Pesquisa comprova que as doenças sexuais não aumentam no carnaval
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O Globo | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
Rio |
| 24/JANEIRO/08 |
Estudo da UFF também descarta elevação de casos de gravidez não planejada Célia Costa Uma pesquisa realizada por médicos da Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou que o carnaval não influencia no aumento das doenças sexualmente transmissíveis (DST) nem no aumento da gravidez não planejada. Segundo pesquisadores do Serviço de Doenças Sexualmente Transmissíveis da UFF, o número de casos de DST é distribuído ao longo do ano, sem concentração numa determinada época. O estudo foi feito pelos médicos Wilma Nancy Campos Arze e Mauro Romero Leal Passos, no período de 1993 a 2005. O serviço de DST da UFF, criado em 1988 e sob responsabilidade de Mauro Romero Leal Passos, é um centro de atendimento clínico, de ensino e pesquisa na área de DST, recebendo, durante todo o ano, pessoas encaminhadas pela rede pública (municipal, estadual e federal) e privada, bem como por procura espontânea. Estudo leva em contra três doenças O estudo tentou verificar se a distribuição dos atendimentos de primeira vez, no período e 1993 a 2005, mostrou algum aumento de diagnósticos de SÍFILIS, GONORRÉIA e tricomoníase, decorrentes da contaminação durante o período de carnaval. Ele se ateve também às três doenças, por terem elas períodos de incubação mais definidos e curtos. Nos 13 anos estudados, o carnaval caiu no mês de fevereiro em 11 deles. Para nenhuma das três doenças observouse maior número de casos em fevereiro, março e abril, época imediatamente após o carnaval, que inclui os períodos de incubação respectivos. A pesquisa concluiu que em nenhuma das três doenças a freqüência de atendimentos foi maior nos meses de março e abril e o número de médicos no setor de DST foi estável por todos os anos. Na avaliação dos médicos, uma suposta maior contaminação no período de carnaval não gerou um maior número de consultas, não confirmando a hipótese de que o carnaval geraria um maior número de contaminações. Em relação ao aumento dos casos de gravidez, a pesquisa também desmitificou a hipótese. O trabalho analisou o número de partos e de abortamentos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e no Brasil, de 1992 a 2005, e em Niterói, de 1995 a 2006. Em todos eles, o pico do número de partos ocorre em maio, ou seja, as pessoas engravidam em agosto do ano anterior. A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que, a cada ano, surjam 340 milhões de novos casos de DST no mundo, envolvendo apenas as quatro mais clássicas: tricomoníase (172 milhões); clamídia (92 milhões); GONORRÉIA (62 milhões) e SÍFILIS (12 milhões). No Brasil, estima-se que ocorram, a cada ano, 4.400.000 casos novos, sendo 1.967.200 de tricomoníase, 1.541.800 de GONORRÉIA e 937.000 de SÍFILIS. Para os pesquisados, o resultado reforça a compreensão de que quem está em risco no carnaval está em risco durante todo o ano. Ao concluírem a pesquisa, os autores avaliaram que campanhas, para darem bons resultados, devem ser contínuas durante o ano ou anos.
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