# Um futuro mais tranquilo para os jovens

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- Published: 2010-02-01T14:19:43-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Os jovens de hoje estão preocupados com o mercado de trabalho e com a violência,
mas estudo publicado na semana passada prevê uma realidade melhor em 20 anos, com
redução da pressão por abertura de novas vagas

 

Luiza Seixas

 

A principal preocupação dos jovens de hoje em relação ao futuro é de como será o
mercado de trabalho. Eles acreditam que, se hoje a competição já é grande, daqui
a alguns anos a briga por uma vaga será ainda mais acirrada. As pessoas terão que
se destacar mais e ter uma especialização no setor em que pretendem trabalhar. Outro
ponto que também vem assustando a juventude brasileira é a violência, que cresce
cada vez mais. Mas, de acordo com uma publicação divulgada esta semana, a realidade
dos jovens pode ser diferente nos próximos 20 anos. Os dados foram levantados pelo
Fundo de População das Nações Unidas, pela Secretaria Nacional de Juventude, pela
Universidade de Brasília e pela Caixa Seguros.

 

 

Diante da realidade atual, o estudante de administração Bruno da Cruz Portes, 20
anos, nem pensa em ter filhos, pois teme o futuro deles. Atualmente, ele trabalha
em um laboratório de análises, mas garante que entre seu grupo de amigos, é um dos
poucos que está empregado.

 

 

“O mercado está muito competitivo. Se hoje eu já vejo muita gente correndo atrás
e tendo dificuldade de entrar no mercado de trabalho, fico imaginando como vai ser
daqui a alguns anos”, disse. “Fico preocupado também com a violência no país. Na
última sexta-feira eu fui vítima de um assalto. Não vou colocar filho no mundo para
ficar preocupado com essas coisas”, completa Bruno.

 

 

A estudante Ana Carolina Souza, 16 anos, sentiu na pele a dificuldade de entrar 
no mercado de trabalho. Para ajudar em casa, há mais de seis meses ela vinha procurando
emprego e só nesta semana recebeu a notícia de que uma lanchonete a contrataria.
O aviso deixou Ana feliz, mas a demora em chegar fez com que ela ficasse desanimada
em relação ao futuro. “Para demorar assim só tem duas explicações: ou tem muita 
gente querendo ou falta vaga para todo mundo. Acredito que a tendência desse problema
é crescer”, destaca.

 

 

Futuro diferente

 

 

O livro A juventude brasileira no contexto atual e em cenário futuro afirma que 
até 2030 os jovens terão menor participação no mercado de trabalho, maior escolaridade,
porém pouco avanço na redução da mortalidade causada por fatores externos, como 
violência e acidentes.

 

 

Segundo a representante do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), Taís Freitas
Santos, o país está passando por uma mudança em termos demográficos. E, como destacou,
a população brasileira, a exemplo de populações desenvolvidas e em desenvolvimento,
está vivenciando um declínio de fecundidade. “Esse processo nos outros países levou
cerca de 100 anos e no Brasil acontece em 30 anos. Isso implica em cada vez menos
jovem e em uma tendência de envelhecimento da população”, afirma.

 

 

Essa redução resulta, como explicou, em relação ao mercado de trabalho, em um contínuo
crescimento da população em idade ativa, que vai de 10 a 59 anos, passando de 53
milhões de pessoas em 2006 para 56,6 milhões em 2030. Mas a demanda de jovens entre
15 e 24 anos nesse universo cairá de 21,5% para 14,3%, reduzindo assim a pressão
por abertura de novas vagas. Hoje são necessárias mais de 1 milhão de vagas para
absorver as pessoas que buscam o primeiro emprego.

 

 

Ela ressalta ainda que no futuro há uma expectativa maior de igualdade de gêneros
no mercado de trabalho, decorrente do atual índice de escolaridade das mulheres,
que tem crescido bastante. “Hoje, as mulheres têm um nível de escolaridade maior
que os homens, mas têm empregos piores. E, quando o posto ocupado é o mesmo, o salário
é menor”, afirma.

 

 

Apesar desses pontos positivos, a mortalidade de faixa da população por causas externas,
que hoje já é grande, pode aumentar ainda mais. “Se nada for feito, a tendência 
é aumentar cada vez mais. É preciso realizar investimentos, como criar empregos 
para dissolver essa população, para que esse fator diminua”, completa.

 

 

A redução por estado

 

 

Percentual de redução de jovens entre 2006 e 2020

 

 

Manaus – 16,8%

 

 

Belém – 15%

 

 

Teresina – 25,3%

 

 

Fortaleza – 11,4%

 

 

Recife – 12,4%

 

 

Salvador – 21,5%

 

 

Belo Horizonte – 13,4%

 

 

Rio de Janeiro – 6,7%

 

 

São Paulo – 9,3%

 

 

Curitiba – 16,8%

 

 

Porto Alegre – 10,6%

 

 

Goiânia – 31,2%

 

 

Brasília – 30%

 

 

Fonte: juventude brasileira no contexto atual e em cenário futuro

 

 

 

Menos analfabetos

 

 

O estudo mostra ainda que o número de analfabetos entre 15 e 24 anos poderá cair
entre 28% e 83,5% até 2030, resultando em uma taxa de analfabetismo quase nula. 
Em relação à saúde, a análise indica que são necesárias políticas públicas especificas
e contínuas. Pois, se por um lado possuem um maior acesso ao sistema de saúde, por
outro, encontram-se mais vulneráveis e expostos à gravidez precoce e à infecção 
pelo **HIV**/**AIDS**.Para Taís, o livro traz duas vantagens: tratar a juventude
além do cenário atual e fornecer termos para o futuro e não trabalhar apenas em 
um agregado, mas chegar no nível de regiões metropolitanas, com dados das nove maiores
regiões e de quatro capitais: Brasília, Goiânia, Manaus e Teresina.

 

 

“Outro grande problema que a gente vê é que as políticas são elaboradas apenas em
determinado governo, e o nosso grande desafio é transformá-las em políticas de estado,
pois assim você tem um comprometimento maior. Quando é de governo, no momento em
que ele termina, o compromisso muda”, explica Taís.

 

 

A publicação projeta uma redução de 18,3% do total de jovens na população brasileira
até 2030. Essa queda deverá ser mais expressiva nas regiões metropolitanas de Brasília
e Goiânia.

 

 

 

 

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**01/FEVEREIRO/2010**

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## Leia também

 * [Um retrato da juventude](https://soropositivo.org/um-retrato-da-juventude/)
 * [Preconceito e emprego são desafios para jovens com HIV](https://soropositivo.org/preconceito-e-emprego-sao-desafios-para-jovens-com-hiv/)
 * [A discriminação do portador de HIV ou AIDS no Mercado de Trabalho](https://soropositivo.org/a-discriminacao-do-portador-de-hiv-ou-aids-no-mercado-de-trabalho/)

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