# Travestis e transexuais poderão usar nome social nas escolas públicas de Alagoas

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- Published: 2010-03-02T17:03:52-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Travestis e transexuais de Alagoas terão direito a utilizar o nome social nas escolas
públicas do Estado. A mudança passa a vigorar, de fato, quando for publicada no 
Diário Oficial, o que deve acontecer nesta semana.

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 * [UOL](https://soropositivo.org/travestis-e-transexuais-poderao-usar-nome-social-nas-escolas-publicas-de-alagoas/#uol)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/travestis-e-transexuais-poderao-usar-nome-social-nas-escolas-publicas-de-alagoas/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/travestis-e-transexuais-poderao-usar-nome-social-nas-escolas-publicas-de-alagoas/#relacionado)

A medida foi aprovada pelo CEE (Conselho Estadual de Educação) na última terça-feira(
23). O pedido foi feito pela ONG Pró-Vida LGBT em janeiro de 2009. Após esse período
de análise, os conselheiros decidiram garantir a travestis e transexuais o direito
de serem chamadas pelo nome feminino que adotam socialmente — e não o masculino 
da certidão de nascimento.

Relatora do processo no CEE, Bárbara Deodora acredita que o respeito à diversidade
sexual é um passo crucial para garantir a inclusão dos **homossexuais** nas escolas.“
A homofobia priva os travestis do direito básico à educação e provoca isolamento.
Ser reconhecido pelo nome social devolve o direito à cidadania”, disse.

Pela decisão, o nome social de travestis e transexuais deve ser inserido nos documentos
internos, como cadernetas escolares e provas, com exceção apenas do histórico escolar
e do diploma – que devem conter o nome original e uma referência ao nome social.

Para solicitar a mudança, basta fazer a solicitação por escrito. No caso de menores
de 18 anos, o pedido deve ser feito pelos pais ou responsáveis.

Crescimento da violência

A medida chega em momento de crescimento da violência contra **homossexuais** no
Estado. Segundo um levantamento do Grupo **Gay** da Bahia, o Alagoas liderou o ranking
de assassinatos em janeiro, registrando cinco das 13 mortes do país no primeiro 
mês de 2010. No ano passado, o Estado registrou 12 crimes, ficando – proporcionalmente–
entre os cinco mais violentos do país.

Para o diretor da ONG Pró-Vida LGBT, Dino Alves, a mudança aprovada pode ajudar 
a reduzir as mortes tirando travestis e transexuais da exclusão social. “Por que
eles não têm acesso ao mercado de trabalho? Porque falta qualificação, que depende
do ensino básico. Ou seja, [com essa medida] reduz a situação de vulnerabilidade”,
ressaltou.

> “Essa decisão é marco histórico. Mas é importante dizer que, enquanto esse projeto
> tramitava no Conselho, outros estados aprovaram medida semelhante e as colocaram
> em prática”, disse. Para ele, a decisão demorou “muito”.

Alves conta que percebeu o problema ao analisar a pouca frequência escolar de travestis
e transexuais. “Eu sentia a dificuldade deles nas escolas. Quando era anunciado 
o nome na chamada, se tornava motivo de gozação. No banheiro, os meninos sempre 
tinham a história de que os travestis e transexuais iam lá para ficar vendo os pênis
deles. Já as meninas inventavam que elas tinham **AIDS**. Ou seja, um ambiente de
preconceito que levava à desistência”, explicou.

Preconceito leva à evasão

Depois de muito se esconder, a estudante do segundo ano do ensino médio, Bianca 
Lima, conseguiu ser chamada pelo nome social na escola Maribondo, na periferia Maceió.
Mas, para vencer o preconceito e convencer diretores, professores e colegas, foram
necessários diálogo e insistência.

“Tenho 26 anos e não conclui o ensino médio antes por conta do preconceito, das 
humilhações que passava. Eu acabava desistindo de frenquentar as aulas”, conta Bianca.“
Agora, consegui, após muita discussão, convencer a me chamarem por Bianca.”

Ela relembra que, por vários anos, abandonou a escola para fugir da gozação de colegas
e até de professores. Curiosamente, o fato que mais lhe marcou veio de um **HOMOSSEXUAL**:“
Tive um professor que, apesar de ser **gay**, não aceitava me chamar pelo nome que
adotei. O preconceito existe dos **homossexuais** também, porque sou um **gay** 
que me visto de mulher”, disse.

Com a determinação, Bianca diz que vai enfrentar menos preconceito. “Não vou mais
precisar ficar convencendo as pessoas na chamada para dizer meu nome social. Será
obrigatório. Não vou mais me preocupar em descobrirem meu nome na escola e ficarem
fazendo brincadeiras preconceituosas. Com a medida, já penso até em mudar para uma
escola mais próxima de casa. Agora vou enfrentar apenas o preconceito fora da escola”,
afirmou Bianca.

 

 

 

 

 

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  |  **Editoria:** |  **Pág.** |  **Dia / Mês/Ano:** |  
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**EDUCAÇÃO**

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**02/MARÇO/2020**

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## Leia também

 * [Travestis e Transsexuais: Nome social nas escolas públicas](https://soropositivo.org/travestis-e-transsexuais-nome-social-nas-escolas-publicas/)
 * [Servidores travestis poderão usar nome social](https://soropositivo.org/servidores-travestis-poderao-usar-nome-social/)
 * [Direito de usar o nome social em vez do de batismo começa a beneficiar pessoas em todo o país](https://soropositivo.org/direito-de-usar-o-nome-social-em-vez-do-de-batismo-comeca-a-beneficiar-pessoas-em-todo-o-pais/)
 * [Nome social é direito adquirido por lei – Respeite isso](https://soropositivo.org/nome-social-e-direito-adquirido-por-lei-respeite-isso/)

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