Início HIV/AIDS A Busca Por Uma Vacina Pesquisadores canadenses estudam tratamento com vacina para a aids, informa Correio Braziliense

Pesquisadores canadenses estudam tratamento com vacina para a aids, informa Correio Braziliense

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29/11/2009 – 16h15

 

Cientistas canadenses criaram, em fase de testes, uma vacina para o tratamento da aids. É o que informou o jornal Correio Braziliense. Leia a matéria na íntegra a seguir.

 

Vacina sob medida

 

Alguns soropositivos contaminados há mais de 10 anos conseguem controlar o vírus HIV, causador da Aids, sem a necessidade de tomarem medicamentos. Se depender dos esforços de cientistas canadenses do Centro de Saúde da McGill University (MUHC, pela sigla em inglês), a condição de “lentos progressores” pode se estender a quase todos os pacientes, em breve. Os especialistas obtiveram uma “vacina individualizada”, a primeira potencializada com o próprio vírus HIV do infectado. O novo tratamento é uma espécie de imunoterapia customizada, feita “sob medida” para cada caso.

 

A imunoterapia utiliza células dendríticas – presentes nos glóbulos brancos – removidas de doentes e depois multiplicadas in vitro, em um laboratório da Argos Therapeutics, em Durham, na Carolina do Norte. Essas células “abrigam”, sobre suas superfícies, partes do HIV invasor, permitindo ao resto do sistema imunológico identificar e atacar o vírus. “Elas estimulam o sistema imunológico, em todas as suas funções, ao mesmo tempo. Aumenta a força das células assassinas que destruirão as células imunológicas devastadas pelo HIV, as CD4″, explicou ao Correio, por email, Jean-Pierre Routy, da Divisão de Hematologia do MUHC e principal autor da pesquisa publicada pela revista científica Clinical Immunology. A exposição dessas células ao ácido ribonucleico (RNA) do HIV encorajou o desenvolvimento de defesas bastante específicas contra aquela cepa viral.

 

Em tese, o que os cientistas fizeram foi “instruir” o sistema de defesa do corpo humano a combater o inimigo invasor.

 

A expectativa é de que a imunoterapia seja uma arma ainda mais eficiente contra o vírus do que os coquetéis antirretrovirais da atualidade. Os primeiros resultados clínicos são animadores. “O estudo mostrou que, ao menos no laboratório, as células dos pacientes ficaram mais fortes depois da vacinação. A segunda fase dos testes, praticamente completa, avaliou se o HIV pode ser controlado depois da descontinuação do tratamento corrente”, afirmou Routy.

 

“Nós observamos um controle parcial do vírus em 13 dos 16 pacientes, que apresentaram um vírus 10 vezes mais fraco do que antes da terapia”, comemorou o cientista. A eficácia da técnica foi provada em oito locais diferentes do Canadá.

 

Diferença Segundo Routy, a diferença da “vacina individualizada” para as vacinas comuns é que as últimas não evitam a modificação do vírus ao longo do tempo.

 

“Conseguimos burlar esse problema ao usar o último vírus detectado antes do início da terapia antirretroviral”, comentou o canadense. Questionado sobre o motivo da preferência pelas células dendríticas, ele citou sua multifuncionalidade.

 

“Elas aumentam todos os aspectos da resposta imunológica, tornandoa mais potente. As limitações estão no fato de a técnica ser muito complexa, e no preço”, acrescentou.

 

As células dendríticas modificadas, chamadas de AGS-004, têm ainda a vantagem de provocar efeitos colaterais mínimos, em comparação com os medicamentos atuais. Os pesquisadores também constataram níveis aumentados de linfócitos CD-8 nos pacientes, as células de ataque do sistema imunológico. Routy prefere não estabelecer cronogramas para a disponibilização da imunoterapia nos hospitais. No momento, os cientistas iniciam nova fase de testes, agora utilizando um placebo (substância inócua, sem fins medicinais), nos Estados Unidos e no Canadá – por meio de um acordo firmado com a FDA, a agência reguladora de alimentos e drogas nos EUA, e com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, pela sigla em inglês). “A intenção é associar o aumento da resposta imunológica a um melhor controle do vírus. Mas o objetivo global de nossa pesquisa é permitir que certos pacientes sejam capazes de interromper o tratamento com antirretrovirais e controlar o HIV“, concluiu o líder do estudo.

 

Fonte: Correio Braziliense

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS

Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano:

30/NOVEMBRO/09


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