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O medicamento darunavir é eficaz nas pessoas com grande experiência de tratamentos na Suíça

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Michael Carter

 

Os resultados nos doentes altamente experienciados que receberam “terapêutica de resgate” que incluiu o inibidor da protease darunavir são iguais ou mesmo melhores que os que se verificaram nos ensaios clínicos, de acordo com o artigo de investigadores suíços publicado na edição on-line da revista HIV Medicine.

Após 48 semanas de tratamento, a carga viral foi detectável em 20% dos doentes suíços, comparado com 55% dos participantes nos  estudos POWER, que apoiaram o licenciamento do medicamento darunavir. Dos 137 doentes incluídos neste estudo, 37 estavam medicados com enfuvirtide na combinação de base, dos quais 22 interromperam este medicamento durante o tratamento com darunavir. Onze destes doentes mudaram para raltegravir.

Mas a maioria dos doentes do estudo não incluiu uma nova classe de medicamentos anti-retrovirais – seja um inibidor da entrada ou um inibidor da integrase – quando iniciaram darunavir.

“A terapêutica de resgate com darunavir é um êxito na prática clínica de rotina tal como nos ensaios clínicos”, cometam os investigadores.

Recentemente, um certo número de medicamentos ficou disponível e fornece opções importantes de tratamento para as pessoas com infecção pelo VIH resistente aos medicamentos e com grande experiência anterior.

Um destes medicamentos é o darunavir (Prezista®), que é potenciado com uma pequena dose de ritonavir (Norvir®). Nos ensaios clínicos, 45% dos doentes com grande experiência de tratamento apresentaram carga viral indetectável após 48 semanas de tratamento com um regime anti-retroviral optimizado que incluiu este medicamento. Ainda melhores resultados foram observados em doentes com moderada experiência de tratamento e nos doentes que iniciaram pela primeira vez medicação anti-retroviral.

A resistência ao darunavir é pouco frequente, mas está associada à terapêutica prévia com os inibidores da protease amprenavir (Telzir®) e saquinavir (Invirase®).

Apesar dos resultados promissores nos doentes incluídos nos ensaios clínicos e tratados com darunavir, existe pouca informação sobre a segurança e a eficácia deste medicamento na prática clínica de rotina.

Neste sentido, os investigadores suíços monitorizaram 130 doentes com experiência anterior de tratamento que iniciaram “terapêutica de resgate” que incluiu darunavir, durante 72 semanas. Todos apresentavam um aumento mantido da carga viral durante outras combinações terapêuticas e todos tinham experiência com as três classes de medicamentos anti-retrovirais.

Os doentes tinham em média 47 anos de idade, e tinham um diagnóstico de infecção pelo VIH em média há 16 anos. Em concordância com esta longa duração da infecção, a maioria (81%) tinha sido medicada com mono ou biterapia, e apresentavam falência virológica após terem iniciado uma combinação tripla que incluiu inibidores da protease.

Em regra, o período de tempo que mediou o desenvolvimento de falência virológica e o inicio do tratamento com darunavir (6,6 anos) foi longo. Isto implicou que muitos doentes desenvolveram vírus resistentes ao tratamento e apenas 42% apresentavam susceptibilidade completa ao darunavir quando iniciaram uma combinação terapêutica com este medicamento.

Mesmo assim, a maioria dos doentes apresentava um bom estado geral. A média da contagem de células CD4 era de 250/mm3, 43% tinha diagnóstico de SIDA e 22% eram co-infectados com o vírus da hepatite C.

Os doentes foram seguidos em média durante 45 semanas. Um total de 22 doentes interrompeu darunavir em média após 22 semanas. Contudo, 12 reiniciaram este medicamento. Seis doentes pararam por efeitos secundários, que incluíram lipodistrofia, toxicidade hepática e diarreia.

Um doente morreu. A morte não foi relacionada com o tratamento com darunavir e foi registada como sendo devida a “doença por infecção por VIH resultante de outras infecções bacterianas”. Para além disso, 4 doentes foram diagnosticados com uma doença definidora de SIDA.

A carga viral foi medida utilizando um dos três diferentes testes disponíveis.

Falência viral foi definida como um valor de carga viral que nunca se apresentou indetectável ou a subida da carga viral após um valor indetectável – o que ocorreu em 18% e 29% de doentes. A taxa mais elevada de falência foi observada quando se usou o teste Amplicor.

Muitos doentes (entre 48%-56%, dependendo do teste utilizado) cuja carga viral não foi suprimida tinham à entrada resistência ao darunavir.

A idade mais avançada foi associada a uma mudança na supressão da carga viral durante o tratamento que incluiu darunavir. Ser mulher foi associada a um pior resultado, assim como a carga viral à entrada, má adesão e a presença de vírus resistente ao darunavir.

“ Neste estudo, os doentes que receberam darunavir como parte do regime de resgate não eram diferentes dos doentes com grande experiência de tratamento que foram medicados com darunavir nos ensaios clínicos POWER”, comentaram os investigadores.

Concluem: “Quando utilizado em regime de resgate, o darunavir pode atingir eficácia e tolerabilidade semelhante à observada nos ensaios clínicos.”

Contudo, afirmam que a falência virológica durante o tratamento com amprenavir ou saquinavir e o número de prévias combinações terapêuticas com inibidores da protease ineficazes estavam associadas a um menor controlo efectivo da infecção pelo VIH durante a medicação com darunavir. Recomendam que os médicos tenham isto em conta “quando escolheram uma combinação de resgate.”

Referência

 

Young J et al. Efficacy, tolerability and risk factors for virological failure of darunavir-based therapy for treatment-experienced HIV-infected patients: the Swiss HIV Cohort Study. HIV Med, online edition, DOI: 10.1111/j.1468-1293.2010.00885, 2010 (Clique aqui para consultar o abstract)

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