De acordo com um pequeno estudo, realizado no norte do Uganda e publicado na 31ª edição de Maio da revista AIDS, as crianças refugiadas seropositivas para o VIH que iniciam a terapêutica anti-retroviral podem alcançar resultados tão bons como os conseguidos pelas crianças tratadas em locais politicamente estáveis. No entanto, os investigadores observam que manter os bons resultados nesta população é um desafio, particularmente devido às suas deslocações.

De acordo com os últimos números divulgados, estima-se que, a nível mundial, aproximadamente 2.5 milhões de crianças estão infectadas com o VIH e que apenas 200.000 têm acesso à terapêutica anti-retroviral.
Nos países africanos, devido aos conflitos armados a mortalidade infantil é elevada e esta taxa pode aumentar ainda mais devido à infecção pelo VIH.
Na República Democrática do Congo comprovou-se que os adultos seropositivos para o VIH que residem nas zonas de conflito armado podem receber tratamento e alcançar resultados imunológicos igualmente bons, quando comparados com adultos que residem em zonas politicamente estabilizadas. Até à data, não existe informação disponível sobre a utilização terapêutica anti-retroviral em crianças com VIH em zonas de conflito. Há mais de 20 anos que o norte do Uganda tem permanecido em instabilidade política e pensa-se que entre 2002 e 2008, cerca de 1.6 milhões de pessoas desta região foram deslocadas e vivem em campos de refugiados.
Em 2005, a The AIDS Support Organization (TASO) iniciou a distribuição de terapêutica anti-retroviral nestes campos, tendo actualmente um dos maiores programas de distribuição gratuita de terapêutica anti-retroviral, nesta área.
Os investigadores desta organização pretendiam avaliar os resultados da introdução da terapêutica anti-retroviral nas crianças que se encontravam nestes campos. Por conseguinte, começaram a observar as alterações na contagem e na percentagem das células CD4, as taxas de mortalidade e a percentagem de ocorrência de infecções oportunistas nas crianças que tinham iniciado a terapêutica.
Em Fevereiro de 2008, a TASO tinha distribuído TAR a 57 crianças. A média de idade situava-se nos 8 anos e o período médio de observação, após o início da toma, foi de 227 dias.
Todas as crianças, 60% das quais eram raparigas, receberam uma combinação terapêutica de dois INTR e um INNTR. Destas, 25 (44%) tinham perdido um ou ambos os progenitores.
Os investigadores concluíram que, quer os órfãos, quer os não-órfãos, tinham alterações comparáveis tanto na contagem e na percentagem das células CD4, como no peso, após o início da terapêutica anti-retroviral. A percentagem de adesão foi excelente, com 92% das crianças a cumprirem o objectivo dos 95% ou mais na toma das doses. Foram diagnosticados três casos de tuberculose antes do início da terapêutica e um caso após o início do tratamento.
Os investigadores afirmam que “os nossos resultados são consistentes com os de outros pequenos estudos coorte efectuados em zonas politicamente estáveis da África Subsariana”.
Inicialmente, as linhas orientadoras indicavam não ser viável a administração da TAR em zonas em situação de emergência. Mas os investigadores afirmam que “actualmente, começam a surgir evidências que provam que tratar as pessoas seropositivas nestes locais é imperativo, tanto do ponto de vista da saúde pública como de uma perspectiva humanitária”. Na realidade, o Alto-comissário para os Refugiados das Nações Unidas desenvolveu recentemente linhas orientadoras operacionais para a administração da terapêutica anti-retroviral em populações deslocadas.
Os investigadores da TASO referem que os movimentos populacionais poderão ser um problema para os seus doentes e durante 2008 esperam que 35% das pessoas sejam realojadas, 45% poderão estar em trânsito e apenas 20% permanecerão nos campos. Assim, os investigadores concluem que “as medidas de base comunitária e os procedimentos clínicos devem ser postos em prática de forma a assegurar que famílias e crianças que sejam deslocadas para longe continuem a receber a sua combinação terapêutica sem interrupções”.
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