# #soropositivoorg: Substituição do efavirenze ou do AZT associada a melhoria dos níveis de vitamina D

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- Published: 2010-11-19T22:04:01-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Osteoporose relacionada à AIDS

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 * [Referência](https://soropositivo.org/soropositivoorg-substituicao-do-efavirenze-ou-do-azt-associada-a-melhoria-dos-niveis-de-vitamina-d/#referencia)
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 * [Leia também](https://soropositivo.org/soropositivoorg-substituicao-do-efavirenze-ou-do-azt-associada-a-melhoria-dos-niveis-de-vitamina-d/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/soropositivoorg-substituicao-do-efavirenze-ou-do-azt-associada-a-melhoria-dos-niveis-de-vitamina-d/#relacionado)

Michael Carter

De acordo com um grupo de investigadores cujos resultados foram publicados na edição
online da _AIDS Research and Human Retroviruses_, a substituição dos medicamentos
efavirenze e AZT nos esquemas de tratamento anti-retroviral (ARV) mostrou-se associada
a uma melhoria dos níveis de vitamina D. Outros factores associados a este défice
vitamínico foram o mês do ano e raça negra.

Os níveis de vitamina D aumentaram significativamente após a interrupção do tratamento
com efavirenze ou AZT e substituição por um esquema baseado no IP darunavir (_Prezista_)
potenciado com ritonavir.

“A associação entre o uso de efavirenze e o défice de vitamina D é consistente com
os resultados de estudos transversais e prospectivos anteriores”, referem os investigadores.
Que acrescentam: “que seja do nosso conhecimento, este é o primeiro estudo a mostrar
um aumento dos níveis de vitamina D após a mudança de um esquema terapêutico baseado
em efavirenze por outro baseado num IP [inibidor da protease]”.

A vitamina D tem diversas funções. Ela melhora o desempenho do sistema imunitário
e a força muscular, reduz a inflamação e participa na formação do osso. A deficiência
grave de vitamina D (valor inferior a 25 nmol/l) nas pessoas seronegativas para 
o VIH tem sido associada a um risco maior de osteoporose, fraqueza muscular, diabetes
e alguns cancros.

Vários estudos têm mostrado uma prevalência elevada de défice de vitamina D em pessoas
seropositivas para o VIH a fazer tratamento ARV. Alguma desta investigação encontrou
mesmo uma associação desta situação com o tratamento com efavirenze (_Sustiva_; 
também presente na combinação _Atripla_), associação que se manteve significativa
mesmo depois de se levar em conta os níveis de vitamina D nos meses de inverno e
a raça negra, factores de risco conhecidos para valores baixos de vitamina D.

Além destas associações, os investigadores pretenderam também avaliar a associação
entre a infecção VIH, a terapêutica ARV e o referido défice vitamínico. Neste sentido,
monitorizaram os níveis de vitamina D, avaliando-os em dois momentos: à partida 
e 96 semanas depois em 219 participantes do ensaio MONET, uma comparação randomizada
entre uma terapêutica tripla baseada num IP e um esquema de monoterapia com IP, 
em doentes com uma carga viral já suprimida. O recrutamento para o estudo teve início
no Outono de 2007.

Para serem elegíveis para este ensaio, requeria-se que os doentes estivessem a fazer
tratamento ARV e tivessem uma carga viral inferior a 50 cópias/ml. Então, seriam
randomizados para receber ou darunavir/ritonavir em monoterapia ou darunavir/ritonavir
em combinação com dois ITRNs (inibidores da transcriptase reversa  análogos dos 
nucleósidos).

A maioria dos doentes (80%) eram homens, 91% eram caucasianos, e a sua idade média
era de 43 anos. Nenhum se encontrava a tomar suplementos de vitamina D.

À partida, 83 doentes encontravam-se a fazer um esquema terapêutico baseado num 
ITRNN (inibidor da transcriptase reversa não análogo dos nucleósidos): 61 a fazer
efavirenze e 22 nevirapina (_Viramune_). O IP mais utilizado era o _Kaletra_ (lopinavir/
ritonavir).

À entrada no estudo, a maioria dos doentes apresentava níveis deficitários de vitamina
D. Esta situação verificava-se em 70% dos que se encontravam a tomar um IP, aproximadamente
70% dos que faziam efavirenze ou nevirapina, e em todos os doentes a fazer um esquema
triplo de ITRNs.

Os níveis mais baixos de vitamina D encontravam-se significativamente associados
com o mês do calendário (p = 0.01), etnia negra, tratamento com efavirenze (p = 
0.02) e uso de AZT (p = 0.01). O valor médio de vitamina D apresentou o seu pico
mais baixo entre Janeiro e Abril (35.8 nmol/l), e o mais elevado em Setembro (45.4
nmol/l).

Os doze participantes negros apresentavam um valor médio de base de vitamina D de
27.7 nmol/l, em comparação com o valor de 39.4 nmol/l observado entre os brancos.

Para os doentes a tomar efavirenze, o valor médio de vitamina D de base era de 35
nmol/l, comparado com 41.7 entre os que tomavam um IP. No caso de se estar a tomar
AZT, o valor médio era de 34.6 nmol/l, em comparação com 40.8 nmol/l no caso dos
que recebiam terapêutica com um ITRN alternativo.

À partida, também, 25% das pessoas a tomar efavirenze apresentava um défice grave
de vitamina D, sendo que apenas 2% apresentavam níveis ótimos da vitamina. No caso
dos que se encontravam a fazer um IP, pelo contrário, aquele valor era de apenas
15%, atingindo o valor de 5% o grupo dos que apresentavam níveis ótimos da substância.

Após 96 semanas de terapêutica com um esquema baseado em darunavir/ritonavir, a 
percentagem de doentes com défice de vitamina D tinha caído. Além disso, não se 
registava qualquer diferença na prevalência da deficiência grave da vitamina quando
os participantes eram analisados de acordo com o seu esquema ARV original. Nesta
ocasião, apenas os negros (p = 0.02) e a altura do ano (p = 0.004) mostraram associação
com a deficiência grave.

Os níveis de vitamina D eram comparáveis nas pessoas que se encontravam em monoterapia
com darunavir/ritonavir e nas que se encontravam fazer uma combinação de darunavir/
ritonavir com dois ITRNs (51.1 nmol/l vs. 55.3 nmol/l).

Os valores médios de vitamina D aumentaram 8 nmol/l nos doentes que interromperam
o efavirenze (p = 0.007) e os mesmos 8 nmol/l nos que descontinuaram o AZT (p = 
0.007).

“Deve ser feita monitorização dos níveis de vitamina D nas pessoas com infecção 
pelo VIH”, recomendam os investigadores.

Que concluem: “no caso das pessoas com défice grave de vitamina D, pode ser ponderado
ou o uso de suplementos de vitamina D ou uma mudança do tratamento ARV”.

### Referência

 

 Fox J et al. _Improvement in Vitamin D Deficiency Following Antiretroviral Regime
Change: Results from the MONET Trial_. AIDS Research and Human Retroviruses: online
edition, doi:10.1089/aid.2010.0081, 2010 (click [here](http://www.liebertonline.com/doi/abs/10.1089/aid.2010.0081)
for abstract).

### Tradução

 

[_**GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA**_](http://www.gatportugal.org/)

_**Fonte: [AIDSMAP](https://soropositivo.org/soropositivoorg-substituicao-do-efavirenze-ou-do-azt-associada-a-melhoria-dos-niveis-de-vitamina-d/index.php?option=com_weblinks&view=weblink&id=12&catid=19)**_

_**Apoie [Soropositivo.Org](https://soropositivo.org/soropositivoorg-substituicao-do-efavirenze-ou-do-azt-associada-a-melhoria-dos-niveis-de-vitamina-d/index.php?option=com_content&view=article&id=7180&Itemid=447)**_

{linkr:related;keywords:osteoporose;limit:25;title:Mais+Artigos}

## Leia também

 * [Deficiência de vitamina D associada a progressão da doença em pessoas com VIH](https://soropositivo.org/deficiencia-de-vitamina-d-associada-a-progressao-da-doenca-em-pessoas-com-vih/)
 * [Há poucas provas de que os suplementos de vitamina D sejam benéficos para os doentes com infecção pelo VIH](https://soropositivo.org/ha-poucas-provas-de-que-os-suplementos-de-vitamina-d-sejam-beneficos-para-os-doentes-com-infeccao-pelo-vih/)
 * [Antirretrovirais dobram risco de deficiência de vitamina D em soropositivos](https://soropositivo.org/antirretrovirais-dobram-risco-de-deficiencia-de-vitamina-d-em-soropositivos/)

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