Francisco da Mota. Soropositivo há 27 anos.

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Francisco  Francisco da Mota. Soropositivo há 27 anos. franciscoMeu nome é Francisco Adalton Aleixo da Mota, tenho 57 anos e sou soropositivo há 27 anos. Na época, cheguei a comprar jazigo e urna funerária, pois achei que iria morrer a qualquer momento, já que ainda não existia medicamento para a doença. Receber uma notícia dessa era como receber um atestado de óbito. Era morte na certa. Foi um tremendo choque.

Quinze anos em silêncio

Convivi com o fato durante 15 anos sem revelar para ninguém, até quando apareceu o primeiro sinal: uma pneumonia que me levou para o hospital, onde fiquei por 3 meses. Durante a internação, descobri que havia desenvolvido toxoplasmose, afetando a minha memória. Quando saí do hospital, já com a minha aposentadoria em andamento, pois além da doença eu já tinha 33 anos de contribuição, saí dali sem rumo. Minha cunhada foi a primeira pessoa da família a saber. Tomei o maior porre da minha vida pra ter coragem de contar o fato a ela. Mas ela me deu um grande apoio na minha nova trajetória de vida.

Romper o preconceito

Participei da ONG Grupo Ammor, e com a ajuda da psicóloga Rose, me reconstruí a ponto de romper o próprio preconceito e tomar coragem de me expor, tomando por base que não sou um marginal para ficar ocultando minha identidade. Hoje, além dos trabalhos que faço em casa, em Belo Horizonte, reciclando materiais como garrafas pet, filtros de café, folhas, sementes, etc – fato que tem muito a ver com minha vida, pois reciclei minha vida também – dou palestras em empresas, como a Seven Boys, empresas de metalurgia e funcionários da PUC, sempre com o maior prazer.

Cabeça erguida

Por ser ativista, quero derrubar os preconceitos sobre a questão do HIV/aids e por isso também faço trabalho com a Pastoral da Aids em comunidades carentes. Pelo meu posicionamento, mantive minha cabeça erguida e sou respeitado por todos. Gosto de participar de congressos, debates e reuniões para protestar contra o estigma que a doença carrega. Meus maiores prazeres são os meus cachorros. Tenho 5. Espero que ninguém passe pelo auto isolamento tão comum àqueles que acabaram de descobrir que são portadores do HIV. Não tenha medo de mostrar a cara. Não é nos escondendo que vamos conseguir respeito.

Fonte Revista Saber VHIVer

O Autor do Texto aprovou a reprodução do mesmo.

Quando eu, Cláudio Souza, vejo a estrada dele, Francisco da Mota, eu recupero uma parte da esperança que durante quase duas décadas brilhou em mim. Lembrei-me agora da Suzan, Assistente Social da Casa a AIDS, que, numa tarde em que eu estava em tremenda miséria espiritual ela me disse: Puxa vida, você sempre foi tão pra cima! Eu não me lembro se respondi ou não, mas começo a querer recuperar as forças, retomar o ânimo e re-recomeçar; vocês não sabem, mas há pouco menos de um mês eu estava firmemente disposto a acabar com este site (uma espécie de suicídio virtual). MAS minha esposa me disse que esperasse um pouco, que eu tivesse certeza disso, para não me arrepender depois. E eu a ouvi. E, portanto, mais uma vez, e a ele que deveis este site. Para ganhar a vida preciso de um projetor. Vou tentar fazer palestras. Sãa quase vinte anos com HIV. Eu ouso acreditar que tenho algo a dizer.


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