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Número de infectados com HIV diminui no Brasil

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23/NOVEMBRO/07

22/11/2007 – 11:51 | Edição nº 496

 

Para especialista da UnAids, o trabalho de prevenção no país é bem-sucedido. Apesar disso, crescimento dos casos entre garotos homossexuais e garotas entre 13 e 19 anos é preocupante

Thiago Cid
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O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (21) o Boletim Epidemiológico com um levantamento sobre a expansão da Aids no Brasil. Paralelamente, foi apresentado o relatório do Programa das Nações Unidas no combate à Aids, UnAids, sobre o avanço da doença no planeta. Em comum, mostram uma tendência de estabilização dos casos da doença.

Segundo o relatório, referente ao ano de 2006, foram 32 mil pessoas infectadas pelo vírus. É uma redução significativa comparada ao ano de 2002, quando foram notificados 38 mil novos casos. O número total estimado de pacientes no país é de 620 mil.

Para a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, um dos dados mais importantes do relatório é a diferença da letalidade da Aids nas diferentes regiões do Brasil. Das pessoas diagnosticadas em 2000, na região Norte, 78% estavam vivas cinco anos depois. No Sudeste, esse índice sobe para 90%. “Isso revela as desigualdades no atendimento e a urgência no diagnóstico rápido”, afirma a especialista. “Nosso maior desafio é diagnosticar cedo a doença".

Enquanto 3% dos doentes no Sudeste morrem antes do primeiro ano após o diagnóstico, na região Norte, a taxa é de 13,9%. No Centro-Oeste, de 12,7%. Isso significa que, nos estados do Norte e do Centro-Oeste, o diagnóstico ocorre quando a doença já está em um estágio avançado e não permite tratamento eficaz. "Quanto mais precoce o diagnóstico, mais condições temos de indicar um tratamento adequado e prolongar a vida do paciente”, diz.

Grupos de risco
No Brasil, há muito a Aids deixou de ser uma doença restrita a grupos de risco. No caso dos homossexuais, por exemplo, a porcentagem de infectados caiu de 29,4% para 27,6% de 1996 a 2006. "O fato de a Aids ter iniciado entre os homossexuais fez com que houvesse nesse grupo uma maior consciência sobre os riscos da doença", afirma Mariângela. No mesmo período, o índice de heterossexuais contaminados pulou de 25,6% para 42,6%. A exceção são os homossexuais entre 13 e 19 anos. "Por não terem vivido a fase aguda da epidemia no país, esses jovens têm menos medo e se expõem mais nas relações", diz.

O grande problema é o sexo heterossexual, especialmente para as mulheres. O número de mulheres infectadas cresce, sobretudo, pela imposição do sexo sem preservativo pelo parceiro. A proporção de doentes no Brasil é de 16 homens para cada 10 mulheres. No começo da epidemia, em 1985, era de 15 para cada mulher. O dado que melhor revela a fragilidade da mulher em negociar o sexo seguro com o parceiro é o percentual de meninas de 13 a 19 anos contaminadas. Para cada 6 meninos com Aids, existem 10 meninas com a doença – única faixa etária em que as mulheres superam os homens.

Preservativo
"Se todos os brasileiros começassem a usar preservativo neste momento, a infecção estaria controlada. Todas as outras formas de contaminação não são suficientes para disseminar a doença", diz o coordenador da UnAids no Brasil, Pedro Chequer.

A irresponsabilidade dos hábitos dos brasileiros é comprovada pelo estudo do Ministério da Saúde. Segundo o boletim, a falta de informação não é mais uma das causas de infecção, já que 96% da população sabem como O HIV é transmitido. Muitas vezes o preservativo é posto de lado pelo seu custo ou pela falta de preocupação. Para 40% dos entrevistados, a falta de camisinha não foi um empecilho para a relação sexual. Outros 10% não tiveram dinheiro para comprar.

Para isso, o governo estuda a implantação de máquinas que vendam preservativos em lugares públicos a um custo de R$ 0,25 cada. Nas farmácias, um pacote com três sai por no mínimo R$ 2. Farmácias populares vendem preservativos por 30 centavos.

Políticas públicas
Os números da Aids no Brasil podem ser comparados aos de alguns países ricos, segundo o relatório da UnAids. O número de mortes pela doença, por exemplo, compara-se ao índice da França: 5 por 100 mil habitantes. A razão para os bons resultados, segundo Chequer, é a mobilização do governo e da sociedade civil para o controle e a prevenção da doença. Políticas como a Lei Sarney, que garante o acesso gratuito à medicação retroviral, e as campanhas de educação colocaram o Brasil como um país pioneiro, na prevenção e no tratamento da Aids. "O mundo se encontra longe do patamar adequado de compromisso com o controle da doença, firmado durante a Assembléia Geral da ONU sobre HIV e Aids de 2001, mas o Brasil se mostra avançado em todos os aspectos", afirma o coordenador do braço da Organização das Nações Unidas no Brasil.

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