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Agência de Notícias da Aids |
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01/DEZEMBRO/07 |
1º/12/2007 – 07h30
Em homenagem ao Dia Mundial de Luta contra Aids, jovens ativistas soropositivos incentivam o sexo seguro e aconselham todos os adolescentes soropositivos a participarem de grupos e dividir todas as dificuldades, sejam elas se assumir ou até mesmo aderir ao tratamento. “Não podemos deixar que o HIV nos vença, temos que vencê-lo antes”, diz Karina Cruz. Os adolescentes são o foco da campanha de prevenção à Aids deste ano. O objetivo da campanha é ensinar aos jovens hábitos que não comprometam o seu próprio futuro. Além de incentivar o uso do preservativo, as autoridades querem elevar o índice de diagnósticos precoces e, dessa forma, prolongar a vida dos pacientes soropositivos. Confira a seguir os depoimentos de adolescentes, exclusivos, para a Agência de Notícias da Aids.
KARINA FERREIRA DA CRUZ
Sou uma jovem soropositiva há 22 anos, trabalho como agente de prevenção e auxiliar de coordenação do Centro de Educação e Documentação sobre Adolescer Vivendo com o Vírus HIV (Cedoc).
Sentia ser a única no mundo todo vivendo com HIV/Aids, porém conheci pessoas e grupos que me acolheram. Fui incentivada a não deixar que o vírus me vença e a perceber que antes de ser soropositiva, sou a Karina.
Nessa minha luta já sofri preconceito, já me decepcionei, mas como coloquei aprendi que eu não era a única pessoa viver com o vírus. Fiz uma grande rede de amigos, que também estão nessa briga! Muitos são soropositivos, mas muitos deles são amigos que não vivem com vírus HIV e que querem luta por um mundo sem preconceito.
Tive a oportunidade de representar o Brasil na Ucrânia e participar de vários encontros nacionais e estaduais sobre HIV/Aids. Ao invés de continuar a falar de mim, gostaria de deixar duas mensagens que sintetizam o que tenho a dizer.
Jovens Soropositivos: eu peço que nunca deixem de sonhar, não desistam da vida e não deixem o HIV ser mais importante que vocês! Procurem grupos de apoio para compartilhar as dificuldades e lembrem-se que não são os únicos portadores do vírus HIV. Existem pessoas e ONGs que lutam por vocês. Vocês podem ser muito mais do que um mero “portador”.
Jovens Soronegativos: protejam-se sempre, parem de pensar que nunca vai acontecer com vocês. Jovem, talvez você já seja portador e não saiba, por isso faça o teste caso tenha se exposto a uma situação de risco. O HIV não tem cara e nem endereço. Parem de rotular o soropositivo por ser portador, pensem na letra da música “quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra”. Somos todos vulneráveis, não critiquem as pessoas pela forma que pegaram o vírus. Diga não ao preconceito e faça sempre sexo seguro.
CAMILA
Sou uma jovem ativista no movimento de combate ao vírus HIV/Aids e do preconceito. Há pouco mais de um ano, fui acolhida pelo Grupo VHIVER de Belo Horizonte. Quando descobri que era portadora do vírus, há três anos, o mundo tomou formas e proporções completamente diferentes daqueles que imaginava.
As minhas vivências, após 17 anos, ainda não me permitiam entender o que era realmente a vida. O HIV me trouxe o entendimento da responsabilidade de lutar sempre por ela, seja como for. Portadores ou não do vírus, lutar pela vida é missão de todos nós.
No princípio foi difícil entender e suportar este fato, porque o HIV carrega em si o estigma, que enfraquece e mata mais do que a síndrome da imunodeficiência adquirida. Com o tempo, decidi tomar uma postura que pudesse contribuir para que a vencedora fosse eu e não o vírus. O meu corpo precisava de um estímulo e, através de um amigo, conheci a academia Corpo PositHIVo, no Grupo VHIVER.
Ser uma jovem cidadã soropositiva hoje é motivo para olhar para frente e para os outros com amor e com vontade de fazer daqui um mundo melhor, principalmente para aqueles que vivem e convivem com o HIV/Aids e seu, ainda inseparável companheiro, o preconceito.
SAMIR JORGE
A minha vida mudou depois que me tornei um portador do vírus HIV, há três anos atrás, quando tinha dezenove anos. Realmente, admito que sofro muito preconceito; e esse, infelizmente, é uma conseqüência constante da incompreensão das pessoas quanto à minha soropositividade e homoeroticidade.
Mas o preconceito não está em mim e, portanto, apenas busco força na própria vida para seguir isento, superando os constantes sofrimentos da rejeição e exclusão no dia-a-dia.
Faço parte de uma das maiores ONG AIDS do Brasil, o Grupo VHIVER, em Belo Horizonte, e, desde que assumi lutar em prol da minha própria causa, ganho forças no enfrentamento diário para a consolidação de um cenário político-humano-social mais favorável para as pessoas que vivem e convivem com o HIV/Aids.
Talita Martins
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