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O Brasil forma um caldo de cultura interessante. E quando há o embate de ideias (ou a ausência delas), o caldinho ferve. É só lembrar os momentos de “iluminismo” que tivemos nas eleições para a presidência. Aliás, se pudéssemos pôr o País no divã, não tenho dúvidas de que teríamos um diagnóstico de esquizofrenia social e cultural. Há alucinações, delírios e paranoias suficientes. Mas talvez a bipolaridade seja o principal sintoma a ter em conta. Há muita gente que vive de opostos e vê tudo em preto e branco. O bem ou o mal. O amor ou o ódio. A luz ou as trevas. À esquerda ou à direita. O céu ou o inferno. O tudo ou o nada. Não há lugar para meios termos. A bipolaridade provoca transtornos de humor e produz paranoias evidentes. QUE EXEMPLOS SEGUIR? Se a gente fala em corrupção, por exemplo, todo mundo deseja ser uma Dinamarca, um lugar onde esse assunto é quase ficção. Enquanto os nórdicos têm o menor índice de corrupção no planeta, o Brasil ocupa a 69ª posição. Ok… Olhar para a Dinamarca, uma nação desenvolvida e com uma democracia mais madura, faz todo o sentido. Ou não? Mas o que acontece quando temos um tema fraturante como o aborto? Ora, as pessoas fazem um volte-face e preferem entrar na onda do Haiti, um dos lugares mais atrasados do mundo, que tem leis bem semelhantes às brasileiras nessa questão. Ou seja, o tal Primeiro Mundo, mais evoluído em termos civilizacionais, já não serve de exemplo. Ops! O Haiti não é aqui? E quando o tema é a homofobia acontece o mesmo. Se você pensa num exemplo de tolerância, de populações mais educadas, a Holanda vem imediatamente à cabeça. O país é um exemplo de abertura à diferença e onde nenhuma pessoa aponta o dedo à outra por causa da sua sexualidade. Ah… E lá o casamento gay existe há longos anos. Mas no Brasil o olhar se fixa no atraso. Quando se trata de fazer – e aprovar – leis sobre o tema, os nossos legisladores se rendem a ideias obscurantistas. Ou seja, em vez de olharem para os países evoluídos, preferem se guiar pela lógica de nações intolerantes e atrasadas como Sudão, Mauritânia, Nigéria ou Somália, que criminalizam a homossexualidade. Ei, tem gente no Brasil a favor da criminalização… Não se iludam. A SUPREMA IRONIA – Ok… mas vamos mudar a agulha. Porque temos uma ironia muito eloquente. Os intelectuais brasileiros, em busca de luz e na tentativa de fugir ao obscurantismo, acabam por desenvolver um pensamento hipermétrope. Ou seja, veem bem ao longe, mas mal de perto. Sabem sobre o pensamento do “centro” (Europa e EUA), mas ignoram o pensamento “periférico” latino-americano. No Brasil, ser culto significa dominar o código dos outros, dos intelectuais do tal Primeiro Mundo. Não concorda? Então, faça o teste. Pergunte a um acadêmico qualquer o nome de cinco pensadores europeus. – Foucault, Baudrillard, Habermas, Bobbio, Popper. É fácil. Não leva nem dez segundos. Mas, agora pergunte o nome de cinco pensadores latino-americanos. E vai ver que a tarefa fica belicosamente difícil. – Hã… ah… hummm… aqueeele… mas existe algum, meu? O atraso pode ser – e é – uma questão geopolítica. Mas uma economia pujante como a do Brasil não pode evoluir sempre se as mentalidades não estiverem em sintonia com essa pujança. Os fatos das últimas semanas mostraram que o Brasil velho conservador não está morto. Infelizmente. E como diz o velho deitado: “Terceiro Mundo não é um lugar. É uma forma de pensar” . OOOOPS!
“Protege o próximo e a ti mesmo.” Lema de campanha de prevenção da AIDS realizada por uma paróquia católica, em Lucerna, na Suíça, na qual foram distribuídos PRESERVATIVOS. A Igreja Católica a distribuir três mil camisinhas? É daquelas coisas que a gente lê e não acredita. Tem de esfregar os olhos e tentar ler novamente. Mas, desta vez, não era uma ilusão de ótica. A imprensa internacional divulgou a notícia. Os responsáveis pela paróquia estavam a tentar conquistar o público jovem, que não concorda com a posição do Vaticano de proibir o uso de PRESERVATIVOS. É claro que houve chiadeira dentro de alguns religiosos. Mas tem gente que gostou da iniciativa e espera que seja um passo para acabar com essa ideia obscurantista dos católicos. MONTANHA-RUSSA ALTO Você, que é de Joinville, ainda está a tentar digerir essa coisa de proibir o cigarro em espaços públicos fechados? Pois se estivesse na Espanha, a sua preocupação seria ainda mais instigante. É que está em análise uma proposta de lei que proíbe fumar em espaços públicos abertos. É uma pretensão para lá de arrojada, mas a Espanha não é o primeiro lugar no mundo a adotar a medida. O estado da Califórnia, nos EUA, implantou uma legislação semelhante há muito tempo. A guerra ao tabaco vai ocupando novas trincheiras. BAIXO Há poucas semanas, a China anunciou o interesse em comprar obrigações do Tesouro da Grécia. E, agora, demonstra a intenção de fazer o mesmo com Portugal. Os chineses dizem que querem ajudar os países europeus em crise. Mas não há almoços grátis. A contrapartida no caso da Grécia, por exemplo, é a participação chinesa na construção de grandes projetos de infraestrutura. Com Portugal não deve ser diferente. A União Europeia dá sinais de fraqueza, pois a poderosa Alemanha já avisou que não vai pagar a conta dos países com economias instáveis. E a China aproveita esse vazio para entrar no seio da comunidade. Em tempo: Portugal, Espanha e Grécia anunciaram recentemente o apoio ao fim do embargo europeu à venda de armas à China.
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