# Tecnologia impulsiona continente 

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- Published: 2009-06-19T22:49:35-03:00
- Author: 

,  
 Marsílea Gombata

 

São mais de 800 milhões de habitantes distribuídos em 54 países no continente mais
pobre do planeta, cuja desgraça de uma história marcada pela escravidão parece não
ter fim. Mas, curiosamente, é com uma tecnologia de ponta que o continente africano,
com uma bagagem de décadas de miséria, fome, epidemias como a Aids e guerras civis,
pode ter chance de superar seus problemas e trilhar um caminho próprio para se desenvolver.

 

Mas como num lugar onde boa parte das pessoas nunca viu um computador haverá espaço
para a tecnologia fazer revolução?

 

Menos de 1% dos africanos tem acesso à internet banda larga. Entre os países africanos,
há pouca conexão feita por cabos e apenas alguns Estados possuem internet.

 

 * A internet incentivará as tradições culturais africanas e pode mudar a impressão
   que o mundo tem de valores e lugares do continente – prevê Mallami Kayode, analista
   nigeriano e colunista do jornal African News Switzerland. – Em breve, se alguém
   quiser conhecer nosso continente, poderá ter acesso a informações sobre negócios
   locais, estilo de vida e cultura.

 

Uma saída para o continente carente em infra-estrutura, portanto, seria abraçar 
a idéia de uma conexão sem fio – mais barata e eficiente que outros tipos de Rede–
como solução para o abismo digital que enfrenta. Num segundo momento, setores como
saúde, educação, comunicação, transporte e economia também seriam impulsionados.

 

Para Kayode, a internet é uma boa maneira, ainda, de promover a união entre os países
africanos, assim como entre a África e o mundo:

 

 * Há muitas coisas que ocorrem no continente que o resto do mundo não faz idéia–
   explica. – Com a internet, saberemos melhor como desenvolver o turismo, além 
   de inovar padrões educativos e econômicos. A tecnologia ajudaria o centro de 
   dados para pesquisas e o sistema social na África, que são muito pobres.

 

No ano que vem, a Motorola começa a instalar em Uganda uma rede wimax – sistema 
de conexão de alta velocidade, sem fios e com grande cobertura – para o acesso de
computadores à internet.

 

O sistema é vantajoso para regiões onde a estrutura por cabo defasada ou inexistente.
O custo é mais barato e consome menos energia que internet com fios. Em regiões 
afastadas, onde há problemas de infra-estrutura, o wireless se mostra como alternativa
única.

 

 * Há no país uma demanda de banda larga, fundamental para a inclusão social – explica
   José Geraldo de Almeida, gerente de desenvolvimento de novos negócios da Motorola.–
   A internet traz informações importantes e a wimax pode abrir espaço no mercado,
   com serviços e conteúdos. O acesso à informação é fundamental para a cidadania,
   o desenvolvimento econômico e a oportunidade de transformar vidas.

 

O desafio de superar problemas e aprender a lidar com novas tecnologias pode ser
mérito, também, da telefonia celular. O envio de torpedos e as ligações entre telefones
móveis fazem as fronteiras entre os Estados africanos menores.

 

A rede de celulares na África ainda não pode ser comparada com a européia, americana
ou asiática. A tendência, no entanto, é que telefonia móvel e internet wireless 
trabalhem a favor de ricos e pobres e, também, na transposição das barreiras entre
eles.

 

 * Distância e transporte são os maiores problemas da África e podem ser solucionados
   pela comunicação por internet e telefonia que dispensam fios – garante o cientista
   social Cornel du Toit, da Universidade da África do Sul.

 Parte de um programa de desenvolvimento da ONU, o Millennium Project prevê que 
cerca de meio milhão de pessoas de 10 países africanos terão celulares dentro de
poucos anos. Incentivo deve ser adequado Um trabalho de formiguinha contra pobreza,
semelhante ao Millennium Project da ONU e ao New Partner for Africa"s Development(
Nepad), que procura desenvolver a inclusão digital, é feito em pontos do Brasil 
igualmente carentes, desde 2003. O Programa Gesac (Governo Eletrônico – Serviço 
de Atendimento ao Cidadão) proporciona acesso à Rede para 100 municípios de baixa
renda no Nordeste. – O objetivo é trazer computadores e conexão via satélite para
comunidades muito pobres, onde o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é baixo –
explica Heliomar Medeiros, diretor de inclusão digital do Gesac. – O objetivo é 
que o acesso à internet proporcione mudanças e desenvolvimento na vida de moradores
de áreas de extrema pobreza, como pontos do Nordeste, que enfrentam problemas semelhantes
aos da África. Medeiros explica que comunidades que vivem de artesanato, por exemplo,
têm chance de colocar à venda na internet seus produtos. – O mais importante é que
a tecnologia seja adequada ao dia-a-dia da comunidade para ela se sentir estimulada
a utilizar aquele recurso para melhorar sua realidade – explica Medeiros. – Além
de entretenimento, a Rede deve ser incentivada como ferramenta par melhorar produtividade
e economia locais. Agricultores locais, por exemplo, passaram a usar a internet 
para saber os preços dos produtos que cultivam. A criatividade, portanto, é indispensável.
Em Pernambuco, até os idosos costumam acessar a web pelo programa. Na chamada sala
do reencontro de alguns telecentros, conversam com parentes que moram em lugares
distantes, como São Paulo. É o interesse sentimental, portanto, que leva esses moradores
a terem contato com tecnologias. Projetos semelhantes são desenvolvidos em regiões
isoladas e extensas como a Amazônia. A tecnologia de conexão por satélites permite
reduzir distâncias, tempo e custo dos investimentos para a conexão à Rede. Assim
como nessas regiões, na África a febre é tamanha que muitos agricultores estão abrindo
mão de outros luxos para ter um celular e se comunicar mais facilmente. – Está no
início, mas os celulares também oferecerão acesso à internet – avalia o cientista
social Cornel du Toit. – A tecnologia, no entanto, ainda precisa ser melhorada e
barateada para surtir algum impacto na África. O especialista ressalta, ainda, os
efeitos negativos que o avanço tecnológico poderia trazer ao continente. Poluição
e destruição de fontes naturais poderiam, segundo Du Toit, levar a problemas sociais
como "corrupção, alcoolismo, criminalidade e materialismo".

## Leia também

 * [O continente que não existe](https://soropositivo.org/o-continente-que-nao-existe/)
 * [Um reino sem contos de fadas](https://soropositivo.org/)
 * [Epidemias de AIDS, malária e tuberculose estão em queda no mundo](https://soropositivo.org/epidemias-de-aids-malaria-e-tuberculose-estao-em-queda-no-mundo/)

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