Educadores apóiam, mas com ressalvas
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Folha de S. Paulo | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
Cotidiano |
| 01/DEZEMBRO/07 |
CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL Educadores apóiam o projeto do Ministério da Saúde de instalar máquinas de camisinhas nas escolas, mas dizem que a medida deve ser acompanhada de um programa pedagógico consistente sobre EDUCAÇÃO SEXUAL. Do ponto de vista de prevenção a doenças, a psicóloga Angela Soligo, coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), diz que a medida é "bem-vinda". Ela lembra que hoje se fala muito em prevenção do HIV e das DSTs entre os adolescentes, mas nem sempre a CAMISINHA está disponível para esse público. "Muitos não têm dinheiro, outros têm vergonha de entrar numa farmácia ou no supermercado e comprar." Porém, ela afirma ser fundamental incluir nessa discussão os professores e os pais. "Não adianta ver a questão da sexualidade com moralismo. Nossos jovens praticam sexo. A sexualidade não é mais como era na década de 50." Ela defende mudança no "caráter biologizante" da EDUCAÇÃO SEXUAL existente hoje nas escolas. "Fala-se muito do corpo. É preciso focar no sujeito, nos sentimentos desses jovens, nos conflitos, nas relações. Dar ouvido às suas angústias." A pedagoga Silvia Gasparian Colello, professora da Faculdade de Educação da USP, também vê com ressalvas a iniciativa. "Do ponto de vista de saúde pública, tudo o que vier para prevenir o HIV e as DSTs é interessante. Mas não é só isso. Tem que haver um programa de EDUCAÇÃO SEXUAL associado." Segundo Colello, não basta pensar apenas na prevenção de doenças. É necessário trabalhar com a consciência e os valores desses jovens para que eles tenham uma vida afetiva e sexual saudável. "A escola é um espaço educativo. Uma máquina de CAMISINHA por si só pode reforçar a banalização do sexo se não for inserida dentro de um projeto sério, com profissionais que tenham competência para trabalhar isso."
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