Existe evidência de alteração cognitiva na infecção precoce pelo HIV?
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O sistema nervoso central é afetado freqüente e precocemente no curso da infecção pelo HIV, determinando alterações detectáveis no líquido cefalorraquidiano mesmo durante a fase assintomática da doença.
Considerando esse fato, alguns estudos clínicos iniciais demonstraram que indivíduos soropositivos assintomáticos apresentavam déficits cognitivos como redução significativa na capacidade de retenção de dados e no processamento de informações, medidos através de testes neuropsicológicos.
Alguns autores relataram distúrbios de raciocínio e de abstração e alentecimento dos processos mentais em cerca de 35 dos indivíduos soropositivos assintomáticos quando comparados a indivíduos homossexuais soronegativos de idade e escolaridade semelhantes, embora considerassem que essas alterações também pudessem decorrer de outros fatores biológicos associados ao próprio indivíduo ou ao vírus.
Estudos amplos, mais recentes, revelaram não haver diferença significativa entre a perfomance cognitiva e intelectual dos indivíduos soropositivos assintomáticos (grupos II e III do CDC) e indivíduos homossexuais ou bissexuais soronegativos.
As alterações neuropsicológicas não se manifestam nas fases iniciais, assintomáticas da infecção, sugerindo que, para que haja prejuízo da cognição é necessário o estado de imunodepressão e/ou a evolução da doença para as fases sintomáticas.
O HIV exerceria pouco efeito patogênico sobre o SNC na ausência de imunodepressão significativa, e embora essa condição seja necessária para o surgimento de déficits cognitivos, ela não parece ser suficiente e única, pois mesmo na presença de intenso comprometimento imunológico, a síndrome demencial não se desenvolve em todos os casos de SIDA, atingindo prevalência de cerca de 30%, com franca demência ocorrendo em até 20% dos pacientes. Além da intensidade da imunodeficiência, outros fatores biológicos como a susceptibilidade genética do indivíduo, neurotropismo e neurovirulência do vírus, infecções oportunistas associadas, efeito de medicações que atuam no SNC ou alterações tóxicobólicas são outros fatores que parecem estar implicados no desenvolvimento de disfunções cognitivas.
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