Estigma HIV e AIDS tem sido, em minha vida, uma constante. No ano
Em geral, o estigma social ajuda a identificar na sociedade qual indivíduo era dotado de má reputação ou que havia cometido alguma espécie de crime. No estudos da sociologia, o conceito de estigma...
Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações. Não apagamos a história porque alguém, em algum lugar, algum dia, poderá precisar saber de algo — e existe, sim, a possibilidade de este ser o único lugar onde este conteúdo ainda exista.
Temas Tratados Nesta Página
Este site é mantido de forma totalmente independente por Cláudio Souza, diagnosticado com HIV/AIDS em 1994 e enfrentando, mais recentemente, os diagnósticos de Insuficiência Pancreática Exógena e Miastenia Gravis.
Embora 99% dos medicamentos necessários sejam obtidos via farmácia de alto custo do SUS em Santos, tratamentos essenciais como a colesteramina (Questran) possuem um custo extremamente elevado e sem subsídio.
Se você pode e quer ajudar a manter esta história no ar, faça um PIX de qualquer valor:
Estigma HIV e AIDS tem sido, em minha vida, uma constante. No ano 2000 eu assumi uma posição, tornei-me uma pessoa vivendo com HIV publicamente. Os preços que paguei, e ainda pago por isso, tiveram suas cobranças feitas no campo da vida social
Estava pensando um pouco aqui, eu penso, pouco, para não queimar mais neurônios que o habitual. Pensava neste ponto do texto
Estigma HIV e AIDS ⇿ Como As Pessoas Com HIV O Enfrentam? Enxugando Gelo…
“No estigma, um sistema de crenças é realmente compartilhado pelo estigmatizador e os estigmatizados. O estigmatizador teme tornar-se o tipo de pessoa que odeia, e a pessoa estigmatizada sente [que] [em]vergonha… O estigma tem controle sobre as pessoas: é o que é tão tóxico e injusto em tudo isso”.
Recebo, em meu WhatsApp (+55 11 940 675 078), a pessoas que, por uma razão ou outra, passaram a acreditar que podem ter contraído HIV. Estas pessoas, muitas vezes, fazem dezenas, e até mesmo centenas de testes contra a presença de HIV e nunca conseguem aceitar o resultado não reagente.
Elas acreditam que “merecem ter o vírus”. Para elas, o HIV é castigo.
…É Por Minha Esposa E Minha Filha… Eu mereço (Ter HIV)
Estigma HIV e AIDS é uma constante em minha vida. Em algum ponto, no passado, eu assumi uma determinada postura esta fala veio de “um consulente”.
A esposa estava grávida e refratária, como em alguns casos acontece, a relações sexuais com o marido. Creio que isso é quase antropológico e tem, lá no fundo, alguma relação com o instinto reprodutor temporariamente consumado; mas, nestas ilações, reconheço que viajo.
Bem, nosso amigo e personagem (personalidade) não pode conter-se, e eu entendo isso, afinal o casal tinha 27 e 26 anos, e recorreu-se dos serviços de uma profissional que, eu não entendo este ponto, fez o trabalho sem preservativos. Preocupo-me com estas moças e quer dirigir-me brevemente a elas.
Falando para as profissionais do Sexo:
“Moças, por mais que vos possa parecer que – ele não tem AIDS, que não tem cara de quem tem isso”, quem vê cara não vê AIDS!. E veja, por mais que os R$ 100,00, R$ 300,000 ou R$1.000,00 a mais para não ter de usar o preservativo, não compensa absolutamente nada daquilo que você poderá fazer com este “cash”!
Sei bem o que digo, após quase trinta anos de vida com HIV! Bem, este moço que disse isso para mim nada diferente do que segue abaixo disse:
“Esta é uma doença de gente má, de caráter ruim, de índole duvidosa que trai a esposa ou o esposo, dentre outras coisas”!
E preciso citar Sílvia Almeida, viúva, mãe de três filhos:
O HIV não muda o caráter das pessoas
E ele não está sozinho nesta linha de pensamento. Quando as pessoas vêm até a mim, ou ficam “lá”, ensimesmadas com seus medos, tudo aquilo que elas dizem, ou pensam, e temem contra si, em geral, é exatamente aquilo que pensam de mim (nós) como pessoa (pessoas) vivendo com HIV ou AIDS.
Somatizando AIDS
Tenho, em minha cabeça, um texto sobre HIV/AIDS e somatizações que, um dia, juro, publicarei, mas vejam, sei de pessoas que “têm TODOS OS SINTOMAS da AIDS”! E estão vivas, sem tratamento, depois de quatro anos!
A ficha não cai?
Entristece-me chegar a estas conclusões, mas eu não estou escrevendo estas coisas com base em um achado! São falas, falas e falas, iguais no contexto, embora diferentes no conteúdo que mostram muitas coisas e, dentre elas, também, um total e completo desconhecimento dos fatos sobre a AIDS e negando somatização, mesmo quando claramente referendada.
NÃO ESTOU LOUCO(A) E somatização não faz isso.
Ignorância em meio à informação
Muitas vezes as pessoas que me procuram mostram-me, claramente, que nada sabem sobre HIV/AIDS e, nos dias de hoje, além do meu blog, com mais de 650 posts, há uma plêiade de sites muito bons em meio a outros tantos muito ruins.
As pessoas passam a acreditar que contraíram HIV há menos de três meses e começam a “manifestar” sinais de doenças oportunistas. Agora há pouco, na manhã de 17 de abril de 2021, ouvimos a BAND fazer uma matéria de quase 30 minutos sobre AIDS. Nunca vimos isso na TV antes!
Matéria bastante elucidativa, mereceria, creio, um horário melhor. Mas eles devem repeti-la, espero.
A AIDS, o Grande Estigmatizador, demora a Surgir
O fato é que ela mostra o que quase ninguém mostra. Entre o momento em que uma pessoa contrai HIV até o momento em que o ciclo de vida do HIV consumiu recursos orgânicos até à deficiência imunológica, AIDS, podem passar-se de dez a vinte anos sem tratamento.
Outro dia falava com uma moça, que me bloqueou (cancelamento?) quando descobriu meu lado humano, e percebi-a estupefata quando lhe disse que poderiam ser necessários, no mínimo, cinco anos para começar a haver complicações. Eu a sondei e, de fato, ela não tinha a menor ideia a respeito.
Esta ignorância, endêmica, multiplica sofrimentos, espalha medos, gera testagens até diárias em algumas pessoas, consumindo preciosos recursos econômicos, enquanto cerca de, no mínimo, 100.000 pessoas portam HIV e não o sabem!
Enfim, o estigma contra HIV/AIDS ajuda a complicar, em muito, as coisas. E esclarecer, esclarecer e esclarecer é dever de todos, todos e todos.
Portanto, muitas vezes, sinto-me assim:
Enxugando o gelo.
Cláudio Souza
Se você gostou deste texto, talvez possa gostar deste: Enxugando o Gelo
Ou deste: AIDS e Legalidade Sonegada.
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo que demore um pouco.
E se quiser, mande um Pix de R$ 0,25 pelos 25 anos de trabalho:
Chave Pix: solidariedade@soropositivo.org
Você também pode me escrever para: claudio@soropositivo.org
Fale com o Blog Soropositivo
Tem uma pergunta, sugestão ou quer falar sobre janela imunológica, sexo oral, PEP, PrEP ou outro assunto? Use o formulário abaixo.
Error: Contact form not found.
Você chegou ao fim deste texto...
Gostou deste texto? Quer saber mais sobre este assunto? Estas são algumas das palavras mais presentes neste artigo. Clique em uma delas para encontrar outros textos sobre o tema:
Discover more from
Subscribe to get the latest posts sent to your email.

No Comment! Be the first one.