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O Estado de S. Paulo |
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23/JANEIRO/08 |
AP
Em poucos dias, o tema transformou-se, de uma notícia do dia, em uma grande polêmica. Na segunda-feira retrasada, pesquisadores reunidos pela Universidade da Califórnia em São Francisco anunciaram que homens homossexuais eram "muitas vezes mais vulneráveis" que outras pessoas à contaminação por um novo tipo de bactéria resistente, virulenta e com potencial para matar, conhecida como MRSA (sigla em inglês para Staphylococcus aureus resistente à meticilina) USA300. O estudo, publicado na revista Anais de Medicina Interna, foi amplamente divulgado pela imprensa. Um tablóide britânico chegou a apelidá-la de "novo HIV".
Mas, dois dias depois, o Centro de Controle de Doenças e Prevenção, em Atlanta, que financiou a pesquisa, afirmou que a infecção não é sexualmente transmissível, nem está restrita a grupos específicos. A contaminação se dá por contato, informou em nota, e é bastante disseminada em hospitais e entre quem trabalha neles.
Para os homossexuais na vizinhança de Castro, bairro de São Francisco, porém, que já foi o epicentro da epidemia da AIDS e hoje registra surto do MRSA, o estudo trouxe de volta um injusto e por demais familiar estigma sobre sua sexualidade. "O modo como ficam mirando gays como se só eles tivessem responsabilidade por isso é como o caso do HIV se repetindo", disse Colin Thurlow, de 60 anos, homossexual que vive em São Francisco.
O relatório municiou grupos antigays, que saíram a público para dizer que a conduta homossexual "não é saudável" e abre caminho para "doenças quase sempre mortais". A polêmica chegou a tal ponto que, na sexta-feira, a universidade divulgou um pedido de desculpa, dizendo que a publicação "continha informações que poderiam ser mal interpretadas". "Deploramos a associação negativa de populações específicas com infecções por MRSA."
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