# Troca de cartas amorosas ajuda presas a resgatar a sexualidade e se protegerem do HIV

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- Published: 2010-03-23T15:05:26-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 12 dias.

 O “castelar” – fenômeno em que mulheres presas constroem, por meio de cartas, histórias
imaginárias de amor com direito até de se encontrar com o príncipe encantado num
castelo – foi apresentado em Lisboa pela brasileira Márcia de Lima como possibilidade
resgatar a sexualidade das reclusas e prevenir o **HIV**.

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 Numa manhã fria e chuvosa dentro da Penitenciária Feminina da Capital – São Paulo,
Roberta (nome fictício) nem se lembra dos longos anos que ainda terá que ficar presa.
Ela está ansiosa para receber uma carta de amor que vem de outro presídio do Estado.

 Há alguns meses, Roberta começou a “castelar” com um homem que nunca viu pessoalmente,
mas que já sonha em casar, com direito a uma grande festa na praia, muita comida,
bebida e, claro, vestida de branco e perfumada com aromas de rosas vermelhas.

 Além de distrair milhares de presas como Roberta, o castelar, que vem da ideia 
de criar um castelo, resgatou a sexualidade e contribuiu para a discussão da prevenção
do **HIV** e de outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (**DST**) entre as reclusas,
explicou a técnica em saúde Márcia de Lima. Representando a unidade Santana do Serviço
de Assistência Especializada em **DST**/**AIDS** da Prefeitura de São Paulo, Lima
ganhou destaque entre as apresentações do III Congresso da Comunidade de Países 
de Lingua Portuguesa sobre **HIV**/**AIDS**, que terminou na semana passada em Lisboa,
Portugal.

 “Quando falamos no castelar, os olhos das presas brilham. Elas consideram uma viagem
com a caneta. Pela troca de cartas elas conseguem imaginar até o tipo de sexo que
desejam”, disse a palestrante.

 Inspiração para a pesquisa do seu mestrado em 2004 e do seu atual doutorado, Lima
contou que a descoberta do castelar surgiu pela percepção da baixa adesão das presas
ao serviço de visita íntima.

 Segundo a técnica em saúde, apesar de ser uma grande conquista para as internas,
a visita íntima liberada para elas em 2001 é muito mais desconfortável em comparação
as que os homens recebem, já que as presas só têm direito a essa regalia uma vez
por mês num período máximo de duas horas e com a obrigatoriedade de ser com o já
determinado parceiro fixo.

 “Percebemos que dessa maneira tão regrada elas não gostavam, além do que o fato
de estarem presas e de certa forma serem as mais interessadas pela visita, o poder
delas em exigir o **PRESERVATIVO** diminuía muito”, disse Lima.

 Entretanto, no castelar não há espaço para brigas nem para o medo da infecção do**
HIV**, explicou a palestrante.

“É um arranjo que elas encontraram para viver um amor de verdade e protegido”.

Assim como Roberta, a maioria das presas que castelam acredita que quando saírem
das prisões terão seus amores esperando nas portas dos presídios para colocarem 
em prática a construção do castelo que sonharam durante muito tempo.

 **AIDS** nos presídios femininos

Em 2006, uma grande campanha pelo fim da violência contra as mulheres divulgou alguns
dados sobre as mulheres encarceradas.

 Segundo essa campanha, a população prisional feminina do Estado de São Paulo era
composta por mulheres jovens (77% tinham menos de 35 anos), 53% delas afro-descendentes,
com baixo grau de escolaridade (84% não ultrapassaram o ensino fundamental/1º grau),
com internações anteriores em instituições como a FEBEM (54%), histórico de violência
conjugal (51%) e maternidade precoce (78% delas foram mães antes dos 21 anos).

 A incidência de **HIV**/**AIDS** nos presídios femininos do Estado de São Paulo
estava em torno de 18%, contra 11% entre dos homens.

 

**AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS | **
 AIDS | DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS | 
CONTRACEPTIVOS  22/03/2010

## Leia também

 * [Unaids realiza ações para capacitar mulheres e meninas a se protegerem do HIV](https://soropositivo.org/unaids-realiza-acoes-para-capacitar-mulheres-e-meninas-a-se-protegerem-do-hiv/)
 * [Projeto tenta resgatar “vida” dos órfãos da Aids](https://soropositivo.org/projeto-tenta-resgatar-vida-dos-orfaos-da-aids/)
 * [O coquetel do dia seguinte](https://soropositivo.org/o-coquetel-do-dia-seguinte/)

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