O fim do ponto G
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Estudo britânico com 1.800 mulheres afirma que a zona erógena é somente um mito
A elusiva zona erógena que existiria em algumas (felizardas) mulheres pode simplesmente não passar de um mito, sustentaram pesquisadores que buscaram por ela em nada menos que 1.800 voluntárias.
O estudo, publicado na “Journal of Sexual Medicine”, sustenta que não se encontrou prova alguma de sua existência.
O Ponto de Gräfenberg, ou Ponto G, recebeu o nome em homenagem ao ginecologista alemão Ernst Gräfenberg, que o descreveu há mais de 50 anos. A zona, altamente erógena, ficaria na parede interna da vagina, uma área enrugada de não mais que 2,5 centímetros.
Desde que a sua suposta existência se popularizou, a partir dos anos 60 e 70, com a liberação sexual feminina, muitas mulheres – e homens – buscam pelo ponto que proporcionaria o mais intenso dos orgasmos.
Recentemente, cientistas italianos teriam apresentado a prova cabal de sua existência, alegando ter localizado o Ponto G por meio de exames de ultrassonografia. Eles encontraram um ponto mais espesso na parede interna da vagina de mulheres que costumavam relatar orgasmos.
Mas, agora, o grupo do King´s College, de Londres, sustenta que nada disso é verdadeiro. Segundo os cientistas envolvidos no estudo, o Ponto G “seria um mito criado pela imaginação feminina e devidamente alimentado por revistas e terapeutas sexuais”. Em entrevista à BBC, a sexóloga Beverley Whipple, que ajudou a popularizar a ideia do Ponto G, afirmou que o trabalho “é falho”.
Ponto G seria uma ideia subjetiva
Segundo Whipple, os pesquisadores não levaram em conta as experiências homossexuais e bissexuais das mulheres e não consideraram os efeitos de diferentes parceiros sexuais com diferentes técnicas sexuais.
O estudo foi feito com pares de gêmeas idênticas, que compartilham a mesma carga genética, e não idênticas, que têm apenas 50% dos genes em comum.
Os especialistas perguntaram a cada uma delas se tinham o Ponto G.
Segundo os cientistas, se uma mulher dissesse que tinha, seria de esperar que sua gêmea idêntica, que partilha os mesmos genes, também relatasse o mesmo. Mas o padrão de respostas que surgiu foi similar ao observado entre as irmãs não idênticas.
Co-autor do estudo, Tim Spector afirmou, também em entrevista à BBC: – Algumas mulheres poderiam argumentar que ter um Ponto G está relacionado com a dieta ou os exercícios que seguem – disse Spector. – Mas, a verdade, é que é virtualmente impossível encontrar traços concretos.
Este é, de longe, o maior estudo já feito sobre o tema e revela, de forma bastante conclusiva, que a ideia do Ponto G é subjetiva.
Andrea Burri, que também participou do estudo, afirmou que é preocupante a ideia de que algumas mulheres pudessem se sentir inadequadas ou incompletas por não encontrarem seu Ponto G.
– É irresponsável proclamar a existência de uma entidade cuja existência nunca foi provada e pressionar as mulheres e homens (a encontrá-la) – afirmou.
Para Petra Boynton, psicóloga sexual da University College, de Londres, cada pessoa é diferente: – Não há problema algum em procurar o Ponto G, mas não se preocupe se não encontrá-lo. Ele não deve ser o único foco do ato sexual.
O GLOBO | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
CIÊNCIA |
| 05/JANEIRO/10 |
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