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Publicado há 17 anos, 2 meses e 14 dias
Atualizado há 1 mês
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, Publicada em 14/11/2007 às 12h32m
O Globo Online

Arte de Luciana Nunes/O Globo Online

RIO – A discussão na Câmara foi quente e ainda não acabou. O projeto que legaliza a prostituição e exige o pagamento por prestação de serviços sexuais já sofreu uma derrota, mas vai ser votado em plenário assim mesmo. Como o assunto tem tudo para cair na boca do povo, O GLOBO ONLINE quis saber o que pensam as pessoas nas ruas (veja aqui o vídeo) e os principais personagens desta discussão. E oferece a você, leitor, a chance de votar também. (Clique aqui e deixe seu voto).

Por votação simbólica, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara rejeitou no dia 7 de novembro o projeto de lei do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). Os deputados aprovaram o relatório de ACM Neto (DEM-BA), que confirmou a constitucionalidade da proposta, mas foi contrário no mérito. No entanto, como o projeto prevê mudanças no Código Penal, seguirá para apreciação pelo plenário da Casa, conforme prevê o regimento da Câmara.

Para ter alguma chance no plenário, Gabeira aposta na atenuação do projeto como forma de fechar um acordo com os deputados . Apesar de admitir os questionamentos morais em torno da prostituição, Gabeira argumenta que ela é uma realidade no país. (Ouça aqui o deputado Fernando Gabeira).

Relator contrário à proposta de Gabeira, ACM Neto argumenta que, apesar de a prostituição ser um "mal inafastável", sua aceitação dentro das leis do país beneficiaria os chamados empresários do sexo, que lucrariam sobre as garotas de programa . O deputado acredita ainda que a legalização da prostituição não é compatível com o ordenamento jurídico do país, já que um contrato entre cliente e prostituta não cumpriria uma "função social", como prevê a legislação brasileira. (Ouça aqui o deputado ACM Neto ).

Gabriela Leite, da ONG Davida – Reprodução Representante das principais interessadas no assunto, Gabriela Leite, presidente da ONG Davida, apóia o projeto de Gabeira e não desanimou com a rejeição na CCJ. Ela pretende convencer os deputados (principalmente as mulheres) da importância da descriminalização da profissão. (Veja entrevista em vídeo).

Mas a tarefa não será fácil. A deputada Maria do Rosário (PT-RS), por exemplo, vê falhas na proposta, que, segundo ela, é limitada por não observar aspectos relativos aos direitos dessas mulheres. A deputada gaúcha acredita na necessidade de aprofundar o debate.

    " A proposta do deputado Gabeira é um tanto limitada "

  • É uma discussão bastante importante, porque retira da invisibilidade setores historicamente marginalizados. No entanto, a proposta do deputado Gabeira é um tanto limitada, porque não trabalha amplamente a questão dos direitos previdenciários e sociais.

Para a deputada, a retirada dos três artigos do Código Penal (228, 229 e 231) que tratam de crimes de lenocínio (favorecimento à prostituição e tráfico de pessoas), prevista no projeto de lei, causaria "desproteção" e "vulnerabilidade" às pessoas que vivem da prostituição.

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