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sexta-feira, abril 17, 2026

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Entendendo o Delirium: Causas e Sintomas

Por Laura Dorwart | Atualizado em 16 de O que é delirium? Sintomas, causas e o que a ciência mais recente diz

Por Laura Dorwart | Atualizado em 16 de fevereiro de 2026 | Revisão médica: Dr. Steven Gans, MD

Tradução, ampliação e adaptação: soropositivo.org | Fontes acadêmicas adicionais: StatPearls/NCBI (2024), Frontiers in Aging Neuroscience (2024), Trivedi et al./Discover Medicine (2024)

Delirium é uma alteração súbita no pensamento que deixa a pessoa confusa e desorientada.

É extremamente comum em pacientes internados em UTI — especialmente nos que usam ventilação mecânica — e, em geral, é temporário.

Os fatores de risco incluem idade avançada, internação, infecções, pneumonia e certos medicamentos.

Delirium é uma mudança repentina na forma como a pessoa pensa — ela passa a se sentir confusa, desorientada, como se estivesse dentro de um sonho em que as coisas não fazem sentido. Pode ser difícil se concentrar, lembrar de coisas ou reconhecer pessoas ao redor.

É uma condição comum em adultos hospitalizados ou gravemente enfermos, mas também pode surgir como consequência de infecções, cirurgias, medicamentos ou abstinência de substâncias. O delirium é uma síndrome — não uma doença em si — o que significa que costuma ser temporário e melhora quando a causa subjacente é tratada.

Na medicina, o delirium também é chamado de “estado confusional agudo”, “encefalopatia tóxica ou metabólica” ou “falência cerebral aguda”. O termo “psicose de UTI”, que você pode encontrar em textos mais antigos, é considerado hoje ultrapassado e impreciso.

O que a pessoa sente durante o delirium?

Quem passa por delirium experimenta uma confusão repentina e dificuldade para pensar com clareza. A pessoa pode ter problemas de atenção, sentir-se desorientada, e até ver ou ouvir coisas que não existem — as chamadas alucinações.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Confusão súbita que aparece em horas ou dias
  • Dificuldade para se concentrar, ouvir ou entender informações
  • Indiferença ao que está acontecendo ao redor, como se estivesse “desligada” do ambiente
  • Dificuldade para pensar com clareza ou lembrar de coisas
  • Sonolência intensa ou falta de energia
  • Não saber onde está ou que horas são (desorientação)
  • Sensibilidade exagerada a luzes brilhantes ou sons altos
  • Sensações distorcidas — sons ou imagens parecem estranhos
  • Alucinações, como sentir insetos na pele ou achar que objetos estão se movendo
  • Crenças fixas em coisas que não são verdade (delírios), como achar que médicos ou familiares querem fazer mal
  • Mudanças repentinas de humor: euforia, ansiedade intensa ou agitação

Os sintomas costumam aparecer de repente e podem ir e vir ao longo do dia. Na maioria das vezes, o delirium acontece enquanto a pessoa está internada por outro problema de saúde — e com frequência são os profissionais de saúde ou os familiares que percebem as mudanças primeiro.

Qual é a frequência do delirium? Os números surpreendem

O delirium é muito mais comum do que a maioria das pessoas imagina. Estima-se que ocorra em 20% a 70% dos pacientes hospitalizados em geral. Em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), esse número sobe para até 74% dos pacientes — e chega a 80% a 83% naqueles que estão no ventilador mecânico, segundo revisão publicada no StatPearls (Ali & Cascella, 2024) e dados compilados por Inouye et al.

Em outras palavras: se você foi para a UTI e precisou de ventilação mecânica, a probabilidade de ter tido algum grau de delirium é de quatro em cinco. Não é uma complicação rara — é quase uma certeza estatística.

Até dois terços dos casos de delirium em ambiente hospitalar são subdiagnosticados ou confundidos com demência, depressão ou fadiga. Isso significa que a maioria das pessoas que passa por isso não recebe o diagnóstico correto — e muitas nunca ficam sabendo o que viveram.

O que causa o delirium?

Ainda não se conhece com exatidão a causa do delirium, mas ele tende a aparecer quando a pessoa já está doente ou se recuperando de uma doença grave ou cirurgia.

A teoria mais aceita atualmente envolve alterações na química cerebral — em especial uma queda na acetilcolina, substância que ajuda na memória e na atenção. Pesquisas mais recentes apontam também para o papel da neuroinflamação: em pacientes criticamente enfermos, o sistema imunológico libera substâncias inflamatórias (citocinas como IL-6, IL-8 e TNF-α) que afetam diretamente o funcionamento do cérebro, segundo estudo publicado no Frontiers in Aging Neuroscience (2024).

As principais causas e fatores de risco incluem:

  • Internação em UTI — especialmente com uso de ventilação mecânica
  • Pneumonia grave e outras infecções do trato respiratório
  • Sepse (infecção generalizada com comprometimento de órgãos)
  • Idade avançada, em particular acima de 80 anos
  • Desidratação e desnutrição
  • Demência ou Doença de Parkinson preexistente
  • Falência de órgãos (rim, fígado)
  • Uso de múltiplos medicamentos, especialmente os com efeitos sobre o sistema nervoso
  • Cirurgias de grande porte com anestesia geral
  • Fraturas graves, como fratura de quadril
  • Intoxicação ou abstinência de álcool e drogas
  • Privação de oxigênio por doença pulmonar ou uso de opioides
  • Hipoglicemia ou outros distúrbios metabólicos
  • Dificuldade visual ou auditiva não corrigida (sem óculos ou aparelho auditivo durante a internação)

Tipos de delirium — e por que o mais comum é o mais perigoso

Existem três tipos principais, classificados pelo comportamento do paciente:

Delirium hipoativo: É o tipo mais frequente em UTI — e o mais perigoso justamente por ser o mais difícil de identificar. A pessoa parece muito sonolenta, se move e fala devagar, e não responde bem ao que acontece ao redor. Como se assemelha ao cansaço normal da recuperação, muitas vezes passa despercebido pela equipe médica e pelos familiares. Estudos mostram que o delirium hipoativo está associado a maior mortalidade em seis meses quando comparado aos outros tipos.

Delirium hiperativo: Mais fácil de notar. A pessoa fica agitada, inquieta ou agressiva. Pode andar de um lado para outro, ter mudanças bruscas de humor ou recusar cuidados por acreditar em algo que não é verdade. Alucinações também são comuns nesse tipo — e podem incluir visões, vozes ou sensações físicas que parecem completamente reais para quem está vivendo. Corresponde a apenas cerca de 23% dos casos de delirium em UTI.

Delirium misto: Combina características dos dois tipos anteriores e é o mais frequente de todos, correspondendo a cerca de metade dos casos em UTI. A pessoa alterna entre sonolência intensa e agitação — às vezes rapidamente, o que torna o diagnóstico mais difícil.

Delirium relacionado à COVID-19: Considerado por alguns especialistas como um quarto tipo, está associado a casos graves de COVID-19, especialmente em pacientes no ventilador mecânico ou com baixos níveis de oxigênio por pneumonia. A experiência de estar na UTI em isolamento, sem referências familiares, contribui adicionalmente para a confusão e desorientação.

Uma nota importante: as alucinações do delirium são neurologicamente reais para quem as vive. Não é “imaginação” — são percepções geradas por um cérebro sob estresse fisiológico intenso. Tratá-las com dismissão ou ironia piora o quadro e aumenta a agitação do paciente.

Delirium ou demência? Como diferenciar

As duas condições podem parecer semelhantes, mas são diferentes e exigem cuidados distintos. Ambas podem causar confusão, problemas de memória, agitação e dificuldade para falar — e algumas pessoas chegam a ter as duas ao mesmo tempo.

O delirium pode ser um sinal precoce de demência em idosos que se recuperam de uma internação. Alguns pacientes que desenvolvem delirium acabam sendo diagnosticados com demência posteriormente, mas o delirium em si é uma condição séria e temporária que precisa de atenção médica urgente.

DELIRIUM:

  • Aparece de repente: em horas ou dias
  • Sintomas vêm e vão ao longo do dia
  • Pode causar mudanças súbitas no nível de alerta
  • Desencadeado por uma condição específica: infecção, cirurgia, medicamentos
  • Com frequência reversível após o tratamento
  • Exige atenção médica urgente

DEMÊNCIA:

  • Desenvolve-se gradualmente: ao longo de meses ou anos
  • Sintomas persistem e pioram continuamente
  • O nível de alerta costuma ser preservado até estágios avançados
  • Causada por doença cerebral de longo prazo
  • Irreversível (mas a progressão pode ser retardada)
  • Requer acompanhamento de longo prazo

Como o delirium é diagnosticado?

O diagnóstico é clínico — feito por observação direta e testes simples para avaliar consciência, raciocínio e atenção. O médico pode pedir que a pessoa faça uma conta simples, descreva o ambiente ao redor ou soletre uma palavra. A instalação súbita dos sintomas é o que diferencia o delirium de outras condições que se desenvolvem mais lentamente.

Se a causa não estiver clara, exames complementares podem ser solicitados:

  • Exames de sangue e urina: verificam infecções, desequilíbrios metabólicos, função hepática e sinais de intoxicação
  • Eletroencefalograma (EEG): detecta atividade elétrica anormal no cérebro, incluindo convulsões
  • Exames de imagem (tomografia ou ressonância): geralmente não são necessários, mas podem identificar AVC ou inflamação cerebral

Como o delirium é tratado?

Não existe um medicamento específico para curar o delirium. As diretrizes mais recentes da Society of Critical Care Medicine (SCCM PADIS, atualização de 2025) reforçam que o tratamento deve focar em tratar a causa e oferecer cuidados de suporte:

  • Tratar a causa primária: corrigir desidratação, infecções ou efeitos de medicamentos costuma interromper o delirium
  • Criar um ambiente calmo e familiar: retirar equipamentos desnecessários, ajustar a iluminação e oferecer apoio emocional
  • Estimular o movimento: fisioterapia e terapia ocupacional ajudam na mobilidade e na recuperação cognitiva
  • Apoiar o ciclo sono-vigília: ambiente silencioso à noite e luz natural durante o dia
  • Garantir que a pessoa veja e ouça bem: óculos e aparelhos auditivos reduzem a confusão
  • Envolver familiares: o contato com pessoas conhecidas traz orientação e reduz a agitação
  • Melatonina: as diretrizes SCCM 2025 sugerem o uso de melatonina em pacientes de UTI como auxiliar na regulação do sono
  • Medicamentos: em casos graves, sedativos ou antipsicóticos podem ser usados com cautela para controlar alucinações angustiantes — mas os dados sobre eficácia ainda são limitados

Consequências a longo prazo: o que vem depois

O delirium costuma ser passageiro — os sintomas geralmente desaparecem em dias ou semanas após o tratamento da causa. Mas pesquisas recentes mostram que as consequências podem durar muito mais.

Se não for prevenido ou tratado adequadamente, o delirium está associado a:

  • Declínio cognitivo que pode persistir por meses ou anos após a alta — o chamado Síndrome Pós-UTI (PICS)
  • Maior risco de desenvolver demência, especialmente em idosos
  • Internação prolongada e maiores custos médicos
  • Necessidade de cuidados institucionais de longo prazo
  • Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) — estudos mostram que memórias de alucinações e delírios da UTI podem ser intrusivas e perturbadoras por muito tempo depois
  • Sofrimento emocional significativo, tanto para o paciente quanto para familiares que presenciaram os episódios
  • Maior risco de morte, tanto a curto quanto a longo prazo

A Síndrome Pós-UTI (PICS) é um conjunto de sequelas físicas, cognitivas e psicológicas que afeta uma parcela significativa dos sobreviventes de UTI. O delirium durante a internação é um dos principais fatores de risco para desenvolvê-la.

Quando procurar ajuda médica?

Se você perceber sinais de delirium em si mesmo ou em outra pessoa, procure atendimento médico imediatamente. Fique com a pessoa até a ajuda chegar, anote os medicamentos que ela está tomando e tranquilize-a dizendo que você está ao lado dela.

Após a alta hospitalar, converse com o médico sobre o acompanhamento adequado e esteja atento a sinais de declínio cognitivo nas semanas seguintes. O delirium não termina necessariamente no dia da alta.

Fontes: Verywell Health (Dorwart, 2026); Ali & Cascella, ICU Delirium, StatPearls/NCBI (2024); Frontiers in Aging Neuroscience, mecanismos do delirium (2024); Trivedi et al., Discover Medicine (2024); SCCM PADIS Guidelines, atualização (2025). Tradução, ampliação e adaptação: soropositivo.org.g

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