Operação Trabalho busca tirar travestis das ruas
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Operação Trabalho busca tirar travestis das ruas
Programa oferece cursos profissionalizantes para inseri-los no mercado de trabalho
Mônica Cardoso
Para cada produto feito por ela que é vendido, Luara, de 45 anos, sente um misto de orgulho e reconhecimento. Uma camiseta branca, básica, ganha um toque mais fashion com o aplique de miçangas e lantejoulas. Caixotes de madeira são transformados em pufes coloridos. Retalhos de tecidos viram bolsas.
Cada objeto é feito com capricho para chamar a atenção em meio às dezenas de barracas de artesanato, roupas, acessórios e objetos de arte e decoração da feira Como Assim?!, realizada aos sábados na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros.
Ela aprendeu a costurar quando ingressou, em julho de 2008, na primeira turma do Programa Operação Trabalho (POT), iniciativa das Secretarias Municipais do Trabalho, de Participação e Parceria e de Assistência e Desenvolvimento Social. O programa busca a reinserção social e profissional de travestis e transexuais no mercado de trabalho formal e tirá-los da prostituição. A prioridade é atender quem vive em situação de rua.
A satisfação é ainda maior porque Luara estava desempregada havia mais de dois anos. “Tenho o 2º grau completo, mas quando me candidato a alguma vaga, sofro discriminação por causa do cabelo grande e da unha pintada. O preconceito com transexuais é bem maior do que com homossexuais por conta da aparência”, afirma.
Durante dois anos, elas podem participar de cursos profissionalizantes de informática, culinária, estética, artesanato, confeitaria, cabeleireiro, maquiagem, manicure e corte e costura, em parceria com o Senai e Senac. No período do curso, recebem uma bolsa-auxílio no valor de R$ 477 por mês.
Até agora, o programa já atendeu 22 pessoas e 5 delas conseguiram emprego. Mais de 300 já procuraram o programa e 40 selecionadas estão na fila de espera por uma nova turma. “O intuito é aumentar o número de vagas para 40. O objetivo não é oferecer um programa assistencialista, mas dar condição para que essas pessoas consigam emprego, aumentem sua autoestima e deixem a prostituição”, explica Franco Reinaudo, coordenador geral de Assuntos de Diversidade Sexual da Secretaria de Participação e Parceria.
Para concorrer a uma vaga é necessário estar desempregado há mais de quatro meses ou não ter acumulado três meses de registro de trabalho nos últimos três anos, não receber benefícios e seguro-desemprego, ter mais de 18 anos e renda familiar de até meio salário mínimo.
O ESTADO DE S.PAULO | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
CIDADE/METROPOLE |
| 13/JUNHO/09 |
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