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Home » Blog » Portadores do vírus da Aids demoram para buscar tratamento no Brasil

Portadores do vírus da Aids demoram para buscar tratamento no Brasil296 visualizações desde a publicação original em 19/06/2009. Tempo estimado de leitura acumulado: 1 dias, 40 minutos.

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O Estado de S. Paulo

Editoria: Pág.

Dia / Mês/Ano:

Vida&

 

15/FEVEREIRO/08

 

Relatório diz que 44% detectam o HIV após já estar com sintomas da doença; desses, 29% morrem no ano seguinte

Lígia Formenti, BRASÍLIA

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Apesar do acesso universal a exames e remédios, 43,7% dos pacientes com Aids no Brasil descobrem ser portadores da doença e iniciam o tratamento quando a saúde já está bastante debilitada. A demora para o início da terapia se reflete nas estatísticas de mortalidade: 28,7% deles morreram no primeiro ano depois da confirmação da infecção. “É um índice inaceitável”, disse a coordenadora do Programa Nacional de DSTAids, Mariangela Simão, acrescentando que a porcentagem de detecção tardia “merece uma reflexão da estratégia usada para diagnóstico da doença”.

Relatório brasileiro enviado à Assembléia-Geral das Nações Unidas em HIV/Aids mostra que o risco de morte do paciente com início tardio de tratamento é 22 vezes maior do que das pessoas que começam a terapia no tempo oportuno. Dos pacientes que começaram o tratamento e morreram entre 2003 e 2006, a absoluta maioria (94%) era de pacientes tardios – que já apresentam deficiências severas e sintoma da doença.

Para Mariangela Simão, uma das formas de melhorar o acesso aos exames é a ampliação da oferta de testes rápidos para detectar a Aids. Ela lembra que, embora a oferta do teste tenha aumentado 140% de 2005 para cá, há ainda muita resistência nos serviços públicos para o uso desses kits. Mariangela admite que, no primeiro estágio, parte dos testes perdeu validade nos estoques, sem ser usada. A perda, afirma, foi um misto de resistência dos profissionais com o prazo de validade relativamente baixo de tais kits (de 9 a 15 meses) e uma doação acima da capacidade de uso do País, feita em 2005. “Hoje não perdemos mais testes”, garantiu.

Mariangela defende, porém, que os testes rápidos devem ficar restritos aos serviços de saúde. “É preciso colher o sangue do paciente e para isso é preciso um profissional habilitado”, disse. Ela admite que, no futuro, se os testes de HIV que analisam a saliva dos pacientes forem aprovados, tal estratégia poderá ser reavaliada. “Precisaremos avaliar se o sistema é útil em termos de saúde pública.”

O pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e um dos colaboradores do documento brasileiro, Alexandre Grangeiro, disse que “é chegado o momento de se pensar em estratégias mais agressivas para oferta dos exames de detecção do HIV”. Para ele, é preciso não só intensificar campanhas que mostram a importância sobre o diagnóstico como também ampliar a oferta dos postos de testagem gratuita. Ele defende, por exemplo, a realização de exames em Organizações Não-Governamentais de prevenção de Aids. “Uma ação semelhante à que foi realizada com oferta de preservativos.” Um tema polêmico, pois muitas pessoas avaliam que o resultado do exame deveria ser dado só por profissional capaz de fazer a orientação adequada. “Tal recomendação era válida no início da epidemia.” Mas hoje, argumenta, a Aids não é considerada sentença de morte.

REGIÕES

Os índices brasileiros de tratamento tardio não diferem muito de países desenvolvidos. “Isso não significa que devamos ficar inertes. Temos muito a melhorar”, afirmou Mariangela. O risco do início do tratamento tardio varia de acordo com a idade, sexo e região do paciente. Mulheres e jovens com idade entre 15 a 19 anos têm menor risco de começar o tratamento depois do que seria considerado adequado. Na região Norte, a maioria dos pacientes (53,3%) inicia a terapia depois do prazo ideal. A região Sul é a que tem melhor desempenho no País: 59,2% começam o tratamento no tempo oportuno. Além do maior risco de morte, o diagnóstico tardio traz outros problemas. Sem saber se é portador do HIV, o paciente mantém a quantidade de vírus no organismo mais alta, o que, em conseqüência, pode aumentar o risco de contaminação do parceiro.

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