AIDS: A “Doença Crônica”

Fernanda ¨¨¨¨¨¨ // 27 de julho de 2016 às 23:27 //
Cláudio em primeiro lugar quero te parabenizar e agradecer por esse blog que tira e esclarece várias dúvidas que Deus te abençoe infinitamente, tive uma relação de risco e depois essa pessoa descobriu que era soro positivo já fiz dois testes rápidos um com um mês e outro com 87 dias após a exposição de risco todos deram não reagente só que agora descobri que tenho artrose vc acha que isso influencia no resultado hj ja está fazendo quase 05 meses e não tenho nenhum sintomas de HiV o que vc acha ?
Claudio Souza // 28 de julho de 2016 às 04:52 //
Oi Fernanda, here I am!  I’ll rock you like a hurrycane! (vou chacoalhar você como um furação!)

Tenha em mente que todos os links desta página abrem em outras abas, assim vc pode ver tudo. Por favor, veja tudo, eu trabalhei cinco horas nesta página para ela ter mais que um sentido, mais que uma finalidade, é para ela ser útil e conscientizadora!

Obrigado por elevar seu pensamento a Deus e pedir benção por nós, para abençoar nosso trabalho. Você não imagina, ao longo destes dezesseis anos, quantas vezes eu tenha pensado em desistir…
Bem, conforme explicado no texto, cuja autoria da parte técnica do texto foi elaborada por quatro enfermeiras do CRT-A que fica nas imediações da estacão São Judas do Metro e, não satisfeito, fui ate a Casa da AIDS, um importante centro de referência no tratamento da AIDS no Hemisfério Sul do planeta e aprendi que o teste rápido tem uma acuidade de 99% dos casos num período de 30 dias e, o 1% restante precisa de dois meses (sessenta dias).

Às vezes eu brinco aqui, quando o tiro passa raspando, e digo que se eu fosse Jesus, eu diria: “Agora vá e não peques mais, para que não te aconteças coisa pior”.
Eu não sou Jesus ; sou apenas um beija-flor coletado, no rio, um pouquinho de água para tentar apagar o ensaio na floresta. Pode parecer pouco, mas é o que dá para nós fazermos. Enfim, fui a um site e peguei algum material para incorporar ao nosso conteúdo.

Assim Fernanda,  foi “só” um susto. Mais é importante que você reflita na lição e no medo e, talvez, se reposicione com relação ao que você, eventualmente (assim como tantos outros), poderia pensar a respeito de pessoas “assim como eu”… Acho que todos deveriam refletir sobe isso, pondo-se, por exemplo, no meu lugar, que é o da pessoa que já passou duas noites em claro por conta da dor neuropática causada pela neuropatia periférica por HIV, uma coisa bastante incômoda! Como está sendo esta noite

Mas eu não vou deixar barato

.
Olha só, a AIDS tem sido tratada como doença crônica e, de um certo modo, ela até pode ser isso. Mas precisa de outros adjetivos:

 

A AIDS é

  1. Doença cronica
  2. Progressiva
  3. Degenerativa
  4. De evolução imprevisível clique aqui
  5. Debilitante (há duas noites não durmo por conta das dores provocada pela neuropatia periférica   (pode clicar sem medo de perder o fio da meada, todos os links abrem em outras abas).
  6. Pode, meu maior medo, me deixar ceg@. (…)
  7. Podem levar à Demência através de uma variável chamada ARC (AIDS Related Complex )– Complexo Relacionado à AIDS) –  ARC  (pode clicar que é uma segunda lista com ouras variantes horríveis das sequelas da “doença crônica”.
  8. E há o “envelhecimento precoce
  9. Sarcoma de Kaposi

Dizem que dói a bessa. Lembro-me dele arrastando um infusor de morfina para onde quer que fosse…

Morfina pra mim, é leite de rosas, eu tomo são sessenta miligramas de Metadona, 1800 Mg de gabapentina e 150 mg de amplictil.
Com a Síndrome do envelhecimento precoce eu, aos 40 anos operei o olho direito por catarata e há outra, ainda incipiente, no olho esquerdo que, até aqui, “não tem incomodado”.
Um histórico com duas embolias pulmonares. Já vejo o médico dizendo: Isso não tem ligação. E eu ensino Padre-Nosso ao Vigário: O HIV provoca vasculite em todo o sistema vascular e proporciona o ensejo à formação de coágulos.
Além de Tromboembolia Pulmonar de Repetição (Duas injeções de clexane por dia) .
Tenho também o de tromboflebite de repetição.

Entretanto
Segundo o “Instituto Nacional da Securidade Social” eu estou perfeitamente apto ao trabalho e desde 31/12/2009 eu não recebo benefício e tenho vivido, muito mal das pernas, do que vendo no mercado livre, neste e-shopp: http://eshops.mercadolivre.com.br/SUPORTE-MAXIMO

Se não fosse uma doação aqui e outra ali, sabe Deus do que viveria. Sim, minha esposa é aposentada, recebe um benefíico… Mas eu, depois que saí de casa, com doze anos e tinha vergonha de pedir esmolas tão logo completei dezesseis anos, comecei a descarregar caminhões no Mercado do Parque Dom Pedro I

Enquanto isso, alguns setores da sociedade recebem aumentos de 40%. Outros “trabalham 8 anos e se aposentam e o rombo na previdência tem de ser preenchido com as penas de galinha carijó do meu travesseiro. É a ponte que caiu.

Tá bom para vocês? Ou querem que eu continue? Pois eu não tenho a menor expectativa de dormir antes de pegar meus remédios e eu nem tenho condições de sair de casa, será minha esposa que terá de ir buscá-los para mim… E, detalhe, ela vive com HIV há 28 anos

Sim! Sim! Alvíssaras, a AIDS é uma doença crônica se você a contrair.

Mas, infelizmente, não é como Glaucoma, (esta eu não tenho) uma doença triste e malditamente traiçoeira e que, no entanto, tem tratamento, muito caro (eu diria caríssimo) e, se descoberto a tempo, tem tratamento a base de colírios e, eu estou aprendendo isso no dia-a-dia, pois minha sogra sofre de Glaucoma e, se eu entendi bem, há a possibilidade de um tratamento cirúrgico (esta não é minha praia – posso estar falando besteira e peço perdão antecipadamente ao s que sofrem com Glaucoma e me contactem para me esclarecer e corrigir qualquer engano (concedam-e a leniência de me analisar como humano e falível). Observem que a respostas serão demoradas pois, no memento, deve haver, pelo menos, umas 140 mensagens para responder e eu não permito que ninguém responda, embora esteja pensando no Beto Volpe para fazer isso, se ele puder.
Bem, depois, ninguém diga que foi por falta de aviso. Eu não sabia nada disso e pensava que era como ser atingido por um raio: Bateu, morreu. Já tem 22 anos que “bateu e não morri”.

 

Se eu soubesse de tudo isso!… (…)(poutz)

Cláudio Souza - Soropositivo desde 1994

Vejam só: Se você, mulher incauta e solitária, numa noite de sábado, se repletasse de simpatia por mim, cogitaria que eu vivo com AIDS? A cara da epidemia é composta por pessoas como eu.Isso tudo o que eu escrevi, é o aspecto das complicações da minha saúde pessoal. Se eu pegar outra pessoa e a por a para escrever, o relato será sempre diverso e nós tivemos, entre nós, uma amiga, Amarylis, que morreu estupidamente nas mãos de um médico que a acompanhou por 18 meses, com visão duplicada e não pediu uma tomografia computadorizada ou uma ressonância Magnética. Antes de perecer ela deixou este depoimento

Só que em outro tempos, não era assim

Depois disso, logo que eu saí do Hospital (eu fiquei três meses desaparecido e perdi entre 35 e 40 quilos) (convalesci de uma menigite viral  (que a Santa Casa diagnosticou, por 28 dias como gripe) num hotel de alta rotatividade frequentado por trasvestis). E era voz corrente a “boca miúda, que eu morrera vítima (nem isso é certo, não se é vítima da AIDS, é Pessoa Vivendo Com HIV ou AIDS). Como eu cheguei magérrimo foi como se uma confirmação cósmica de que se eu não morrera, morreria em breve.

Meu patrão, sempre meu amigo, nem meus direitos pagou. Rua! Quando cheguei no hotel em que eu morava, meu quarto fora desocupado e, num ato de misericórdia, o dono do hotel me entregou as roupas sem me cobrar os atrasados. Depois disso, liguei para um amigo… (…)

Ainda liguei para outro e depois desisti.

Para encurtar, um dia eu cai na besteira (naquela época era besteira porque se você chegasse para sacar o FGTS era usado um código, digamos o 027-a e a moça do caixa gritou: Gente tem um 027-a aqui! Delação explicita e isso ia para seu histórico pessoal. Felizmente alguém mudou isso e, hoje, o código é genérico.

Há uns dois, talvez três anos, eu passei num processo seletivo e fui contratado pela CONTAX (agora veja o desespero de um homem de 50 anos tentando recomeçar a vida como atendente de telemarketing).
Pois bem, pegaram todos os meus documentos, fizeram exames médicos (não houve coleta de sangue). Recebi um formulário para abrir a conta salário e seria chamado em 15 dias para o treinamento.

Foi a Mara, minha esposa, estou ficando lesado,  que se deu conta de que não me chamaram e no décimo oitavo dia eu fui até lá contestar a razão de não ter sido chamado, e ela (a atendente), até então sorridente, mudou a feição do rosto e a colega dela tentou continuar a conversa e ela. Cala a boca, estou um problemão, um problemaço aqui e ligou para não-se-quem, que apareceu, me devolveu todos os documentos e disse que assim que “as coisas se normalizassem” eles me chamariam.

Nunca mais.
Na certa, um filho de uma santa mãe, funcionário corrupto de algum órgão fornece estas informações e eu sou um homem duplamente marcado.

Marcado para, talvez, morrer de AIDS, ou sob as rodas do metrô aqui na estação Santana, que fica a cinco minutos de ônibus de casa. Já pensei e pegar o carro da Mara, sair e disparada, cada vez mais rápido, sem nenhuma consideração pelos freios, de forma quem numa curva qualquer eu me espatifasse cotra um muro. Mara pôs grades nas janelas, moro no oitavo andares, senhores, sábia esta Mara e eu desisti do projeto do carro, para não causar uma perda duplamente dura para ela e, por, fim marcado, certamente, como socialmente morto.

Morto em vida. Sim, sim, há vida com HIV! A doença é crônica! Mas, decididamente, não é fácil…

Está é parte de minha história clínica. Ponha outra pessoa vivendo com HIV ou AIDS aqui e você verá outra novela

rip