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Morreu, prematuramente, no últimosábado, dia vinte e um, aos 39 anos, Jucimara Moreira (foto à direita), uma das ativistas mais importantes na luta contra a aids no Brasil. Mara, como era conhecida, fazia parte do Grupo Pela Vidda Rio, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas e da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids. Há mais de um mês, estava internada em estado grave e não resistiu. Os ativistas, que com ela lutaram por respeito, contra o preconceito e por melhorias na saúde para as pessoas vivendo com HIV/aids, amanheceram de luto, neste domingo (22).

Mara fez muitos amigos, por quem foi muito querida. Sua morte causou manifestações de afeto e sentimentos nas redes sociais: “Mara praticamente encerra um ciclo de ativistas na luta contra a aids que fizeram de suas histórias uma pauta de ativismo, protagonismo e utopia. Mara em muitos momentos era um peixe fora d’água no GPV-RJ [Grupo Pela Vidda Rio], mas sempre resistia e não desistia. Às vezes, o estresse entre nós era brabo, mas fizemos muitas ações e projetos com muito êxito. Mara estará em paz, com certeza, pois ela plantou e colheu bons frutos. Mara presente!”, escreveu Márcio Villard, do Grupo Pela Vidda Rio, em sua página no Facebook.

Silvia Almeida, do GIV (Grupo de Incentivo à Vida), lembra com doçura o momento em que a conheceu e também lamenta a perda: “Conheci a Mara num encontro das Cidadãs Posithivas. Era sua primeira participação e tudo era novidade para ela. Carioca, trazida ao movimento por Aninha, outra companheira do Rio, Mara se encantou! Em pouco tempo, já era secretária do Movimento das Cidadãs, assim como atuante do Pela Vidda Rio, dando seu melhor. Riso largo e fácil… Posso fechar os olhos e ouvir sua risada alta e contagiante. Vai fazer falta, mas o céu ganhou uma guerreira”.

Sobre Mara

Soropositiva desde os 18 anos, Jucimara cursou teologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e começou o tratamento com os medicamentos antirretrovirais em 8 de agosto de 1995, 1 ano e 3 meses antes de ser aprovada a lei (nº 9.313/96) que garantiu o acesso universal a todas as pessoas vivendo com aids.

Além das lutas que enfrentava por todas as pessoas com HIV, a ativista batalhava contra a falência terapêutica e a lipodistrofia. Mara também teve parte de sua história relatada em uma das novelas da “Globo”, “Páginas da Vida”, que foi ao ar em 2007.

Em 2014, em uma das homenagens que a Agência de Notícias da Aids fez no Dia do Médico, Mara, demonstrando a importância de sua militância, também deu seu depoimento: “Existem vários médicos que gostaria de homenagear neste dia tão especial, como Leonardo Maia, Brenda Hoagland, Sandra Wagner, Valdiléia Veloso, entre outros que, com seus esforços na luta contra esta epidemia, nos encorajam a continuar na luta. E que eles nunca desistam de nós, pois precisamos cada vez mais de médicos como estes: competentes, sem preconceito, valorosos nesta luta tão árdua e militantes nesta causa que não é só nossa e sim de todos nós. Precisamos cada dia mais de novos médicos que sejam infectados com o vírus da militância contra esta epidemia”.

 

 Veja outras manifestações de luto nas redes sociais:


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