
“Se todo mundo infectado for diagnosticado e tratado, podemos conter a epidemia”, explicou nesta sexta-feira Sáez-Cirión, professor no Instituto Pasteur de Paris em entrevista à Agência Efe.
Ele explicou que a meta de ter 15 milhões de pessoas soropositivas em tratamento em todo o planeta foi alcançada e este é um passo importante no que tange ao controle da epidemia, graças ao maior acesso à terapia antirretroviral (TARV) nos países em desenvolvimento e, contudo “é necessário que se trate ainda mais vinte milhões de pessoas contaminadas pelo HIV em todo 0 mundo”.
A nova meta é 90-90-90, ou seja, 90% de casos diagnosticados, 90% deles tratados e que o tratamento seja eficaz para 90%, resumiu.
“Se isso acontecer, a epidemia de HIV estaria completamente eliminada em 2030”, previu Sáez-Cirión, que considera que “a epidemia começa a ser controlada porque nos países em desenvolvimento há um acesso (a fármacos) que não existia antes”.
No entanto, em países com melhores e maiores recursos médicos e tratamentos avançados a epidemia ganha fôlego, uma vez que as pessoas alteraram sua percepção sobre a doença, não a considerando, erroneamente, como uma doença incurável e mortal e os jovens tem sido as maiores vítimas deste sistema de coisas e fatos e, aqui no Brasil, diz o editor deste site, é grande o número de pessoas que relaxa na prevenção e entra em pânico, como mostra a minha experiência, desde que disponibilizei acesso aos usuários de Soropositivo.Org pela minha conta do Whats App. A maioria das pessoas que me procura está em um sistema de paranoia, julgando-se já infectada. Todas relatam um histórico de descuido no uso de preservativo em suas atividades sexuais e alguns não se convencem nem com aconselhamento psiquiátrico depois de mais de dez testes não reagentes…
“Há, por parte de Governos de diversos países, um relaxamento nas campanhas de informação e prevenção. Houve um tempo em que foi uma prioridade absoluta e isto desapareceu, também na educação sexual nos colégios”, criticou Sáez-Cirión.
O caso apresentado pelo cientista esta semana na reunião anual da Sociedade Internacional da Aids é o de uma jovem de 18 anos que foi infectada ao nascer e que deixou de tomar remédios antirretrovirais quando tinha seis meses. Depois de 12 anos, os resultados são promissores.
“O vírus está em seu genoma, mas não consegue se multiplicar. Existe um controle incrível da infecção”, disse Sáez-Cirión.
Nota do Editor de Soropositivo.Org`Está claro para mim que ela é uma controladora de elite e a vida de um contro lador de elite não é fácil.
O pesquisador começou sua carreira na Agência de Alimentos e Remédios dos Estados Unidos (FDA), já orientando suas pesquisas para o HIV, e trabalhou ao Instituto Pasteur no ano de 2003 com a intenção de “encontrar pacientes ou grupos de pacientes que tivessem demonstrado serem Controladores de Elite contra o HIV”.
Foi no mesmo ano em que se divulgou a história do “bebê de Mississipi“, uma paciente bebê nos Estados Unidos, que teve remissão da infecção por HIV sem terapia antirretroviral, quando se chegou a pensar-se em cura funcional, embora ela tenha se mantido sem o HIV por apenas e tão somente por dois anos e três meses.
A equipe de Sáez-Cirión buscou na base de dados de pacientes franceses desde 1986 por outros casos de pessoas soropositivas que apresentassem alguma característica semelhante a dos controladores de elite do hiv e e encontraram esta jovem soropositiva que aparenta haver confirmado as suspeitas dos cientistas: existem pacientes cujo organismo controlara o Vírus da Imunodeficiência Humana.http://soropositivo.org/2015/03/31/inicio-de-tratamento-anti-retroviral-reduz-mas-nao-elimina-o-reservatorio-de-hiv-este-estudo-aponta-o-caminho-para-a-cura-funcional/
“Claramente foi o efeito do tratamento e de tê-lo mantido durante tanto tempo”, afirmou.
Mas esse estudo revelou, ainda, outros aspectos auspiciosos, uma vez que em outros dois casos em que a TARV não tinha sido tomada adequadamente “o vírus se multiplicou com uma velocidade assustadora”.
“Todos os casos de remissão que estudamos têm em comum o início do tratamento muito pouco tempo depois da infecção”, acrescentou, junto com outros fatores, como a relação entre o tempo de tratamento e sua efetividade.
Sáez-Cirión avalia que entre 5% e 10% dos pacientes HIV positivos tem esta capacidade de controlar o vírus da Imunodeficiência Humana, portanto “não é recomendável a interrupção do tratamento sem acompanhamento médico rigoroso”.
“A TARV que tem sido usada na atualidade e muito eficiente em pacientes soropositivos para o HIV e tem salvo milhões de vidas e salvará ainda muitos milhões a mais”, ressaltou Cirión.
Seu objetivo agora é determinar “que mecanismos de controle podem ser aplicados quando não há tratamento,determinar se eles são de origem genética, identificar e desenvolver tratamentos de longo curso”.
Os cientistas querem conseguir “marcadores preditivos que permitam escolher os pacientes soropositivos capazes de deixar a Terapia Anti Retroviral que possam ficar sem a TARV”.
“O diagnóstico e tratamento precoce é sempre positivo para o paciente, pois permite eliminar as células infectadas e reduzir o efeito do vírus no sistema imunológico”, advertiu Sáez-Cirión.
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