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10/JANEIRO/08 |
09/01/2008 – 22h06m
Morte de Harris ganha destaque nos EUA
Reportagem recria os últimos dias do americano no Brasil e cita comportamento paranóico
GLOBOESPORTE.COM
No Rio de Janeiro
Dois meses após a morte do jogador americano Tony Harris, o caso ocupou a manchete principal do site da ESPN durante toda esta quarta-feira. A extensa reportagem reconstrói os últimos dias de vida do atleta, que defendia o Universo, de Brasília, e foi encontrado morto num terreno baldio da cidade de Bezerra, em Goiás. Apesar de rico em detalhes, o texto não chega a nenhuma conclusão sobre os motivos que levaram à tragédia. No entanto, deixa claro que Harris vivia num mundo particular e aponta o comportamento "paranóico" do atleta.
A história sobre a morte de Tony Harris foi principal destaque no site da ESPN
Sob o título "Os últimos dias de Tony Harris – o que levou o ex-astro do basquete universitário à morte na selva brasileira?", a reportagem de Wright Thompson reproduz e-mails enviados pelo jogador à família, deixando claro que ele se sentia perseguido no Brasil, mas em nenhum momento explicava os motivos de sua preocupação.
"Sei que às vezes sou paranóico, mas sei quando ouço coisas. As pessoas param de falar quando eu chego, e eu rezo para estar errado. Amo minha mulher e quero ver o bebê que eu e Lori estamos esperando. Não voltei ao Brasil para que eles me peguem e me matem", escreveu Tony à sogra, referindo-se à esposa, então grávida – ela deu à luz no fim do ano.
O texto afirma que os companheiros de time de Harris comentavam sobre um caso que teria tido com uma mulher casada em sua primeira passagem pelo Brasil, em Uberlândia. Desconfianva-se também de que ele tinha Aids, o que o levou a mostrar um exame negativo de HIV.
O pivô Estevam, que já defendeu a seleção brasileira, era um dos poucos em quem Harris confiava. Após um jogo no dia 3 de novembro, o americano pediu que o amigo o levasse ao aeroporto.
- De quê? – perguntou Estevam.
Tem alguém querendo me pegar.
Quem?
Tony não respondeu. E não conseguiu viajar porque seu passaporte estava com o Universo. É uma prática comum, mas o jogador, no auge do desespero, chegou a desconfiar que o time estava envolvido num complô para assassiná-lo. Com medo, não quis ir à polícia ou à embaixada americana.
A própria família reconhece que ele passou a adotar um comportamento "paranóico" após uma experiência na Coréia do Sul, quando uma mulher foi agredida na sua frente.
A causa da morte do jogador continua em aberto. Segundo declarações de Pedromar Augusto de Souza, delegado que cuida das investigações, não é possível afirmar com 100% de certeza que houve suicídio. O estado avançado de decomposição do corpo e a chuva que caiu antes de ele ser encontrado dificultaram o trabalho da polícia. Alguns fatos estranhos continuam sem explicação – o atleta estava pendurado numa árvore com um cadarço, mas seus dois tênis continuavam com os cadarços originais. Ele estava sem a aliança de casamento e a carteira.
Além da mulher e do filho recém-nascido, Harris deixou outro filho, de 14 anos, fruto de um antigo relacionamento.
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