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Folha de S. Paulo |
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Cotidiano |
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23/JANEIRO/08 |
MÁRCIO PINHO
DA REPORTAGEM LOCAL
Em vez de uma festa de 15 anos, a maternidade. Essa foi a troca que a estudante Laura teve que fazer em seu último aniversário, em novembro, porque na véspera ganhara um presente antecipado e, nove meses antes, inesperado: o filho Mateus.
Moradora do Jardim Tietê, na zona leste de São Paulo, ela é uma das várias mães que dão à luz antes dos 15 anos no Brasil. Como muitas, Laura não achava que engravidar fosse uma possibilidade real. "Usávamos preservativo de vez em quando, não sempre. Foi um choque quando eu soube", conta.
Como se o golpe não fosse suficiente, ela ainda teve que ver seu companheiro ser preso aos dois meses de gravidez. Mesmo assim, diz que não pensou em abortar. "Sou contra", decreta.
Carregando um filho e o medo de contar para os pais que estava grávida, ela só revelou sua condição poucos meses antes do nascimento do bebê.
"É uma situação difícil", afirma sua mãe, Solange, recém-alçada ao posto de avó. Segundo ela, apesar disso, os familiares têm se rendido à graciosidade da criança.
Para Laura, que pensava em ter filhos um dia -mas não já-, é bom poder ter e dar carinho e amor a Mateus, segurando-o no colo e dando de mamar.
Acordar de madrugada também passou a fazer parte da rotina. Mas a estudante diz que o bebê não será problema em relação a saídas com amigos nos finais de semana. "Sempre fiquei muito em casa", afirma.
Passeios
Laura conta que, quando não está em casa, costuma levar o filho para passear de carrinho, que, por enquanto, é também o berço de Mateus.
Com a aposentadoria de R$ 380 do pai de Laura, a família se sustenta em casa de sua propriedade de um quarto e uma sala -guardada pela imagem de Nossa Senhora Aparecida- e ajuda a mãe a criar o bebê.
Afastada da escola desde setembro, a estudante vive a expectativa da volta às aulas neste semestre. Ela concluiu a 8ª série entregando trabalhos e espera conseguir um emprego para poder ajudar em casa.
"Já trabalhei como vendedora. Logo irei procurar emprego. Não quero esperar acabar o ensino médio. Quando terminar os estudos, vou me dedicar integralmente ao trabalho e ao meu filho", afirma a mãe, que diz não considerar a hipótese de aumentar a família um dia.
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