, 17/10/2007 – 11h15Mais de um terço dos portadores do vírus HIV, causador da Aids, que estão sendo medicados hoje na África sub-saariana morrem ou interrompem seu tratamento dois anos após iniciá-lo, diz um estudo feito por especialistas americanos. Os pesquisadores constataram que muitos pacientes estão iniciando o tratamento com a medicação anti-retroviral muito tarde, enquanto outros têm dificuldade de viajar para clínicas distantes. A pesquisa também revelou que quando pacientes têm de pagar pela medicação, alguns interrompem o tratamento. Índices de sucesso no tratamento também dependem do tipo de programa oferecido e do país. Detalhes sobre o estudo, feito por especialistas da Boston University School of Public Health, foram publicados online pela Public Library of Science. Os pesquisadores estudaram programas de tratamento de portadores do HIV com medicação anti-retroviral em 13 países da África sub-saariana. Eles descobriram que dois anos após o início do tratamento, apenas 61,6% de todos os pacientes ainda estavam recebendo a medicação. Segundo os cientistas, há muitas razões para a interrupção do tratamento. Muitos haviam começado a tomar a medicação muito tarde e morreram poucos meses após o início do tratamento. Outros desistiram por dificuldades de acesso à medicação – por exemplo, por morarem longe da clínica que oferecia o remédio. Também há evidências, segundo os pesquisadores, de que alguns pacientes interromperam o tratamento por causa do custo da medicação – nos programas onde o paciente tinha de pagar pelo remédio. Falando à BBC, o pesquisador Christopher Gill, da Boston University, explicou: “Receber a medicação representa um grande investimento de tempo pelo paciente, então se você mora a oito quilômetros de distância da clínica mais próxima, tem que ir lá uma vez por mês e não tem transporte próprio, o investimento é grande.” “E se você está se sentindo bem e está preocupado em conseguir o suficiente para comer, manter um emprego ou achar um emprego, talvez você tenha a tentação de colocar o tratamento em segundo plano.” O diretor da Associação de Pessoas com Aids do Quênia, disse à BBC que pobreza, falta de instrução e estigma são parte do problema. “Se as pessoas não são ensinadas direito a tomar a medicação, algumas interrompem o tratamento, e se fazem isso, desenvolvem resistência à droga”, disse Roland Gomol Lenya. “Também descobrimos que algumas pessoas sofrem de estigma. Em alguns ambientes de trabalho, elas não têm como trazer os medicamentos e tomá-los livremente.” “As pessoas que ministram os anti-retrovirais deveriam levar em conta também o elemento da pobreza, porque algumas vezes, por causa da pobreza, as pessoas não conseguem acesso aos centros”. O estudo mostra que os indíces de retenção de pacientes variam bastante entre programas diferentes oferecidos na África. Um programa na África do Sul manteve 85% dos pacientes após dois anos, enquanto um outro, em Uganda, manteve apenas 46% dos pacientes após o mesmo período. Fonte: BBCBrasil.com
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