O subtipo-1b da hepatite C e o gene IL28B estão associados a melhor resposta ao tratamento nos doentes co-infectados com VIH

Os autores comentam: “Notamos que as respostas ao tratamento e as taxas de RVS [resposta virológica sustentada] eram uniformemente piores nos doentes com VHC-1a quando comparados com doentes com VHC-1b”. “Uma outra descoberta importante do nosso estudo foi o facto de a cinética viral nos doentes com VHC-1 ser significativamente influenciada pelo IL28B.”
O VIH e a hepatite C partilham modos de transmissão e a doença hepática causada pela hepatite C é actualmente uma causa importante de morte nas pessoas co-infectadas.
A terapêutica padrão para a hepatite C consiste na associação interferão peguilado e ribavirina. Apenas uma minoria de doentes co-infectados com infeção crónica pela hepatite C tem uma resposta bem-sucedida a esta terapêutica. No entanto, sabe-se que há alguns fatores associados aos resultados do tratamento.
Um desses factores é o genótipo da hepatite C. Observam-se respostas mais fracas em doentes infetados com os genótipos 1 e 4 em comparação com os genótipos 2 e 3. Além disso, é possível que o subtipo viral também tenha um impacto sobre os resultados.
Adicionalmente, estudos conduzidos tanto em doentes monoinfetados pela hepatite C como em pessoas coinfetadas mostraram que o gene IL28B também influencia as respostas ao tratamento.
Foram aprovados recentemente dois inibidores da protease para o tratamento da mono-infeção pela hepatite C. Estes medicamentos actuam diretamente contra a hepatite C e estão a ser desenvolvidos outros agentes. No entanto, estes novos inibidores da protease são usados em combinação com a terapêutica padrão existente, portanto, continua a ser importante compreender a importância do subtipo viral e da genética para os resultados do tratamento.
Nesse sentido, os investigadores espanhóis projetaram um estudo retrospetivo que envolveu 331 doentes co-infectados tratados com interferão peguilado e ribavirina baseada no peso. Todos tinham uma contagem das células CD4 acima de 300/mm3, estavam a receber a primeira terapêutica para a hepatite C e nenhum tinha a doença hepática descompensada ou abusava de álcool.
Os doentes foram testados no início do estudo para determinar o seu genótipo da hepatite C e subtipo e, também, se verificou se tinham o gene IL28B.
As respostas ao tratamento foram avaliadas às semanas 4 e 12, no fim da terapêutica e 24 semanas mais tarde.
Houve uma ampla distribuição de genótipos/subtipos, com 29% dos doentes infectados com genótipo 1 subtipo a, 19% com genótipo 1 subtipo b, 37% com genótipo 3 e 15% com genótipo 4.
Os doentes infectados com genótipo 1 tinham a carga viral da hepatite C mais elevada em comparação com doentes infectados com outros genótipos (p=0,02). A carga viral também variava de acordo com o subtipo e era ligeiramente mais elevada para os doentes com infeção com subtipo-1a em comparação com o subtipo-1b. No entanto, proporções semelhantes de doentes com subtipo 1a e 1b tinham o gene IL28B (33% vs. 24%).
As respostas ao tratamento, em todos os momentos em que os doentes foram testados, variavam de acordo com o genótipo e subtipo.
Como se esperava, as taxas de respostas foram melhores nos doentes com genótipo 3 em comparação com os genótipos 1 e 4.
No entanto, as respostas também diferiam entre subtipo-1a e -1b. Os doentes com subtipo-1b tinham significativamente mais probabilidade do que os com o subtipo-1a de ter uma resposta à semana 12 (p=0,009), no fim do tratamento (p=0,005) e de conseguir uma resposta virológica sustentada (p=0,03).
A resposta terapêutica também variou de acordo com o estatuto para o gene IL28B.
Restringindo a análise aos doentes com a infeção com o genótipo 1, demonstrou-se que a resposta mais baixa foi observada nas pessoas com a infeção com o subtipo-1a que não tinham o gene IL28B e a melhor resposta nas pessoas infetadas pelo subtipo-1b que tinham este gene (p<0,05).
Após o controlo para potenciais fatores aleatórios, os investigadores confirmaram que o subtipo-1b e o facto de se ter o gene IL28B estavam associados a melhores respostas ao tratamento.
Os investigadores comentam que “Este é o primeiro estudo que demonstra um papel importante tanto da variante IL28B e dos subtipos do VHC 1 para predizer as respostas virológicas ao tratamento com interferão peguilado/ribavirina nas pessoas com a co-infeção com VIH/VHC”. Explicam: “este efeito está em larga medida mediado pelo aumento na cinética viral durante as primeiras doze semanas da terapêutica.”
Os autores concluem: “O teste para o gene IL28B no início do tratamento pode ajudar nas decisões de tratamento na nova era da terapêutica de combinação tripla, incluindo os agentes que atuam diretamente.”
Referência
Leia também
- Boas taxas de sobrevivência para doentes co-infectados com VIH/VHC, portadores de cirrose compens.
- Beber café melhora a taxa de resposta ao tratamento da hepatite C em doentes mono-infectados
- Os inibidores da protease para o VHC são provavelmente eficazes nos doentes co-infectados tratados anteriormente para a hepatite C
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