# #soropositivoorg : As pessoas co-infectadas com VIH e VHC têm mais possibilidade de desenvolver osteoporose

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- Published: 2010-08-18T13:03:39-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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### Tópicos Tratados Nesta Página

 * [As pessoas seropositivas para a infecção VIH, co-infectadas com Hepatite C poderão ter mais possibilidade de desenvolver osteoporose (ossos porosos) e fracturas do que as pessoas que só têm um dos vírus, de acordo com um estudo norte-americano apresentado na XVIII Conferência Internacional sobre SIDA, em Viena.](https://soropositivo.org/soropositivoorg-as-pessoas-co-infectadas-com-vih-e-vhc-tem-mais-possibilidade-de-desenvolver-osteoporose/#as-pessoas-seropositivas-para-a-infeccao-vih-coinfectadas-com-hepatite-c-poderao-ter-mais-possibilidade-de-desenvolver-osteoporose-ossos-porosos-e-fracturas-do-que-as-pessoas-que-so-tem-um-dos-virus)
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Liz Highleyman

### **As pessoas seropositivas para a infecção VIH, co-infectadas com Hepatite C poderão ter mais possibilidade de desenvolver osteoporose (ossos porosos) e fracturas do que as pessoas que só têm um dos vírus, de acordo com um estudo norte-americano apresentado na XVIII Conferência Internacional sobre SIDA, em Viena.**

**⌊osteoporose⌉⌊osteoporose⌉

Roger Bedimo, do _Veterans Administration North Texas Healthcare System_, observou
facturas osteoporóticas ou fissuras no pulso, vértebras ou anca devido à perda de
densidade mineral óssea.

Numerosos estudos observaram densidade abaixo da média e risco de osteoporose mais
elevado entre as pessoas com VIH, embora continue a controvérsia sobre se isto pode
ser atribuído ao próprio vírus, aos medicamentos anti-retrovirais ou a outros factores.

A perda de massa óssea pode estar relacionada com danos tóxicos ou com mudanças 
metabólicas que produzem um desequilíbrio no desenvolvimento normal do osso, levando
a que o material ósseo velho seja reabsorvido mais rapidamente do que a produção
de nova massa óssea para o substituir.

Aproximadamente 1/3 das pessoas seropositivas estão co-infectadas com Hepatite C
crónica que pode também estar relacionada com baixa densidade mineral óssea e com
o aumento do risco de fracturas. A perda de massa óssea é uma preocupação crescente
na medida que esta população está a envelhecer. Bedino referiu que, enquanto as 
mulheres têm mais probabilidade de tolerar fracturas, os homens têm mais hipóteses
de morrer de complicações relacionadas com as mesmas. Numerosos estudos relatam 
encontrar entre as pessoas seropositivas menor densidade mineral óssea e maior risco
de osteoporose.

Utilizando os códigos de diagnóstico ICD9 nos registos médicos, os investigadores
identificaram retrospectivamente todos os doentes do _Veterans Administration North
Texas Healthcare System_, que tinham sido diagnosticados com VIH entre 1988 e 2009
e subsequentemente tiveram fracturas osteopáticas.

A análise incluiu 56 660 pessoas seropositivas para o VIH. Eram quse todos homens,
a idade média era de 45 anos e 1/3 estava co-infectado com hepatite C. Cerca de 
2/3 estivera sob tratamento anti-retroviral por um período médio de cerca de 4 anos.
Os participantes foram seguidos em média durante 5 anos, com um período total de
observação de 305 237 pessoas/ano.

Os investigadores compararam as taxas de fracturas entre pessoas com VIH e pessoas
co-infectadas VIH/VHC. Investigaram então outros factores relacionados com a perda
de massa óssea que pudessem influenciar os dados, tais como idade, raça/etnia, peso
corporal, utilização da TARc, diabetes, doença renal crónica e tabagismo.

Bedino reconheceu que não podiam confiar nos dados referentes ao estado nutricional
ou de utilização de álcool ou drogas baseados nos registos médicos, mas que estes
seriam importantes factores de risco a considerar.

Durante o período de observação, 951 pessoas tiveram, pelo menos, uma fractura osteoporótica.
A maior parte das fracturas (451) afectaram o pulso, seguidas por 308 episódios 
de fractura da anca e 106 fracturas das vértebras.

A taxa de fracturas para as pessoas infectadas pelo VIH foi de 2,54 pessoas/ano,
subindo para 3,25 por 1000 pessoas entre as pessoas co-infectadas VIH/VHC. Olhando
apenas para os dados da era da combinação terapêutica (1996 a 2009), as taxas correspondentes
foram de 2,86 e 4,06 por 1000 pessoas/ano respectivamente.

Utilizando estes números, os investigadores calcularam então o impacto da co-infecção
e de outros factores de confusão no risco de fracturas.

Enquanto que 51% das pessoas que sofreram fracturas eram co-infectadas este número
desceu para 31% entre as pessoas que não tiveram fracturas. A análise a um único
factor como a factores multivariados consideraram a co-existência da infecção VHC
como um factor predictivo significativamente independente de facturas osteoporóticas,
com rácios de acaso de 1,27 e 1,43 respectivamente. Por outras palavras, a co-infecção
foi associada a um aumento de 27 a 43% risco.

De acordo com investigações anteriores as pessoas de descendência africana tinham
menos hipótese de sofrer de fracturas, enquanto que o envelhecimento, menor massa
corporal e tabagismo estão relacionados com um risco significativamente mais elevado.
Bedimo explicou que a aparente redução nas fracturas do pulso em idades superiores
tinha hipóteses de ser atribuível a uma redução das actividades vigorosas que podem
levar ao trauma.

Neste estudo, contudo, a doença renal crónica e a diabetes não foram factores significativamente
predictivos do risco de fracturas depois do ajuste para outros factores. O uso da
terapêutica anti-retroviral foi considerado um factor protector. Durante a era da
TARc ter uma fractura de origem osteoporótica aumenta o risco de morte em 77%.

Estas descobertas levaram Bedimo e colegas a concluir que a co-infecção com VHC 
é um factor de risco significativo para fracturas osteoporóticas em pessoas seropositivas
para o VIH e que estas fracturas parecem estar a aumentar entre as pessoas co-infectadas
VIH/VHC durante a era da TARc.

Uma limitação deste estudo é que os investigadores só olharam para as fracturas 
e não tiveram em conta as medições da densidade mineral óssea, que poderão revelar
a perda de massa óssea em estádios precoces.

Na discussão que se seguiu à apresentação, o investigador da co-infecção Juan Macias
sugeriu que o VHC provavelmente não causa mudanças ósseas mas a hepatite C crónica
pode levar à cirrose do fígado, um conhecido factor de risco para os danos ósseos.

### Referência

 Bedimo R et al. _HCV co-infection is associated with a high risk of osteoporotic
fractures among HIV-infected patients._ Eighteenth International AIDS Conference,
Vienna, abstract TUAB 0104, 2010

### Tradução

 [**_GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA_**](http://www.gatportugal.org/)

 

 

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## Leia também

 * [Osteoporose Em Mulheres – Uma Visão Geral](https://soropositivo.org/osteoporose-uma-visao-geral/)
 * [As estatinas reduzem o risco de progressão para cirrose em pessoas co-infectadas por HIV/HCV](https://soropositivo.org/as-estatinas-reduzem-o-risco-de-progressao-para-cirrose-em-pessoas-co-infectadas-por-hivhcv/)
 * [As estatinas reduzem o risco de progressão para cirrose em pessoas co-infectadas por HIV/HCV](https://soropositivo.org/as-estatinas-reduzem-o-risco-de-progressao-para-cirrose-em-pessoas-co-infectadas-por-hivhcv-2/)

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