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Festival Francês discute impacto da AIDS na dança, informa Folha de São Paulo

Agência de Notícias da AIDS

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19/JUNHO/07

 

Festival Francês discute impacto da AIDS na dança, informa Folha de São Paulo

 

 

18/6/2007 – 16h

 

Em matéria publicada nesta segunda (18) pelo jornal Folha de S.Paulo, Jean-Paul Montanari, diretor há 24 anos do festival internacional Montpellier Danse, avalia que a Aids provocou mudanças estéticas na dança. A doença, que matou dançarinos, “significou uma perda de dinamismo e energia na dança”. Leia a matéria íntegra.

 

 

ANA FRANCISCA PONZIO

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

 

O radicalismo que marca a dança contemporânea dos últimos 20 anos, com espetáculos que chegam a ser reconhecidos como “não-dança”, seria reflexo da Aids?

 

A questão, levantada por Jean-Paul Montanari, diretor há 24 anos do festival internacional Montpellier Danse, pontua a edição deste ano desse importante evento francês, que começa no próximo dia 23.

 

Montanari acha que hoje já é possível avaliar os efeitos estéticos que a doença provocou nas artes, especialmente na dança, a qual perdeu inúmeros artistas vitimados pelo HIV, entre outros Rudolf Nureyev (1938-1993).

 

 

“O que a Aids Fez com a Dança, o que a Dança Fez com a Aids” é o título do debate que ocorrerá durante o festival, com participação de artistas e intelectuais.

 

“Desde 1985, quando começou a aparecer, o vírus da Aids provocou uma devastação, sobretudo na dança”, diz Montanari em entrevista à Folha.

 

“Arte que trabalha com a vitalidade, a dança de repente se deparou com a doença e a morte. Durante esses anos funestos, vimos os movimentos dos dançarinos se tornarem cada vez mais tênues, como se houvesse uma pane dos corpos. Poderíamos então afirmar que o HIV teve um efeito sobre a história das formas estéticas nos últimos 20 anos?”

 

Gosto pela performance

 

Gérard Mayen, crítico francês que coordenará o debate sobre os efeitos da Aids na dança, diz que, na era do HIV, se modificou substancialmente a maneira como se vê e como se produz dança.

 

Ele destaca características que marcaram a dança contemporânea no período, como o gosto pela performance, muitas vezes aliada às artes plásticas, que chegou a renovar a experimentação dos espaços.

 

O movimento interiorizado, introspectivo, cultivado pelos dançarinos, estimulou novas percepções, segundo Mayen, num contexto que desconstrói a representação espetacular.

 

O conceitualismo, a generalização do corpo nu, porém desprovido de erotismo e de qualquer desejo de liberalização, também são elementos que se tornaram presentes na dança dos últimos tempos, especialmente na Europa e, é claro, com reverberações no Brasil.

 

“Sem dúvida a Aids significou uma perda de dinamismo e energia na dança. Resta considerar até que ponto essa perda foi estimulante ou deprimente”, diz Mayen.

 

Um dos coreógrafos e dançarinos cuja produção é facilmente associada à chamada não-dança é Jérome Bel, que já desconsertou platéias brasileiras com espetáculos que substituem a luz pela obscuridade, a música pelo silêncio, a coreografia pela imobilidade.

 

Consultado pela Folha, Bel confirma que a Aids influenciou a maneira como ele concebe e pensa a dança.

 

“Comecei a fazer minhas primeiras peças no início dos anos 90, uma época em que a epidemia da Aids fazia grandes estragos”, afirma Bel.

 

“Meu trabalho, minha maneira de considerar a dança, e sobretudo o corpo, foram extremamente influenciados por essa tragédia. A peça “Jérome Bel”, de 1995, mostrava corpos vulneráveis. Eu queria encontrar associações para um corpo sem sexualidade, a qual era um perigo naquele momento histórico”, explica o artista.

 

“Foi uma época terrível, de confrontação com a morte, de sexualidade ligada à morte. Tudo aquilo criou um trauma que trouxe conseqüências enormes sobre a maneira de se expressar por meio do corpo.”

 

Dança e contexto

 

Outra personalidade importante da dança francesa, a coreógrafa Mathilde Monnier, também reconhece a influência da Aids em suas criações.

 

“A dança se alimenta de seu contexto. A dança butô, por exemplo, nasceu da reação ao desastre atômico que devastou Hiroshima e Nagasaki”, diz Monnier.

 

“Quando a Aids surgiu, foi como uma bomba que explodiu pesadamente sobre uma dança contemporânea emergente. Muito rapidamente, inúmeros dançarinos e coreógrafos foram atingidos por esse vírus. E esse fenômeno influenciou consideravelmente a criação e os temas abordados.”

 

Sobre os reflexos em sua obra, Monnier diz que “isso se traduziu por uma afirmação da relação do indivíduo com o coletivo. Diante de um vírus que pode atingir cada pessoa, em sua intimidade, o indivíduo teve que reinventar sua relação com a comunidade.

 

“Hoje, no entanto, uma nova mudança estética está em curso, segundo Montanari.

 

“Graças às novas terapias, escandalosamente reservadas para o Ocidente, ser soropositivo não é mais sinônimo de morte. Pouco a pouco, o corpo retoma o movimento. Está se resgatando a rota do desejo, o retorno à composição coreográfica, à velocidade na dança.”

 

Fonte: Folha de S.Paulo

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