar
esses serviços”, concluiu.

> Para o também pesquisador do Comitê Nacional de Vacinas e integrante do Grupo 
> de Incentivo à Vida (GIV), Jorge Beloqui, a atenção básica está saturada. “Eles(
> os profissionais de saúde) não dão conta de atender os pacientes com outras patologias,
> imagina com HIV”, disse.
>  Beloqui também chamou atenção para o acesso ao tratamento
> das pessoas com HIV perto de suas casas. “Alguém perguntou para elas se querem
> ser atendidas no bairro onde moram? O diagnóstico deve ser feito com base nos 
> princípios dos direitos humanos e respeitar o sigilo”.

O integrante do GIV sugeriu aos gestores algumas metas na luta contra aids: “Que
as pessoas testadas para o HIV com diagnóstico positivo saiam dos postos onde foram
atendidas com consulta agendada em até 15 dias. Também que os direitos humanos sejam
respeitados na saúde. Recentemente, por interferência religiosa, foram violados 
direitos à saúde com vetos de campanhas para público especifico.”

O debate na Câmara foi idealizado pelo Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids(
Mopaids) e integra as discussões temáticas da Comissão Permanente de Saúde, Promoção
Social, Trabalho e Mulher. Representando o Mopaids, o ativista José Araújo Lima 
também criticou o atendimento. “Nossos serviços em São Paulo estão abarrotados, 
há pessoas com HIV que esperam cinco meses para ter a primeira consulta com especialista.
E as UBS estão sufocadas.”

A coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna
defendeu que o atendimento às pessoas vivendo com HIV não deve fazer parte da atenção
básica mas que essa deve incluir ações como diminuição da transmissão vertical, 
diagnóstico precoce do HIV, testagem, aconselhamento, interpretação dos dados epidemiológicos
e distribuição de insumos de prevenção. “O trabalho da rede básica é importante 
principalmente para controlar os casos de transmissão vertical do HIV (mãe para 
filho) e da sífilis congênita”, disse Maria Clara.

Representando o secretário municipal da Saúde, José de Filippi Junior, a médica 
e coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Eliana Battaggia 
Gutierrez, anunciou que a cidade está reestruturando sua rede especializada e em
processo de contratação de médicos. A gestora acredita que o melhor caminho no tratamento
é a assistência com qualidade.

“Minha proposta para o Ministério da Saúde é a criação de uma rede de saúde para
as pessoas com HIV, semelhante às que já existem, como a Rede Cegonha e a Hora Certa”,
disse Eliana.

A coordenadora do Programa Municipal reforçou a importância da prevenção. “Em São
Paulo, temos uma epidemia concentrada. Pesquisas mostram que apenas 35% das pessoas
que moram no município fizeram o teste de HIV uma vez na vida. Esse número é baixo,
temos de mudá-lo.”

Representando o Departamento de DST, Aids, Juliana Ulsono anunciou que o governo
federal está preparando materiais para auxiliar os estados e municípios que decidirem
transferir o tratamento para a atenção básica.

“O tratamento na rede básica já é realidade em alguns lugares do Brasil, como no
Rio de Janeiro. No entanto, nenhum município é obrigado a aderir, essa é só uma 
orientação do Ministério da Saúde. Para os que aderirem, temos cartilhas e vídeos
sobre como conduzir esse tratamento para a rede básica”, declarou. “A meta do governo
esse ano é ampliar o tratamento contra aids para 100 mil novos pacientes.”

Por falta de tempo, a plateia não pode se manifestar. Por isso, o presidente da 
audiência, o vereador Gilberto Natalini, do Partido Verde, decidiu ampliar o debate
para uma segunda audiência pública, em 14 de maio.

** ⌊mi_2860638650060580⌉**

 Nota do Editor de Soropositivo.org: Levar o tratamento de pacientes com HIV para
o serviço básico de saúde é insinuar que AIDS e catapora sejam similares…. E não
são.

Eu uso como exemplo a desarazoada eliminação da Casa da AIDS pelo Excelentíssimo
Governador Eleito, Geraldo Alckimin e o desterro dos pacientes para o Emílio Ribas
foi desastroso e traumático a tal nível que já se fala na reabertura da Casa da 
AIDS.

Esta gente não sabe diferenciar Infecção por HIV de AIDS e quer legislar sobre ela.

Outra nota do Editor: Já tem algum tempo que esta notícia foi publicada e o que 
era “uma hipótese” já é uma realidade: a Casa da AIDS foi reaberta, numa infraestrutura
muito inferior e só o amor dos desvelados profissionais da Casa para nos dar algum
alento. Graças a Deus eu sou paciente da Casa da AIDS e não de uma UBS…

## Leia também

 * [Pacientes reclamam da falta de vacinas em Unidades Básicas de Saúde de SP](https://soropositivo.org/pacientes-reclamam-da-falta-de-vacinas-em-unidades-basicas-de-saude-de-sp/)
 * [ONGs e governo debatem prevenção e controle da AIDS na periferia do Rio](https://soropositivo.org/ongs-e-governo-debatem-prevencao-e-controle-da-aids-na-periferia-do-rio/)
 * [Saúde: atenção básica é gargalo do sistema](https://soropositivo.org/saude-atencao-basica-e-gargalo-do-sistema/)

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