# #soropositivoorg : Segundo a coorte do estudo D:A:D parar de fumar reduz o risco de doença cardiovascular

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- Published: 2010-08-17T21:48:36-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Liz Highleyman

 De acordo com um estudo apresentado na 17^(a) Conferência de Retrovírus e Infecções
Oportunistas, em S. Francisco, as pessoas seropositivas para o VIH que fumam têm
um risco significativamente mais elevado de doença cardiovascular, enfarte de miocárdio
e trombose (AVC), quando comparadas com as pessoas que nunca fumaram, mas esse risco
diminuiu após a paragem e continuou a diminuir, à medida que o tempo passa sem fumar.

### Table Of Content

 * [Referências](https://soropositivo.org/soropositivoorg-segundo-a-coorte-do-estudo-dad-parar-de-fumar-reduz-o-risco-de-doenca-cardiovascular/#referencias)
 * [Para mais informações](https://soropositivo.org/soropositivoorg-segundo-a-coorte-do-estudo-dad-parar-de-fumar-reduz-o-risco-de-doenca-cardiovascular/#para-mais-informacoes)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/soropositivoorg-segundo-a-coorte-do-estudo-dad-parar-de-fumar-reduz-o-risco-de-doenca-cardiovascular/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/soropositivoorg-segundo-a-coorte-do-estudo-dad-parar-de-fumar-reduz-o-risco-de-doenca-cardiovascular/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/soropositivoorg-segundo-a-coorte-do-estudo-dad-parar-de-fumar-reduz-o-risco-de-doenca-cardiovascular/#relacionado)

![nao-fume](images/stories/17-08-2010/nao-fume.jpg)

Kathy Petoumenos e colegas tinham por objectivo investigar as taxas de eventos cardiovasculares
e de morte nos participantes do estudo D:A:D que pararam de fumar. Estudos anteriores
feitos com pessoas seronegativas demonstraram que o risco de doença cardíaca diminui
no prazo de um ou dois anos após cessação tabágica e os investigadores pretendiam
saber se isto se aplicava também às pessoas que vivem com VIH.

O D:A:D (_Data Collection on Adverse events of Anti-HIV Drugs_) é um estudo observacional
em curso, de grandes dimensões, que conta com a participação de mais de 33 000 pessoas
que vivem com VIH, que são acompanhadas em mais de 200 centros na Europa, Austrália
e nos E.U.A.

A equipa do estudo D:A:D dividiu os participantes em grupos de acordo com o estatuto
de fumador. A maioria (35%) era composta por fumadores; cerca de 25% nunca tinha
fumado e um pouco menos de 20% tinha parado de fumar. A acrescentar, cerca de um
quarto (um total de 8 197 participantes) reportaram que tinham parado de fumar após
entrar no estudo. Os investigadores não tinham dados suficientes disponíveis para
avaliar os fumadores com base no número de maços fumados por dia ou no número de
anos como fumadores.

A maioria dos participantes (aproximadamente 75%) era do sexo masculino, cerca de
metade caucasiana e a média de idades situava-se um pouco abaixo dos 40 anos. O 
sexo entre homens era o factor de risco mais comum, contudo, havia mais utilizadores
de droga por via injectada neste grupo e no grupo de ex-fumadores (32% e 18% respectivamente),
do que no grupo de pessoas que nunca tinham fumado (5%). Cerca de 25% do total era
co-infectado com hepatite C mas, mais uma vez, este valor variou de acordo com o
estatuto de fumador, reflectindo níveis mais elevados entre os utilizadores de droga
por via injectada.

Relativamente à situação virológica, cerca de 60% tinham carga viral suprimida (
menos de 50 cópias/ml) e a contagem média de células CD4 era de aproximadamente 
450/mm^(3). A média de tempo sob combinação terapêutica anti-retroviral era de 1,5
anos.

Os participantes nos diferentes grupos de fumadores tinham frequências semelhantes
de factores de risco cardiovascular incluindo pressão arterial alta, níveis de lípidos
anormais no sangue e maior índice de massa corporal.

Os investigadores analisaram vários resultados clínicos, incluindo enfarte do miocárdio(
ataque cardíaco), doença coronária cardíaca e doença cardiovascular de várias etiologias.
Calcularam as taxas de incidência e de mortalidade para cada grupo de fumadores 
e, posteriormente, compararam os dados entre grupos.

Em comparação com as pessoas que nunca tinham fumado, os fumadores tinham um risco
de enfarte do miocárdio três vezes superior (_incident rate ratio_ [IRR] 3,4), e
os ex-fumadores aproximadamente o dobro do risco (IRR 1,73).

Entre os participantes que pararam de fumar durante o acompanhamento, o excesso 
de risco diminuiu dos 3,7 durante o primeiro ano, para os 3,0 após um a dois anos,
e para 2,1 após mais de três anos sem fumar.

Padrões semelhantes foram observados na doença coronária e na categoria mais ampla
de doença cardíaca.

Os fumadores tinham um risco acrescido de doença cardíaca 2,2 mais elevado relativamente
aos não fumadores, e para os ex-fumadores este risco acrescido era de 1,4 mais.

Mais uma vez, entre as pessoas que tinham parado de fumar durante o estudo, o risco
diminuiu consistentemente por mais de três anos (o período mais longo do acompanhamento).

Ao observar todas as causas de mortalidade, o padrão foi, de certa forma, diferente.
O risco de morte foi mais elevado entre os fumadores, mas o aumento de risco de 
1,3 não foi tão grande como o de eventos clínicos.

Os ex-fumadores tinham o mesmo risco de morte do que as pessoas que nunca tinham
fumado. Mas, entre aqueles que pararam de fumar durante o estudo, o risco mais elevado
de morte não desceu de forma consistente ao longo do tempo; o padrão foi também 
inconsistente quando se observaram as mortes em pessoas com idade superior a 50 
anos.

Os investigadores não foram capazes de explicar este resultado inesperado. Contudo,
observaram que uma larga percentagem de pessoas que nunca tinha fumado morreu de
doenças associadas ao VIH/SIDA, enquanto os fumadores e os ex-fumadores tinham mais
probabilidades de morrer de outras causas.

Os que pararam tinham um risco agravado de cancro não definidor de SIDA, sugerindo
que os danos produzidos durante o período como fumador se mantiveram e transitaram
para o período como não fumador.

“O risco de episódios (de doença cardíaca) nos doentes seropositivos para o VIH 
vai diminuindo à medida que aumenta o período de tempo como não fumador”, concluem
os investigadores do estudo D:A:D. “Os esforços para parar de fumar deveriam ser
uma prioridade na monitorização dos doentes que vivem com VIH”.

Na conferência de imprensa onde se discutiram estes resultados, a Dra. Petoumenos
afirmou que a mensagem chave deste estudo é que os benefícios clínicos obtidos com
a cessação tabágica, observados na população geral, parecem ser igualmente aplicados
às pessoas que vivem com VIH.

### Referências

 Petoumenos K et al. _Rates of cardiovascular disease following smoking cessation
in patients with HIV infection: results from the D:A:D study_. Seventeenth Conference
on Retroviruses and Opportunistic Infections, abstract 124, San Francisco, 2010.

### Para mais informações

 Poderá consultar [o _abstract_ no site oficial da conferência](http://www.retroconference.org/2010/Abstracts/38289.htm).

Poderá também [ver o webcast e os slides da sessão, no site oficial da conferência](http://app2.capitalreach.com/esp1204/servlet/tc?c=10164&cn=retro&e=12368&m=1&s=20431&&espmt=2&mp3file=12368&m4bfile=12368&br=80&audio=false).

### Tradução

 [GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA](http://www.gatportugal.org/)

 

 

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## Leia também

 * [A diminuição da função renal aumenta o risco de doença cardiovascular nos doentes com infecção pelo VIH](https://soropositivo.org/a-diminuicao-da-funcao-renal-aumenta-o-risco-de-doenca-cardiovascular-nos-doentes-com-infeccao-pelo-vih/)
 * [Biomarcadores na urina podem predizer o risco cardiovascular em pessoas medicadas com terapêutica anti-retroviral](https://soropositivo.org/biomarcadores-na-urina-podem-predizer-o-risco-cardiovascular-em-pessoas-medicadas-com-terapeutica-anti-retroviral/)
 * [Factores de risco tradicionais e biomarcadores associados a doença cardiovascular nas pessoas com VIH](https://soropositivo.org/factores-de-risco-tradicionais-e-biomarcadores-associados-a-doenca-cardiovascular-nas-pessoas-com-vih/)

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