Mais ricos imunizam menos, apontam estudos
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O Estado de S. Paulo | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
Vida & |
| 18/FEVEREIRO/08 |
Para especialista, medicina alternativa e medo de reações adversas raras são explicações Fabiane Leite Os estratos mais ricos da população brasileira têm registrado, em estudos, uma tendência a apresentar coberturas vacinais mais baixas. "A suspeita é q ue, como as doenças que essas vacinas combatem estão controladas, caso da coqueluche e da difteria, não há temor. Há ainda a questão da medicina alternativa, que muitas vezes não recomenda as vacinas, além do medo dos eventos adversos. Às vezes a pessoa encontra mais informação sobre os eventos adversos da vacina, que são raros, do que sobre as doenças que ela combate", afirma o epidemiologista José Cássio de Moraes, responsável por estudo que o Ministério da Saúde realiza sobre as coberturas vacinais. Moraes lembra que, em 2005, quando o Brasil registrou seis casos de sarampo – a doença foi trazida por um surfista que voltava das Ilhas Maldivas -, uma criança que estava no mesmo avião do rapaz foi contaminada porque seus pais tinham decidido que ela não deveria ser imunizada. Na capital paulista, por exemplo, um estudo realizado pela Santa Casa em 2002 revelou coberturas vacinais baixas em todos os estratos sociais, mas ainda piores entre pessoas com melhores condições. Ao final do primeiro ano de vida, a cobertura para o esquema completo de vacinação variava entre 60% no estrato A e 75% no estrato E. Para Moraes, talvez seja necessário intensificar as propagandas e informações sobre as vacinas, além de campanhas pontuais do governo. APOIO Especialistas apóiam a revisão dos dados sobre a cobertura que está em curso no País. Para o infectologista Vicente Amato Neto, professor emérito da Universidade de São Paulo, a revisão da cobertura vacinal é necessária para que se garanta a qualidade do programa de imunização. "Esse estudo é importante para mostrar a realidade. As vacinas são produtos que o governo fornece gratuitamente e, se não se está atingindo o ideal, é preciso saber." O epidemiologista Euclides Castilho, professor titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, destaca que revisar dados é praxe em países como os EUA, que recentemente corrigiu informações sobre infectados pelo HIV. "A medicina não é exata e há um certo sensacionalismo quando há equívoco. Mas precisamos sim aprimorar a estatística." A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo destacou que dados preliminares de 2007 apontam melhoria das coberturas vacinais da capital, que não atingiu algumas das metas em 2006. Os dados ainda não foram enviados ao Ministério da Saúde. "Cidades com mais de 100% de cobertura refletem problema no cálculo da população-alvo das vacinas", alertou a coordenadora da área de imunização da pasta, Maria Ligia Ramos Nerger. Além disso, diz Maria Ligia, muitas vezes as estimativas de população-alvo são feitas com base em dados sobre nascido vivos do ano anterior. Quando chegam as estatísticas atualizadas de nascidos vivos, as informações já foram enviadas ao ministério, o que também gera distorções. Ela diz, no entanto, que a secretaria já tomou providências em razão das falhas apontadas nas coberturas. "O próprio município tem distritos não homogêneos. Trabalhamos mais em áreas onde a cobertura está pior, para mostrar a importância da vacinação. O programa de vacinação é antigo e precisamos retornar a falar sobre sua importância."
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