Início Ação Anti AIDS A trombocitopénia está associada às interrupções de tratamento: a replicação do VIH...

A trombocitopénia está associada às interrupções de tratamento: a replicação do VIH é uma das causas

0

Michael Carter

Investigadores franceses reportam, na 15a edição do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, que um quarto dos doentes que interrompem a terapêutica anti-retroviral desenvolve trombocitopénia.

pti_ptt_trombocitopenia  A trombocitopénia está associada às interrupções de tratamento: a replicação do VIH é uma das causas pti ptt trombocitopenia

“Até uma interrupção de poucas semanas pode levar a uma trombocitopénia grave”, comentam os investigadores.

O desenvolvimento da trombocitopénia durante as interrupções de tratamento foi correlacionado com a descida na contagem das células CD4 e o aumento da carga viral. Um estudo separado dos E.U.A., publicado na mesma edição do jornal e reportado no aidsmap.com, também constatou que uma carga viral detectável foi um factor de risco para o desenvolvimento da trombocitopénia.

A interrupção de tratamento não é uma estratégia de tratamento recomendável. Os resultados do estudo SMART provaram que as pessoas que não estavam em tratamento continuado tinham um risco significativamente mais elevado de desenvolver doenças relacionadas e não relacionadas com a infecção pelo VIH do que os que não o interrompiam.

A trombocitopénia – uma redução no número de plaquetas – pode ser um sintoma da infecção pelo VIH. Antes de a terapêutica anti-retroviral eficaz se tornar disponível, a trombocitopénia podia afectar 45% dos doentes com SIDA. Embora a sua incidência tenha diminuído com a introdução da terapêutica de combinação, a investigação mais recente sugere que cerca de 3% dos doentes ainda desenvolve este problema.

O risco de trombocitopénia durante as interrupções de tratamento não foi descrito previamente. Por isso, os investigadores do ensaio francês ANRS 106-Window analisaram a incidência e os factores de risco deste problema comparando doentes que interrompiam a terapêutica para o VIH e os que não a interrompiam. O estudo durou 96 semanas, com monitorização dos doentes a intervalos de oito semanas.

Um total de 391 doentes foram recrutados para o estudo e 197 estavam em tratamento intermitentemente, enquanto os outros nunca o interromperam. Não havia diferenças significativas entre os dois braços no início do estudo. Todos estavam sob terapêutica anti-retroviral estável, tinham uma carga viral indetectável e uma contagem média das células CD4 de 741/mm3.

A trombocitopénia era diagnosticada quando um doente tinha uma contagem das plaquetas inferior a 150 x 103/mm3 e a trombocitopénia grave se a contagem era abaixo de 50 x 103/mm3.

No total, 50 doentes (25%) dos que interrompiam a terapêutica desenvolveram trombocitopénia, em comparação com 19 (10%) dos que estavam em tratamento de modo continuado. Esta diferença foi muito significativa (p < 0,0001).

A trombocitopénia desenvolveu-se, em média, em apenas nove semanas entre os doentes que interrompiam o tratamento, em comparação com uma média de 40 semanas nos que não o interrompiam.

A trombocitopénia grave foi diagnosticada em 5% dos que estavam intermitentemente em tratamento e apenas em 1% dos que estavam de modo continuado (p = 0,03).

A análise estatística que controlou para possíveis factores aleatórios mostrou que o desenvolvimento da trombocitopénia foi associado significativamente às interrupções do tratamento (rácio de probabilidade 4,10; IC 95%: 2,14-7,85), a uma baixa contagem das plaquetas no início do estudo (rácio de probabilidade 3,41; IC 95%: 2,30-5,06) e a uma história prévia de trombocitopénia relacionada ao VIH (rácio de probabilidade 11,87; 95% CI: 2,43-57,93).

A contagem d plaquetas diminuiu rapidamente entre os que não estavam em tratamento de modo continuado e foram significativamente mais baixas neste grupo após a primeira interrupção (p < 0.001). A contagem das plaquetas aumentou subsequentemente quando o tratamento foi reiniciado. No entanto, no fim do estudo, os que estavam no braço da interrupção tiveram uma contagem mais baixa de plaquetas do que os que estavam em tratamento de modo continuado (p = 0,01).

Além disso, os investigadores constataram que as diminuições no número de plaquetas eram significativamente associadas à contagem das células CD4 (p < 0,0001) e à carga viral (p = 0,0005).

“Conseguimos mostrar que o risco de trombocitopénia é elevado entre os doentes que interrompem a terapêutica anti-retroviral, com uma incidência às 96 semanas de cerca de 25%”, comentam os investigadores.

Realçando que a contagem de plaquetas desceu rapidamente após a interrupção do tratamento, os investigadores escrevem, que “é importante…lembrar aos doentes e aos médicos que até uma curta interrupção do tratamento, mesmo de poucas semanas, pode levar ao desenvolvimento de uma trombocitopénia grave e as plaquetas têm de ser monitorizadas se a terapêutica tem de ser interrompida”.

Os investigadores sugerem, que “a descida na contagem das plaquetas observada durante cada interrupção da terapêutica é…provavelmente uma consequência directa da replicação pelo VIH”.

Os investigadores observam que as interrupções do tratamento devem ser “rigorosamente proibidas” aos doentes com contagens baixas de plaquetas e uma história prévia de trombocitopénia. Concluem, que “a trombocitopénia…é mais uma limitação da interrupção do tratamento, que deve ser evitada o mais possível”.

Referência

Bouldouyre M-A et al. Incidence and risk factors of thrombocytopenia in patients receiving intermittent antiretroviral therapy: a substudy of the ANRS 106-Window trial. J Acquire Immune Defic Syndr 52: 531-37, 2009.

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Artigo anteriorA circuncisão pode proteger contra o VIH devido a mudanças nas bactérias
Próximo artigoConheça o risco que alguns tipos de drogas oferecem à saúde
🌟 25 Anos de História e Dedicação! 🌟 Há mais de duas décadas, compartilho experiências, aprendizados e insights neste espaço que foi crescendo com o tempo. São 24 anos de dedicação, trazendo histórias da noite, reflexões e tudo o que pulsa no coração e na mente. Manter essa trajetória viva e acessível a todos sempre foi uma paixão, e agora, com a migração para o WordPress, estou dando um passo importante para manter esse legado digital acessível e atual. Se meu trabalho trouxe alguma inspiração, riso, ou reflexão para você, convido a fazer parte desta jornada! 🌈 Qualquer doação é bem-vinda para manter este espaço no ar, evoluindo sempre. Se VC quer falar comigo, faça um PIX de R$ 30,00 para solidariedade@soropositivo.org Eu não checo este e-mail. Vejo apenas se há recibos deste valor. Sou forçado a isso porque vivo de uma aposentadoria por invalidez e "simplesmente pedir" não resolve. É preciso que seja assim., Mande o recibo, sem whats e conversaremos por um mês

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma respostaCancelar resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Sair da versão mobile