Estudo traça mapa da hepatite no país
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Doença atinge 5 milhões
Ministério da Saúde estima que 3 milhões de brasileiros estão infectados com o tipo C e 2 milhões com o B, ambos sem possibilidade de cura. Governo vai disponibilizar três novos medicamentos para combater a doença em 2010Rodrigo Couto
Apenas 5 mil das 374.837 pessoas notificadas com hepatite dos tipos A, B, C e D entre 1999 e 2008 recebem remédios do governo. Apesar da baixíssima adesão ao tratamento, o governo espera ampliar o combate à enfermidade. E a base para traçar a estratégia oficial será um estudo sobre a incidência da doença no país, divulgado ontem pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. O levantamento aponta uma baixa prevalência (menos de 2%) da forma B crônica da enfermidade no território nacional. Inédita, a pesquisa revelou que apenas 0,37% das pessoas na faixa etária de 10 a 69 anos estavam com o tipo agudo ou desenvolveram a forma crônica. Na população de 10 a 19 anos, o percentual ficou em 0,055%, enquanto entre as pessoas de 20 a 69 anos o índice passou para 0,6%. O ministro da Saúde também assinou ontem uma portaria que autoriza um novo protocolo para o tratamento da HEPATITE B. Pelas novas regras, a pasta recomenda – e vai disponibilizar, a partir de fevereiro do próximo ano – três novos fármacos para a doença: tenofovir, entecavir e adefovir. O objetivo é atualizar a lista de remédios indicados à enfermidade, em vigor desde 2002. Agora, os três medicamentos se juntam à lamivudina e ao interferon na luta contra a HEPATITE B. “Vínhamos reivindicando essa atualização desde 2005. É muito importante que o governo incorpore esses novos remédios, pois muitas pessoas já morreram por não terem como combater a doença com tratamentos eficientes. A lamivudina e o interferon causavam resistência”, observou o presidente do Grupo de Apoio aos Portadores das Hepatites B e C, Otacílio da Silva. Pelas estimativas do ministério, 2 milhões de brasileiros são portadores de HEPATITE B e outros 3 milhões estão infectados com a forma C. Somente o tipo A tem cura. De acordo com o levantamento, iniciado em 2002 e ainda não concluído, 1,14% dos jovens entre 10 e 19 anos tiveram contato com a forma B da enfermidade. Já entre a faixa etária de 20 a 69 anos, esse índice sobe para 11,5%. Realizado nas 27 capitais do país, o estudo apontou, ainda, que o tipo A foi identificado em 27,4% da população com idade de 5 a 9 anos. Entre os jovens de 10 a 19 anos, essa forma da doença foi verificada em 48,5%. Mais grave do que as hepatites tipo A e B, o tipo C foi encontrado em 0,94% das pessoas entre 10 e 19 anos. O levantamento mostrou que 1,87% da população na faixa de 20 a 69 anos possuem essa forma da doença. Planejamento Temporão defende que o estudo é de extrema importância. “Pela primeira vez, temos um levantamento que permite avaliarmos com refinamento a real situação das hepatites virais no Brasil. Isso vai nos dar um instrumento poderoso para planejarmos de maneira mais adequada nossas políticas e também pelo fato de o inquérito abrir uma nova visão sobre o problema no território nacional”, afirmou. O governo decidiu centralizar forças no combate à HEPATITE B devido à possibilidade de transmissão por via sexual. “Como mais de 77% da população brasileira é sexualmente ativa, vamos intensificar nossa luta no tipo B. Além disso, centralizamos a compra dos medicamentos e vamos oferecer mais opções de tratamento a preços reduzidos”, disse a diretora do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), AIDS e Hepatites Virais, Mariângela Simão. O ministério informa que, em recente negociação, conseguiu reduzir em 31% o valor pago pelo medicamento tenofovir, indicado ao tratamento da forma B. CASOS DE HEPATITE B POR REGIÃO, EM 2008 Norte – 1.394 Nordeste – 1.095 Sudeste – 5.240 Sul – 3.458 Centro-Oeste – 1.272 Fonte: Ministério da Saúde Vacina para 33 milhões de pessoas O Ministério da Saúde estuda ampliar o acesso à vacina contra a HEPATITE B, principal forma de prevenção e que é oferecida gratuitamente na rede pública de saúde apenas às pessoas com até 19 anos. Para 2010, a pasta vai oferecer 33 milhões de doses. Para se imunizar, cada paciente precisa receber três doses. A unidade saiu por R$ 1,20, a um custo total de R$ 39 milhões. Mais de 50 milhões de brasileiros nessa faixa etária já receberam a vacina desde 1998, quando começou a ser oferecida nos postos de saúde. A meta para o próximo ano é imunizar pelo menos 13 milhões de pessoas com essa característica. Analista de informática, José Antônio Conti, 51 anos, é portador da HEPATITE B desde 1985, época em que ainda não existia vacina contra a enfermidade. “Comecei o tratamento em 1996 com a lamivudina e, desde então, venho trocando de medicamentos para evitar a resistência e outros problemas. Em 2007, troquei para o tenofovir, quando descobri que estava com cirrose hepática”, conta. No ano seguinte, Conti mudou mais uma vez seu tratamento para atenuar os efeitos colaterais provocados pelo tenofovir nos rins e no fígado. “Em setembro do ano passado, passei a tomar o entecavir, que está no novo protocolo. Como ainda não era oferecido pela rede pública, cheguei a pagar R$ 600 por uma caixa do remédio”, lembra. Apesar de ter sido incluído oficialmente ontem no protocolo nacional, o entecavir já era oferecido pelas redes públicas de saúde de alguns estados, incluindo o Distrito Federal. Morador de Sobradinho, José Antônio retira o medicamento gratuitamente desde fevereiro. “Mas chegou a faltar por dois meses. Agora, com esse protocolo do ministério, espero que não volte a ocorrer isso aqui em Brasília”, salientou Conti, que não ingere bebidas alcoólicas desde 2007 e evita atividades físicas. “Fora isso e os sintomas casuais da doença – cansaço, falta de ânimo e depressão -, levo uma vida normal.” (RC) CORREIO BRAZILIENSE | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
BRASIL |
| 28/OUTUBRO/09 |
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