# #soropositivoorg Um estudo do Instituto Kinsey não chega a consenso sobre a definição de “ter sexo”

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- Published: 2010-08-16T10:17:56-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Press Release

Quando as pessoas usam a expressão “tive sexo”, podem-se atribuir vários significados.
Um estudo recente do Instituto Kinsey na Universidade do Indiana revelou não existir
um consenso acerca do significado desta expressão, quando se questionou uma amostra
de pessoas com idades compreendidas entre os 18 e 96 anos.

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 * [Referência](https://soropositivo.org/soropositivoorg-um-estudo-do-instituto-kinsey-nao-chega-a-consenso-sobre-a-definicao-de-ter-sexo/#referencia)
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Considera-se sexo oral como sexo? Para 30 por cento dos participantes no estudo 
não o era. E o sexo anal? Para cerca de 20 por cento dos participantes, também não.

Um número surpreendente de homens mais velhos não considerava as relações peno-vaginais
como sexo. Mais do que simples curiosidade, a resposta a estas questões sobre sexo
pode informar – ou “desinformar” – investigadores e os esforços de aconselhamento
dos médicos e de educação para a saúde.

“Os investigadores, médicos, pais e educadores sexuais devem ser cautelosos e não
assumir que a sua própria definição de sexo é partilhada pela pessoa com quem estão
a falar, seja um doente, um estudante, uma criança ou um participante num estudo”,
afirmou Brandon Hill, investigador associado do Instituto Kinsey.

O estudo, conduzido em parceria com o Rural Center for AIDS/STD Prevention (RCAP)
in IU’s School of Health, Physical Education and Recreation da Universidade do Indiana,
aprofundou a investigação de uma questão que já tinha sido pesquisada em 1999 – 
durante um escândalo sexual que envolveu um presidente, onde a definição de sexo
foi debatida. Os investigadores do Instituto Kinsey perguntaram a estudantes da 
faculdade o que significava “ter sexo”, assumindo uma abordagem, única até então,
submetendo os estudantes à votação de comportamentos específicos.

Também não se chegou a nenhum consenso nessa altura. O novo estudo, publicado no
jornal de saúde internacional Sexual Health em Fevereiro, investigou se mais informação
ajudava a clarificar o assunto – os estudantes que participaram eram questionados
sobre comportamentos sexuais específicos e qualificadores, tais como, se o orgasmo
era atingido – tendo os investigadores envolvido uma amostra mais representativa,
não se restringido apenas a estudantes da faculdade.

“Aumentar o espectro do estudo, com uma amostra mais representativa, só veio confundir
e complicar mais”, afirmou Hill. “As pessoas foram ainda menos consistentes.”

O estudo envolveu respostas de 486 habitantes do estado de Indiana que participaram
num questionário telefónico conduzido pelo Center for Survey Research da Universidade
do Indiana.

Aos participantes, na sua maioria heterossexual, foi perguntado “Diria que ‘teve
sexo’ com alguém se o comportamento mais íntimo em que se envolveram foi…”, seguido
de 14 itens comportamentais específicos. Seguem-se alguns dos resultados:

**As respostas não diferiram significativamente no geral entre homens e mulheres.
O estudo envolveu 204 homens e 282 mulheres.

**95 por cento das respostas consideravam as relações peno-vaginais (RPV) como sendo“
ter sexo”, mas esta taxa diminui para os 80%, caso não houvesse ejaculação.

**81 por cento considerou as relações de penetração anal como “ter sexo”, com a 
taxa a baixar para 77% para os homens no grupo mais jovem (18-29), 50% para os homens
no grupo de pessoas com mais idade (65 ou mais) e 67% para as mulheres mais velhas.

**71 por cento e 73% consideraram o contacto oral com os genitais do parceiro (OG),
tanto insertivo como receptivo, como “ter sexo”.

**Os homens nos grupos dos mais novos e dos mais velhos tinham menos probabilidades
de responder “sim”, quando comparados com os dois grupos de idades intermédias, 
acerca de relações OG.

**Houve uma resposta significativamente inferior dos homens no grupo de mais idade
no que diz respeito de penetração vaginal (77 por cento).

Hill disse ser comum para um médico, quando observa um doente com sintomas de uma
infecção sexualmente transmissível, perguntar-lhe quantos parceiros sexuais tem 
ou teve. O número variará de acordo com a definição de sexo do paciente.

William L. Yarber, director sénior do RCAP e co-autor do estudo, afirmou que estas
descobertas revelam a necessidade de ser específico em relação aos comportamentos,
quando se fala sobre sexo.

“Existe uma certa indefinição sobre o que é sexo na nosso cultura e nos media”, 
declarou Yarber. “Se as pessoas não considerarem certos comportamentos como sexo,
podem encarar certas mensagens de saúde sexual sobre riscos como não sendo para 
elas. A epidemia da SIDA forçou-nos a ser muito mais específicos em relação aos 
comportamentos, bem como a identificar comportamentos específicos que põem as pessoas
em risco, em vez de sexo em geral. Todavia, ainda há muito a melhorar.”

### Referência

Sanders S et al. _Misclassification bias: diversity in conceptualisations about 
having ‘had sex’._ Sexual Health 7(1): 31-34, 2010.

### Tradução

[GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA](http://www.aidsmap.com/page/1438256/%E2%80%9Dhttp://www.gatportugal.org%E2%80%9D)

## Leia também

 * [Preservativos de tamanho inadequado reduzem prazer sexual, diz estudo](https://soropositivo.org/preservativos-de-tamanho-inadequado-reduzem-prazer-sexual-diz-estudo/)
 * [Sexo Oral](https://soropositivo.org/sexo-oral/)
 * [Atenção: sexo oral não é preliminar e tem riscos](https://soropositivo.org/atencao-sexo-oral-nao-e-preliminar-e-tem-riscos/)

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