Recordes fatais

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Diário do Nordeste – CE Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano:
Opinião 18/JUNHO/07

 

Vem sendo motivo de preocupação dos dirigentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) a crescente ocorrência, no Brasil, de novos surtos de moléstias que já deveriam estar controladas, ou erradicadas, há décadas. Entre elas, a dengue, a malária e a leishmaniose visceral, que tem seu maior foco de incidência no Ceará.

Os surtos atacam, sobretudo, as populações mais pobres, residentes nas periferias das cidades, onde praticamente inexistem condições higiênicas e saneamento adequado. Os insetos transmissores da maioria dessas enfermidades vivem em matagais e nas áreas degradadas pelo acúmulo de lixo.

É impressionante constatar que, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2006, realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 25% da população brasileira, os quais ocupam em torno de 5l,8% das residências existentes, não têm acesso a esgoto ou à fossa séptica.

Apenas 36% das casas podem se dar ao pretenso luxo de usufruir de um serviço imprescindível como a coleta de lixo, carência essa responsável pela transformação de grandes áreas urbanas em imensos depósitos de sujeira e insalubridade, a cada dia mais identificados com perigosos guetos nos quais imperam várias facetas do desequilíbrio social.

Nos quatro primeiros meses deste ano, o País apresentou, oficialmente, 247 mil novos casos de dengue, apontando crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para agravar o quadro, é o líder mundial em hanseníase e um dos cinco países com maior quantidade de portadores de leishmaniose.

As mais recentes estimativas da OMS apresentam a existência de 18 milhões de pacientes com o Mal de Chagas na América Latina, dos quais seis milhões se encontram em território brasileiro. A quantidade local de mortos pela enfermidade atinge a cerca de cinco mil por ano, de da quantidade de pessoas vitimadas letalmente pelo vírus da Aids.

No caso da dengue, os estudiosos da OMS apontam também, como agravante, a falta quase generalizada de esclarecimento, a propiciar notório desleixo, sobretudo, nas áreas periféricas das cidades. Mas, segundo também observam autoridades ligadas ao setor da saúde, mesmo entre integrantes das classes mais favorecidas há inúmeros que ignoram a forma mais prática de combater o mosquito transmissor, que é eliminar as acumulações de água parada. As visitas esporádicas dos agentes de saúde não são suficientes para uma mudança radical de comportamento. Para tanto, não se poderia prescindir de constantes campanhas esclarecedoras, mesmo que para alguns elas possam parecer repetitivas ou redundan tes.

Além do problema da precariedade no atendimento hospitalar, o Brasil carece, principalmente, de sólidas e permanentes estratégias de prevenção, sob pena de continuar a deter, por tempo imprevisível, esses indesejáveis recordes no mórbido campo das enfermidades.


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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