Uma página para Marta: Uma Amiga sem igual

Oi Marta… Ontem eu fiquei sem palavras para te dizer depois deste estímulo, porque este não é um comentário simples, é um estímulo. E eu preciso tanto de estímulos… Sabe, se a empresa que administra o WordPress não tivesse renovado o grande gesto de bondade da parte deles, que eu busco fazer por merecer todos os dias, este blog teria sido encerrado em maio próximo.  As pessoas não imaginam o quão estreita é a corda bamba por onde eu me desloco com este blog e sua ajuda, ao longo dos meses, tem sido algo importantíssimo e ajuda muito em todos os aspetos.  As fotos que você compra para o blog, a US$ 01,00/cada é um pequeno exemplo do que seu coração tão grande oferece e, eu acho que fiquei bobo, mas descobri em você a Irmã que minha irmã Cecília não foi, não é e nunca será. Mas você pergunta:

 

” O que seria dessas pessoas sem o auxílio do Cláudio?”

Eu penso que ele providenciaria outra pessoa, sei lá.

O caso é que eu posso exemplificar minhas ações com base em algumas ilações:

Houve um tempo em que eu morei com uma moça em Cotia, um satélite da cidade de São Paulo e a vida era boa por lá, por isso eu gostava muito de estar lá. O lugar era bonirto e, para aqueles tempos, a companhia era perfeit

a. pena que a perfeição neste mundo é relativa e provisória….

Na época eu era DJ de uma casa GLS, a Sky e, no domingo a casa fechava às 01:00. Esta era a matinê…

Mas eu tinha de pegar o último trem para uma outra cidade, que eu creio, era Francisco Morato. Depois eu vou checar isso.

Eu me lembro que, para chegar em casa depois da matinê eu apostava uma corrida contra o relógio, onde eu pegava o último trem e, depois de desembarcar dele eu tinha de sair em desabalada carreira para pegar o maldito ônibus, que era o último.

Isso funcionava muito bem até o dia em que o trem, por alguma razão de ordem ferroviária simplesmente parou a 500 metros do seu destino final por cinco minutos e arrasou com minha rotina.

Eu não ganhava o bastante para tomar um taxi e me decidi por ir a pé, eram apenas 4 quilômetros e eu poderia percorrer este percurso em cerca de 50 minutos e tomei coragem e saí em direção à “minha casa”.

E quando eu entrei na estrada que levava até esta casa eu vi que ao deixar o “centro da cidade” e alguns carros passavam, lançando “alguma luz no caminho” e em menos de cinco minutos de caminhada a luz acabava e tudo se tornava em trevas que pareciam e eram tão avassaladoras que tudo parecia impenetrável, medonho e aterrador… e eu decidi retroceder.

 

Em 1994 eu me defrontei com trevas similares, aterradoras, medonhas e impenetráveis, com a diferença que eu não tinha a opção de retroceder e, compelido assim, nada me restou senão ir em frente, com medo, cheio de dúvidas, sem nenhum conhecimento de nada, de tal forma ignorante sobre HIV e AIDS que eu pensava, como está neste texto a frase: Quanto à AIDS, ‘se pegar, pegou… foda-se, eu não tenho medo de morrer’ e, ainda, réu confesso, em outro texto isso:

Eu menciono uma ocasião onde eu estava num motel e, na hora da penetração eu bati com o olhar num lado da cama, uma pilha de preservativos, olhei, não sei porque, para o outro lado e, outra pilha de preservativos. Pensei:

Foda-se! Se pegar, pegou!

E peguei mesmo! Só não foi naquela relação, foi em outra e, depois de ter vivido tudo isso da forma intensa que eu vivi, eu “temo a cura”, pois eu creio que, agora, eu perderia até o senso de minha vida e certamente eu correria o risco de sofrer a triste dor de quem perderia a identidade pela terceira vez…

Eu não posso suportar isso e sei que quase ninguém entenderá esta frase (…).

Bem, em 1997 eu conheci a Mara, numa sequência de ” coincidências extraordinárias e nos tornamos, inicialmente, amigos.

Em 1998 ela, a Mara, vendo-me em terríveis dificuldades matérias me sugeriu que eu fizesse um site e depois de um pequeno colóquio, eu me decidi a fazer sites.

Para ganhar a vida, ela acreditou e, é verdade, depois deste site aqui, eu acabei construindo outros e, com efeito, ganhei algum dinheiro.

Mas eu aprendi a fazer sites com a finalidade de colocar este aqui na Internet, tentando, ainda que precariamente, uma espécie de farol, diante dos recifes, de forma que outros não tenham de enfrentar trevas tão densas e assustadoras e este site, ou blog, como queiram, permaneceu como único site pessoal a tratar de HIV, AIDS, outras DST’s, janela imunológica e outros assuntos pelo menos até 2012, disso eu tenho certeza, e acumulei mais de 3.500 artigos, a maioria hoje off line pois já deixou de ter relevância ou que poderiam até mesmo induzir pessoas, e mesmo médicos, a erros de proporções irreparáveis e eu recebi, um dia atrás, um comentário que me emocionou tanto quanto o seu, que ontem me deixou sem palavras, e que está aqui.

Vale mais o que ele disse para mim de mim do que a doação que ele fará para mim.

Até há alguns anos atrás eu ainda dava e daria conta de fazer algum trabalho, mesmo que fosse o de vender refrigerante em avenidas (creia eu faria isso para viver se não estivesse tão doente com esta infame neuropatia periférica), mas não dá mais!

E a ajuda que você me dá, mensalmente (!!!!!!!!!) é uma ajuda muito importante, porque é daí que eu tiro valores para comprar fotos, é daí que eu tiro valores para pagar licenças de softwares (plug ins, na verdade) e eu não teria como fazer estas coisas sem sua ajuda.

 

Muito obrigado, muito obrigado e muito obrigado!

 

Eu estou colocando, aqui, uma imagem que mostra os milhares de postagens para mostrar a todos que o maior banco de dados sobre a história da AIDS no0 Brasil e no mundo, que está nas mãos de uma pessoa física, sustentado com recursos pessoais sou eu, com este site.

 

E sem sua ajuda, sem a ajuda do WordPress talvez este banco de dados já tivesse desaparecido e peço a quem me lê que pense em avaliar meu trabalho e cogitar em dar um pequeno auxílio.

Isto, Marta querida! É tudo o que você protegeu, junto a outras pessoas, da completa extinção só em 2017:

protegido-em-2017

Se cada pessoa que entrasse aqui fizesse uma doação de R$ 0,10 eu teria poder econômico para criar até mesmo a minha tão sonhada ONG para tentar recolocar pessoas no mercado de trabalho, sonho que eu jamais pude realizar.

E ainda coloco este link, para que possam ver como tem sido a vida para mim e para muitos, o que é meu blog e a história da AIDS, contada por mim, é claro, um recado de leve para quem me detesta apenas porque eu discordo de determinadas e, posições “ortodoxas” e um aconselhamento com o regime de cautela que eu mantenho porque:

“Meninos, eu ví”!

E se há algo que eu não posso ser, é irresponsável e correr o risco de me tornar uma pessoa mais ou menos…