Presos convivem com ratos e doenças em cadeias lotadas de SP
AVISO IMPORTANTEEste texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento devem ser...
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Celas onde deveriam ter dez presidiários são ocupadas por 40 pessoas.
Situação é crítica na unidade do Centro de Detenção Provisória Pinheiros 4.
| Presídio | Capacidade | População | Diferença | Porcentagem |
|---|---|---|---|---|
| Centro de Detenção Provisória de Pinheiros IV | 512 | 1628 | 1116 | 217,9 |
| Centro de Detenção Provisória de Pinheiros II | 512 | 1551 | 1039 | 202,9 |
| Centro de Detenção Provisória de Pinheiros I | 520 | 1527 | 1007 | 193,6 |
| Penitenciária de Marília | 600 | 1757 | 1157 | 192,8 |
| Centro de Detenção Provisória de Santo André | 512 | 1494 | 982 | 191,7 |
| Centro de Detenção Provisória de Osasco II | 768 | 2130 | 1362 | 177,3 |
| Penitenciária de Franco da Rocha III | 600 | 1663 | 1063 | 177,1 |
| Penitenciária de Hortolândia I | 538 | 1452 | 914 | 169,8 |
| Centro de Detenção Provisória de São Bernardo do Campo | 768 | 2045 | 1277 | 166,2 |
| Centro de Detenção Provisória de Piracicaba | 548 | 1446 | 898 | 163,8 |
| Présidio | Capacidade | População | Diferença | Porcentagem |
|---|---|---|---|---|
| Penitenciária Feminina da Capital | 251 | 829 | 578 | 230,2 |
| Penitenciária Feminina de Campinas | 528 | 1020 | 492 | 93,1 |
| Penitenciária Feminina de Tremembé | 100 | 180 | 80 | 80 |
| Centro de Ressocialização Feminino de Araraquara | 96 | 165 | 69 | 71,8 |
| Hospital CTP Franco da Rocha I | 75 | 87 | 12 | 16 |
| Penitenciária Feminina Sant’ana | 2400 | 2743 | 343 | 14,2 |
| Hospital CTP Franco da Rocha II | 22 | 25 | 3 | 13,6 |
| Centro de Ressocialização Feminino de Itapetininga | 210 | 234 | 24 | 11,4 |
| Centro de Ressocialização Feminino de Piracicaba | 120 | 130 | 10 | 8,3 |
| Penitenciária Feminina do Butantã | 620 | 662 | 42 | 6,7 |
| Presídio | Capacidade | População | Diferença | Porcentagem |
|---|---|---|---|---|
| Cadeia Pública de Piraju (desativada em 8 de junho) | 8 | 60 | 52 | 650 |
| 1º DP de Guarulhos | 8 | 52 | 44 | 550 |
| Cadeia Pública de Miguelópolis | 12 | 62 | 50 | 416,6 |
| Cadeia Pública de Cotia | 96 | 473 | 377 | 392,7 |
| Cadeia Pública de Carapicuíba | 96 | 430 | 334 | 347,9 |
| Cadeia Pública de Itapeva | 45 | 190 | 145 | 322,2 |
| Cadeia Pública de Botucatu | 60 | 233 | 173 | 288,3 |
| Cadeia Pública de Barretos | 45 | 170 | 125 | 277,7 |
| Cadeia Pública de Jundiaí | 120 | 418 | 298 | 248,3 |
| Cadeia Pública de Pedregulho | 14 | 47 | 33 | 235 |
| Presídio | Capacidade | População | Diferença | Porcentagem |
|---|---|---|---|---|
| Cadeia Pública Feminina de Batatais | 21 | 116 | 95 | 452,3 |
| Cadeia Pública Feminina de São Miguel Arcanjo | 12 | 65 | 53 | 441,6 |
| Cadeia Pública Feminina de Cajuru | 20 | 80 | 60 | 300 |
| Cadeia Pública Feminina de Terra Roxa | 8 | 32 | 24 | 300 |
| 2º DP Feminino de São Vicente | 24 | 93 | 69 | 287,5 |
| Cadeia Pública Feminina de Santa Bárbara D’Oeste | 24 | 92 | 68 | 283,3 |
| Cadeia Pública Feminina de Mairiporã | 8 | 27 | 19 | 237,5 |
| Cadeia Pública Feminina de Itatinga | 24 | 79 | 55 | 229,1 |
| 2º DP Feminino de Santos | 60 | 195 | 135 | 225 |
| Cadeia Pública Feminina de Charqueada | 18 | 53 | 35 | 194,4 |
Só quem está preso ou visita esses locais sabe o que acontece realmente dentro deles. A reportagem teve acesso a cartas de presidiários e conversou em abril com as mulheres de presos que denunciaram uma série de irregularidades dentro das unidades. Em um dos trechos, o detento do CDP 4 de Pinheiros escreve “somos humilhados pelos policiais na hora da revista [e] ficamos sem comer o dia todo”, “tem superlotação nas celas”, “dormimos no chão por falta de cama e colchão”, “queremos nossos direitos respeitados”. As mulheres de presos só aceitaram falar sob a condição de anonimato. Cerca de 200 mulheres começam a formar fila todas as sextas-feiras em frente à unidade de Pinheiros. Elas têm maridos presos lá dentro. Montam barracas e distribuem senhas à espera dos sábados de visita. “O colega do meu marido está doente. Eles não estão cuidando. Está com tuberculose. Meu marido já está há oito meses assim”, afirmou a mulher de 23 anos, que guardava bolachas numa bolsa para levar para o marido preso. “Teve vez de a comida entrar estragada, mal cozida, com fezes de rato. Uma situação totalmente precária”, disse uma jovem que namora um detento e não quis diz dizer a idade. Ao ser indagada sobre o que os presos fazem quando ficam doentes, ela respondeu: “Primeiramente eles têm que orar a Deus, né? Porque só Deus para poder ajudá-los aí dentro. E porque medicamento, até mesmo médico, eles não têm. Tem enfermeiros que muitas das vezes eles nem sabem o que estão dando. Teve situações de presos que tomaram medicação errada.” Interdições Segundo um representante da Promotoria em São Paulo, que pediu para não ser identificado, “os CDPS estão superlotados e todos sabem disso”. Para o promotor, a solução para reduzir a superlotação está na construção de mais presídios. Mas na avaliação da Defensoria Pública do estado, existem outros caminhos para controlar a população carcerária, como interdições ou políticas públicas de inclusão social. Leia abaixo as íntegras das notas da SAP e da SSP a respeito das condições precárias em que vivem os presos no estado de SP. Nota da SAP
“Com relação ao CDP 4 de Pinheiros, citado em sua solicitação, a Secretaria da Administração Penitenciária esclarece que as denúncias são improcedentes. A alimentação é servida por empresa terceirizada e, assim que recebida, uma comissão específica da unidade prisional é responsável por checar, diariamente, o conteúdo, a consistência e a temperatura da comida. O que é feito através de amostragem. O material também é verificado para conferir se não há algum marmitex que não esteja lacrado, no momento da entrega. A mesma equipe avalia, diariamente, a higienização das embalagens externas, geralmente caixas plásticas, além do interior do baú do veículo transportador. É importante ressaltar que trata-se de um procedimento padrão em todas unidades prisionais que recebem alimentação terceirizada no Estado. Com relação à saúde, a SAP esclarece que o CDP 4 de Pinheiros possui área de saúde, com corpo funcional específico para lidar com esse assunto. Qualquer tipo de solicitação de atendimento feita pelos internos é prontamente atendida no local ou, se for o caso, são feitos encaminhamentos externos através do Centor de Ações Hospitalares, do próprio presídio. Mais uma vez, não procede a denúncia realizada.” Nota da SSP
“O delegado Robson Lorencetti Ernesto, do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 7 [Sorocaba], informou a esta assessoria de imprensa que a Cadeia Pública de Piraju foi desativada em 8 de junho. Todos os presos foram encaminhados para o sistema prisional e o processo de reforma da unidade está em fase licitatória. O Estado de São Paulo possui 115 cadeias públicas ativas. Desde 2007, 64 unidades foram desativadas, sendo que 11 delas foram, posteriormente, transformadas em cadeias femininas. Em 2000, a Secretaria da Segurança Pública possuía 32.319 presos sob sua responsabilidade. Atualmente, são 8.890 presos para 5.453 vagas disponibilizadas. Importante lembrar que São Paulo possui a maior população carcerária do país. Só em 2009, as polícias paulistas realizaram 124 mil prisões, em flagrante ou por mandado, contribuindo diretamente para a redução de todos os crimes contra o patrimônio. No primeiro trimestre de 2010, os roubos caíram 13% em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a março, os furtos diminuíram 5%, os furtos de veículos 10%, os roubos de veículos 12% e os roubos de cargas 7%. Os roubos seguidos de morte apresentaram a redução mais significativa: -22%, com queda de 94 para 73 casos no Estado. A reversão da tendência de alta identificada no início de 2009, com a significativa redução dos crimes contra o patrimônio, deve-se a uma série de medidas tomadas para intensificar o policiamento ostensivo e a investigação criminal, além da melhora do cenário econômico.
A diminuição histórica no número de homicídios em São Paulo – nos últimos dez anos, a redução foi de 69% – também teve como um dos fatores o aumento do número de pessoas presas devido ao trabalho policial. Por fim, ressaltamos que é meta atual do governo estadual desativar, gradativamente, as cadeias públicas e carceragens sob responsabilidade da SSP, transferindo assim a população carcerária à Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), com a construção de novas unidades prisionais.”
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