Dependência do petróleo limita economia angolana, diz OCDE
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Lusa | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
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| 28/NOVEMBRO/07 |
27-11-2007 15:47:00
Luanda, 27 nov (Lusa) – O economista da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, também conhecida por "Grupo dos Ricos"), Kenneth Ruffing, que dirigiu a elaboração do documento "Perspectivas Econômicas para a África", disse nesta terça-feira, em Luanda, que a dependência do petróleo faz de Angola um dos países africanos com menor diversificação econômica. Kenneth Ruffing, durante a apresentação do documento traduzido para português em Luanda, na embaixada de Portugal, defendeu ainda que promover a diversificação da economia é fundamental para o aproveitamento – pela África e, em particular, por Angola – da globalização. O documento, cuja versão sintetizada em português foi financiada pela Cooperação Portuguesa, destaca a situação e as perspectivas futuras de Angola e Moçambique. Na contrapartida dos alertas que deixou em Luanda, Ruffing afirma que a África está passando por um período áureo, com cinco anos consecutivos de crescimento superior a 5%, embora o mesmo esteja acontecendo nos demais continentes. Esta situação não se verificava há 30 anos. O economista lembrou, no entanto, que a alta do petróleo nos mercados internacionais tem sido fundamental para o crescimento dos países exportadores africanos, dificultando a vida dos importadores de matéria-prima. Exemplos disso são as perspectivas para 2008, que prevê um crescimento de 6,3% para países exportadores de petróleo e de 4,7% para os que não produzem o "ouro negro". Os desafios que, segundo Kenneth Ruffing, se apresentam aos países africanos para o futuro próximo são, entre outros, a gestão eficaz das receitas do petróleo, o desenvolvimento da indústria e dos setores de serviço e melhorias na administração do país, no combate à pobreza, na saúde e na educação. Na mesma cerimônia, o chefe da delegação da Comissão Européia em Angola, embaixador João Gabriel Ferreira, considerou difícil que o país africano consiga atingir os objetivos do milênio em 2015, apesar do forte crescimento registrado na economia nos últimos anos. No entanto, o diplomata apontou como positivo, além do crescimento de dois dígitos do PIB, a queda da inflação e o controle do déficit no orçamento. "Mas não é certo que este crescimento acelerado possa levar o país a cumprir os objetivos do milênio", disse. Atingir esses objetivos significa conseguir uma diminuição dos índices de pobreza, um aumento ao acesso à água potável, uma redução nos casos de Aids e malária e um aumento do acesso à educação para níveis que hoje estão muito aquém do pretendido na maioria dos Estados. Em uma curta alusão ao tema, o embaixador português em Angola, Francisco Ribeiro Telles, destacou a situação favorável da Angola para ultrapassar os problemas que enfrenta com base no acentuado crescimento econômico e na estabilidade macroeconômica.
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