# Uma nova arma contra a hepatite B

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- Published: 2009-10-28T19:41:18-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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Novo medicamento será distribuído pelo SUS, após intervenção do Ministério da Saúde

DA REDAÇÃO

 

Os portadores de HEPATITE B no Brasil terão um novo e potente aliado contra a doença:
o medicamento Tenofovir, já utilizado nos Estados Unidos e na Europa. Seu uso no
Brasil, porém, segundo o Ministério da Saúde, esbarrava na resistência do fabricante
estrangeiro, que relutava em pedir autorização da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária para que o produtos fosse usado no Brasil para combater a HEPATITE B. 
Ele será distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 

 

Até então, o medicamento só era permitido no Brasil para uso e pacientes portadores
de **AIDS**. Ou para pacientes que tivessem as duas doenças. O pedido para que o
medicamento pudesse ser destinado também a doentes hepáticos foi feito à Anvisa 
pelo próprio Ministério da Saúde.

 

 

 * A hipótese mais provável é a de que havia um acordo entre empresas, dividindo
   o mercado brasileiro – disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sobre 
   a resistência da fabricante.

 

 

Segundo Temporão, a Gilead, multinacional americana que fabrica o remédio, não entraria
no mercado de tratamento da hepatite no Brasil, deixando espaço para outros fabricantes.
Com a iniciativa do ministério, o suposto acerto foi minado. A previsão é de que
pelo menos 2,5 mil pessoas com HEPATITE B recebam esse medicamento, já no início
do ano que vem.

 

 

 * Nesse caso, o Brasil coloca, mais uma vez, o interesse da saúde acima dos interesses
   da indústria farmacêutica. Não tem sentido não garantirmos o acesso a uma melhor
   terapia aos pacientes brasileiros por uma questão mercado – disse o ministro 
   José Gomes Temporão.

 

 

Mais opções Além do Tenofovir, os portadores da HEPATITE B contarão com novas opções
para tratamento – dois medicamentos antivirais (Entecavir e Adefovir) – que associados
a outros dois já adotados pelo SUS (Lamivudina e Interferon), ampliam as alternativas
de tratamento.

 

 

As drogas fazem parte do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Hepatite 
Viral Crônica B e Coinfecções, lançado pelo ontem pelo Ministério da Saúde.

 

 

Dados do Inquérito Nacional de Seroprevalência das Hepatites Virais mostram que 
11,5% da população das capitais brasileiras com idade de 20 a 69 anos já teve contato
com o vírus responsável pelo tipo B da doença. Na população de 10 a 19 anos, a incidência
foi de 1,14%.

 

 

A evolução para a forma crônica ocorre em aproximadamente 5% a 10% dos adultos expostos
ao vírus.

 

 

Associada ao consumo de álcool e ao fumo, à idade e ao histórico familiar, aumenta
o risco de cirrose e câncer no fígado. O tratamento, ao reduzir a replicação da 
carga viral e o dano hepático, diminui as chances de evolução para essas doenças
graves.

 

 

O último protocolo para tratamento de hepatites estava em vigor desde 2002. A publicação
do atual, associada à centralização da compra dos medicamentos pelo Ministério da
Saúde, estabelece uma nova política nacional para o tratamento da doença. Ele deve
pautar a atuação de hepatologistas e infectologistas de todo o país.

 

 

Em recente negociação, finalizada em outubro, o Ministério da Saúde reduziu em 31,1%
o valor pago pelo comprimido de Tenofovir.

 

 

Passou de US$ 2,54 para US$ 1,75, o que gerou uma redução de gasto de R$ 42,4 milhões
para o orçamento de 2010. Com essa gestão, a pasta pode destinar parte dos recursos–
cerca de R$ 20 milhões – para atender os portadores de HEPATITE B crônica no próximo
ano sem grande impacto no orçamento, aumentando a eficiência do gasto.

 

 

Segundo o ministério, estudos internacionais mostraram que o antirretroviral Tenofovir,
usado na terapia contra **AIDS** no país desde julho de 2003, apresenta boa resposta
para supressão do vírus da HEPATITE B.

 

 

 * O Tenofovir tem alta potência para suprimir o vírus da HEPATITE B.

 

 

Além disso, tem uma boa barreira genética. Quer dizer, até hoje não há registro 
de resistência contra ela. Outra vantagem é que basta tomar um comprimido por dia–
diz Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST/**AIDS** e Hepatites Virais
do Ministério da Saúde.

 

 

Ainda de acordo com o ministério, as vantagens do Tenofovir não se restringem à 
melhor alternativa de tratamento. Como a patente do medicamento não foi concedida
pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em 2008, em seguimento 
à manifestação de interesse público e subsídios técnicos do Ministério da Saúde,
o Brasil está se organizando por meio de uma parceria público-privada para a produção
nacional, prevista para o próximo ano.

 

11,5% da população das capitais brasileiras entre 20 a 69 anos já teve contato com
o vírus

 

R$ 42,4 milhões é a economia feita pelo governo com a negociação do valor do remédio
Tenofovir

 

2,5 mil pessoas devem começar a receber o medicamento gratuitamente no começo do
ano que vem

 

 

Como evitar a doença

 

Vacina – A vacina contra HEPATITE B é uma das principais medidas de prevenção contra
a doença. Após três doses, mais de 90% dos adultos jovens e 95% das crianças e adolescentes
ficam imunizados. Ela é oferecida na rede pública à pessoas com até 19 anos desde
1998.

 

 

Também está indicada para grupos específicos, como profissionais de saúde, independentemente
da faixa etária. A vacina é encontrada em clínicas privadas.

 

Formas de transmissão A hepatite viral B é transmitida por sangue, esperma e secreção
vaginal. Assim, a transmissão pode ocorrer pela relação sexual desprotegida, pelo
compartilhamento de objetos contaminados como lâminas de barbear e de depilar, escovas
de dente, alicates de unha, materiais para colocação de piercing e para confecção
de tatuagens e instrumentos para uso de drogas injetáveis. Há risco ainda em procedimentos
cirúrgicos, odontológicos e de hemodiálise, em que não se aplicam as normas adequadas
de biossegurança. A transmissão via transfusão de sangue e hemoderivados é rara 
em face da triagem sorológica nos bancos de sangue.

 

Campanha Assim como para a prevenção da **AIDS**, o MS vai intensificar seus materiais
informativos de prevenção para HEPATITE B durante o carnaval. Salões de beleza e
estúdios de tatuagem também serão espaços estratégicos para a divulgação de informações
sobre a prevenção da doença.

 

Aguda ou crônica A infecção pelo vírus da HEPATITE B pode tornar-se crônica. Cerca
de 30% dos adultos expostos ao vírus apresentam os sintomas da forma aguda – icterícia(
cor amarela da pele e do branco dos olhos), febre, mal estar, náuseas, vômitos, 
dor nos músculos, urina escura e fezes claras. Essa porcentagem é menor entre as
crianças. A confirmação do diagnóstico se dá por meio de testes sorológicos.

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## Leia também

 * [Nova arma contra a Aids](https://soropositivo.org/nova-arma-contra-a-aids/)
 * [Droga para Aids será usada no tratamento de hepatite (26/10/2009)](https://soropositivo.org/droga-para-aids-sera-usada-no-tratamento-de-hepatite-26-10-2009/)
 * [Vigilância aprova venda de nova droga contra hepatite C no Brasil](https://soropositivo.org/vigilancia-aprova-venda-de-nova-droga-contra-hepatite-c-no-brasil/)

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