# Trabalhadoras do sexo 14 vezes mais em risco de infeção pelo HIV

- Link: https://soropositivo.org/trabalhadoras-do-sexo-14-vezes-mais-em-risco-de-infecao-pelo-hiv/
- Published: 2012-09-30T20:56:37-03:00
- Author: 

Na [19ª Con­ferência In­ter­na­ci­o­nal da AIDS (AIDS 2012)](http://www.aidsmap.com/aids2012/19-Confer%C3%AAncia-Internacional-sobre-AIDS/page/2438493/)
foi re­por­ta­do que, em­bo­ra os in­ves­ti­ga­do­res e or­ga­ni­zações pa­ra a 
saúde públi­ca na mai­o­ria dos p⌊profissionais-do-sexo-recebem-orientacoes-sobre-
cidadania-e-saude⌉aíses de bai­xo e médio ren­di­men­to não te­nham re­co­lhi­do
da­dos re­cen­tes so­bre a pre­valência do HIV re­la­ti­va às tra­ba­lha­do­ras 
se­xu­ais, os da­dos exis­ten­tes são alar­man­tes.

### Table Of Content

 * [Re­ferênci­as](https://soropositivo.org/trabalhadoras-do-sexo-14-vezes-mais-em-risco-de-infecao-pelo-hiv/#re%c2%adferenci%c2%adas)
 * [Tra­dução](https://soropositivo.org/trabalhadoras-do-sexo-14-vezes-mais-em-risco-de-infecao-pelo-hiv/#tra%c2%adducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/trabalhadoras-do-sexo-14-vezes-mais-em-risco-de-infecao-pelo-hiv/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/trabalhadoras-do-sexo-14-vezes-mais-em-risco-de-infecao-pelo-hiv/#relacionado)

Jun­tan­do os da­dos dis­poníveis de 50 países, as tra­ba­lha­do­ras do se­xo têm
um ris­co 14 ve­zes mais ele­va­do de con­trair a in­feção do que as mu­lhe­res 
na mes­ma fai­xa etária na po­pu­lação ge­ral.

As ta­xas são es­pe­ci­al­men­te ele­va­das em al­guns países, in­cluin­do o Ban­gla­desh,
Be­nim, Cam­bo­ja, Chi­na, Guiné, Gui­a­na, In­dia, In­donésia, Malásia, Mauríci­as,
Méxi­co, Ne­pal e Se­ne­gal.

Na con­ferência fa­la­ram também ati­vis­tas que des­cre­ve­ram as es­tratégi­as
ne­cessári­as pa­ra mu­dar es­ta si­tuação.

Cheryl Overs de­cla­rou nu­ma sessão plenária que “A epi­de­mia não se alas­tra 
por cau­sa da fal­ta de um com­pri­mi­do ou de um gad­get, a epi­de­mia au­men­ta
por cau­sa da re­pressão”. “As tra­ba­lha­do­ras do se­xo des­de a Suécia até Sin­ga­pu­ra
e à Su­a­zilândia di­zem to­das que a mai­or ameaça pa­ra a sua saúde e di­rei­tos
hu­ma­nos é a lei que tor­na im­possível en­con­trar lu­ga­res se­gu­ros pa­ra tra­ba­lhar
e não per­mi­te que te­nham as mes­mas pro­teções de ou­tros tra­ba­lha­do­res e
ci­dadãos”.

Em mui­tos países, as ne­ce­ssisades des­tas mu­lhe­res con­ti­nu­am ig­no­ra­das
e sub-in­ves­ti­ga­das. Ste­fan Ba­ral, De­an­na Ker­ri­gan e co­le­gas da Es­co­la
Blo­om­berg de Saúde Públi­ca – o mes­mo gru­po que as­su­miu um pa­pel de li­de­rança
que cha­mou a atenção pa­ra as ta­xas ele­va­das de in­feção pe­lo HIV en­tre os
ho­mens que têm se­xo com ho­mens – con­du­zi­ram uma re­visão sis­temáti­ca e uma
me­ta-análi­se pa­ra jun­tar es­ti­ma­ti­vas das ta­xas de in­feção pe­lo HIV nos
países de bai­xo e médio ren­di­men­to.

Con­se­gui­ram jun­tar 102 re­latóri­os que pre­en­chi­am critéri­os de qua­li­da­de
pré-de­ter­mi­na­dos, abran­gen­do 12 197 tra­ba­lha­do­ras se­xu­ais. To­dos os
re­latóri­os di­zi­am res­pei­to ao período de  2007 a 2011.

No en­tan­to, os re­latóri­os eram ape­nas de 50 dos 145 países. De­an­na Ker­ri­gan
co­men­tou que “Te­mos de olhar de mo­do críti­co pa­ra as políti­cas glo­bais que
li­mi­tam uma ava­liação abran­gen­te dasnecessidades de pre­venção da in­fecção
pe­lo HIV e da ofer­ta de ser­viços nos am­bi­en­tes mais va­ri­a­dos”.

> Os da­dos dis­poníveis mos­tram de fac­to que as mu­lhe­res que ven­dem se­xo 
> estão par­ti­cu­lar­men­te em ris­co de in­feção. Ker­ri­gan no­tou que o au­men­to
> da vul­ne­ra­bi­li­da­de não é ape­nas de­vi­do a fa­to­res com­por­ta­men­tais(
> um gran­de núme­ro de par­cei­ros se­xu­ais, etc.), mas também es­tru­tu­rais (
> cri­mi­na­li­zação, vi­o­lação dos di­rei­tos hu­ma­nos, etc.).

“Es­tes da­dos são um ape­lo pa­ra a ação e pa­ra que se in­vis­ta e res­pon­da 
às ne­ce­ssida­des das tra­ba­lha­do­ras de se­xo.”

Hou­ve da­dos dis­poníveis pa­ra 14 países asiáti­cos. En­quan­to a pre­valência
do HIV nas mu­lhe­res en­tre 15 e 49 anos nes­tes países é de 0,18%, pa­ra as tra­ba­lha­do­ras
do se­xo é de 5,2%, o que sig­ni­fi­ca que o ris­co de in­feção pe­lo HIV é 29 ve­zes
mais ele­va­do.

Na Áfri­ca sub­sa­ri­a­na, hou­ve da­dos dis­poníveis de 16 países. En­quan­to a
pre­valência do HIV pa­ra as mu­lhe­res da po­pu­lação em ge­ral é de 7,4%, pa­ra
as mu­lhe­res que ven­dem se­xo é de 36,9%, sig­ni­fi­can­do que o ris­co é 12 ve­zes
mai­or.

Na Améri­ca La­ti­na e nas Ca­raíbas ana­li­sa­ram da­dos de 12 países. Com uma 
pre­valência na po­pu­lação fe­mi­ni­na ge­ral de 0,4% e de 6,1% pa­ra as mu­lhe­res
que ven­dem se­xo. O ris­co também é 12 ve­zes mais ele­va­do.

No Médio Ori­en­te e no Nor­te de Áfri­ca 1,7% das tra­ba­lha­do­ras do se­xo ti­nham
in­feção pe­lo HIV. Na Eu­ro­pa de Les­te a pre­valência foi de 10,9%. No en­tan­to,
de­vi­do ao fac­to de que os da­dos ape­nas es­ta­vam dis­poníveis pa­ra uma meia
dúzia de países nes­ta re­gião, não se con­si­de­rou uma ul­te­ri­or análi­se credível.

Os da­dos mos­tram gran­des va­riações de país a país e por ve­zes en­tre di­fe­ren­tes
re­giões do mes­mo país. Uma par­te pro­va­vel­men­te é de­vi­da à amos­tra­gem 
e a méto­dos de in­ves­ti­gação di­fe­ren­tes.

De­an­na Ker­ri­gan con­cluiu que “es­tes da­dos re­pre­sen­tam um ape­lo pa­ra 
a ação, pa­ra que se in­vis­ta e res­pon­da às ne­ce­sida­des das tra­ba­lha­do­ras
do se­xo pa­ra pre­ve­nir o HIV, in­cluin­do es­tratégi­as abran­gen­tes de pre­venção
ba­se­a­das em evidênci­as que pro­te­gem e pro­mo­vem os seus di­rei­tos hu­ma­nos”.

Além dis­so, o mes­mo gru­po de in­ves­ti­ga­do­res também re­por­tou os re­sul­ta­dos
do tra­ba­lho com mo­de­los de ava­liação do im­pac­to de pro­por­ci­o­nar tais 
es­tratégi­as de pre­venção. Fo­ram ana­li­sa­das du­as es­tratégi­as:

 * Me­lho­rar o aces­so das tra­ba­lha­do­ras se­xu­ais à te­rapêuti­ca an­tir­re­tro­vi­ral
   pa­ra que a co­ber­tu­ra se­ja a mes­ma que a dos ou­tros adul­tos dos seus países.
 * Um pro­gra­ma abran­gen­te de em­po­de­ra­men­to na co­mu­ni­da­de, em que as
   bar­rei­ras es­tru­tu­rais se­jam abor­da­das de for­ma co­le­ti­va. O pro­gra­ma
   ge­ral­men­te in­cluiu as co­mu­ni­da­des na or­ga­ni­zação e mo­bi­li­zação,
   edu­cação en­tre pa­res, dis­tri­buição de pre­ser­va­ti­vos e ser­viços clíni­cos
   mais acessíveis pa­ra as in­feções se­xu­al­men­te trans­missíveis.

Uma re­visão sis­temáti­ca que será pu­bli­ca­da em bre­ve con­du­zi­da pe­la Or­ga­ni­zação
Mun­di­al de Saúde tem cons­ta­ta­do que os pro­gra­mas de em­po­de­ra­men­to na
co­mu­ni­da­de ge­ral­men­te re­du­zem o uso in­con­sis­ten­te do pre­ser­va­ti­vo
pa­ra me­ta­de. Os in­ves­ti­ga­do­res da Es­co­la Blo­om­berg apli­ca­ram es­ta
cons­ta­tação às epi­de­mi­as do Bra­sil, Quénia, Tailândia e Ucrânia.

> Por ex­em­plo, no Quénia, **ape­nas me­lho­ran­do o aces­so à TARV (Te­rapêuti­ca
> An­tir­re­tro­vi­ral) ir-se-ia re­du­zir as in­feções 25%, em cin­co anos**. Tor­nan­do
> a in­ter­venção do em­po­de­ra­men­to dis­ponível a ape­nas dois terços das tra­ba­lha­do­ras
> re­du­zir-se-ia as in­feções em 11,5%. Fa­zen­do as du­as in­ter­venções a re­dução
> se­ria de 33%.

Ha­ve­ria também um im­pac­to sig­ni­fi­ca­ti­vo so­bre a epi­de­mia na po­pu­lação
mais alar­ga­da, com uma re­dução de 30% das in­fecções, se as in­ter­venções fos­sem
com­bi­na­das.

Em­bo­ra pos­sa pa­re­cer que a in­ter­venção pa­ra o alar­ga­men­to do aces­so 
à TARV faça uma di­fe­rença mai­or, os in­ves­ti­ga­do­res no­tam que o em­po­de­ra­men­to
e a re­dução das bar­rei­ras es­tru­tu­rais são pro­va­vel­men­te uma exigência 
in­con­tornável pa­ra o aces­so alar­ga­do à TARV. Na ver­da­de, a in­te­ração en­tre
uso da TARV e em­po­de­ra­men­to não tem si­do ple­na­men­te ex­pli­ca­do no mo­de­lo.

“Ha­verá de fac­to um pro­du­to ou um me­di­ca­men­to que pos­sa mu­dar o equilíbrio
de po­der en­tre tra­ba­lha­do­ras do se­xo e os seus cli­en­tes?”.

A ati­vis­ta  do tra­ba­lho se­xu­al e in­ves­ti­ga­do­ra Cheryl Overs fa­lou des­tas
questões nu­ma sessão plenária. Em par­ti­cu­lar, co­men­tou na con­ferência o le­ma“
_tur­ning the ti­de to­gether_” (em Por­tu­guês, “Va­mos in­ver­ter a maré jun­tos”).

En­quan­to um vídeo mos­trou on­das a que­brar-se nu­ma praia, dis­se que uma maré
é fei­ta de mui­tas on­das – in­cluin­do a _ex­clusão so­ci­al, fal­ta de di­rei­tos
le­gais, re­jeição por par­te da família, po­bre­za, más con­dições de tra­ba­lho,
vi­olência, pre­ser­va­ti­vos usa­dos co­mo pro­vas e cor­rupção_.

“As on­das estão in­ter­li­ga­das, por­tan­to não há se­leção das on­das pa­ra vol­tar
pa­ra trás”, acres­cen­tou. “En­vol­ver e em­po­de­rar as tra­ba­lha­do­ras do se­xo
é cru­ci­al pa­ra in­ver­ter a maré”. No en­tan­to, a mui­tos tra­ba­lha­do­ras 
do se­xo não foi per­mi­ti­do par­ti­ci­par na con­ferência de Washing­ton DC, de­vi­do
às in­ter­dições de en­tra­da nos Es­ta­dos Uni­dos.

Overs apon­tou as re­co­men­dações da Co­missão Glo­bal so­bre o HIV e a Lei aos
go­ver­nos pa­ra que os tra­ba­lha­do­res do se­xo se­jam tra­ta­dos con­sis­ten­te­men­te
de acor­do com as obri­gações dos di­rei­tos hu­ma­nos.

Além dis­so, co­men­tou so­bre os be­nefíci­os pa­ra os tra­ba­lha­do­res do se­xo
do tra­ta­men­to co­mo pre­venção, dos mi­cro­bi­ci­das e da pro­fi­la­xia de pré-
ex­po­sição (PrEP). Cheryl Overs per­gun­ta, “Ha­verá de fac­to um pro­du­to ou 
um me­di­ca­men­to que po­de mu­dar o equilíbrio de po­der en­tre tra­ba­lha­do­ras
do se­xo e os seus cli­en­tes?”.

Ad­ver­tiu que o cus­to e a res­pon­sa­bi­li­da­de de usar os no­vos méto­dos irá
con­ti­nu­ar a cair nos om­bros das tra­ba­lha­do­ras do se­xo, que con­ti­nu­arão
a pre­ci­sar de pro­teção pa­ra as in­feções se­xu­al­men­te trans­missíveis e gra­vi­dez.
Fa­zer o tes­te de ras­treio do HIV é a por­ta de aces­so aos no­vos méto­dos de
pre­venção, mas tes­tes forçados e que­bras na con­fi­den­ci­a­li­da­de já são co­muns
pa­ra os tra­ba­lha­do­res do se­xo.

“Não le­van­tei as questões so­bre as no­vas tec­no­lo­gi­as de pre­venção pa­ra
su­ge­rir que não po­dem ser efi­ca­zes com as tra­ba­lha­do­ras do se­xo,” Overs
ex­pli­cou. “Le­van­tei-as pa­ra ilus­trar que cri­am de­sa­fi­os que não po­dem
ser re­sol­vi­dos sem um tra­ba­lho gran­de por par­te dos ati­vis­tas e de­fen­so­res
dos tra­ba­lha­do­res do se­xo”.

E dis­se aos que que­rem a in­tro­dução em lar­ga es­ca­la do tra­ta­men­to co­mo
pre­venção e PrEP: “É ne­cessário fo­car­mo-nos nos de­sa­fi­os no con­tex­to mais
am­plo do tra­ba­lho se­xu­al e não ape­nas em fa­zer che­gar os pro­du­tos aos 
tra­ba­lha­do­res do se­xo”.

### Re­ferênci­as

Ba­ral S et al. _High and dis­pro­por­ti­o­na­te bur­den of HIV among fe­ma­le sex
wor­kers in low- and mid­dle-in­co­me coun­tri­es: a sys­te­ma­tic re­vi­ew and 
me­ta-analy­sis_. 19ª Con­ferência In­ter­na­ci­o­nal da AIDS, re­su­mo THAC0501,
2012.

Os da­dos fo­ram pu­bli­ca­dos si­mul­ta­ne­a­men­te num jor­nal:

Ba­ral S et al. [_Bur­den of HIV among fe­ma­le sex wor­kers in low-in­co­me and mid­dle-in­co­me coun­tri­es: a sys­te­ma­tic re­vi­ew and me­ta-analy­sis._](http://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099%2812%2970066-X/)
Lan­cet In­fec­ti­ous Di­se­a­ses 12: 538-549, 2012. (Re­gis­tro gra­tui­to ne­cessário
pa­ra ler o tex­to in­te­gral­men­te).

Wirtz AL et al. _Mo­de­ling the im­pacts of a com­prehen­si­ve com­mu­nity em­power­ment-
ba­sed, HIV pre­ven­ti­on in­ter­ven­ti­on for fe­ma­le sex wor­kers in ge­ne­ra­li­zed
and con­cen­tra­ted epi­de­mics: in­fec­ti­ons aver­ted among sex wor­kers and adults._
19ª Con­ferência In­ter­na­ci­o­nal da AIDS, re­su­mo THAC0502, 2012.

Wirtz AL et al. _Mo­de­ling the im­pacts on HIV in­fec­ti­on among fe­ma­le sex 
wor­kers via the ex­pan­si­on of an­ti­re­tro­vi­ral the­rapy among all adults._
19ª Con­ferência In­ter­na­ci­o­nal da AIDS, re­su­mo TU­PE182, 2012.

Overs C. _The Ti­de Can­not Be Tur­ned Without Us:  HIV Epi­de­mics Amongst Key 
Af­fec­ted Po­pu­la­ti­ons._ 19ª Con­ferência In­ter­na­ci­o­nal da AIDS, re­su­mo
TH­PL0102, 2012.

### Tra­dução

[_**GAT – Gru­po Por­tu­guês de Ac­ti­vis­ta so­bre Tra­ta­men­tos HIV/AIDS**_](http://www.gatportugal.org/)

## Leia também

 * [AIDS: à espera da cura](https://soropositivo.org/aids-a-espera-da-cura/)
 * [Portadores de HIV são discriminados na Holanda](https://soropositivo.org/portadores-de-hiv-sao-discriminados-na-holanda/)
 * [Os rumos da AIDS no Brasil e no mundo](https://soropositivo.org/os-rumos-da-aids-no-brasil-e-no-mundo/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

Views: 0

### _Relacionado_
